Austrália reconhece pessoa sem sexo pela 1ª vez

Norrie May-Welby, a quem a Austrália atribuiu “gênero não-específico”

Uma pessoa que mora na Austrália pode ser a primeira no mundo reconhecida oficialmente como não pertencendo a nenhum dos sexos, segundo a imprensa australiana.

O governo do Estado de New South Wales emitiu uma certidão de “Gênero Não-Específico” a Norrie May-Welby. Isso significa que o governo não reconhece Norrie como homem ou mulher.

Norrie se considera andrógino e é ativista do grupo Sex and Gender Education (Sage, na sigla em inglês), que faz campanha por direitos de pessoas com diferentes identidades sexuais.

Norrie, de 48 anos, nasceu na Escócia e foi registrado como homem. Aos 23 anos, ele passou por um tratamento hormonal e cirurgias para mudar de sexo, e foi registrado na Austrália como mulher.

No entanto, Norrie ficou insatisfeito com a mudança e interrompeu seu tratamento, preferindo denominar-se “neutro”.

“Gaiola” dos gêneros

“Esses conceitos de homem e mulher simplesmente não se encaixam no meu caso, eles não são a realidade e, se aplicados a mim, são fictícios”, afirma Norrie em um artigo publicado no site The Scavenger na semana passada.

Norrie assina seu nome como “norrie mAy-Welby”, um trocadilho com “may well be”, que em inglês significa “pode ser”.

Em e-mail à BBC Brasil, Norrie comemorou a decisão do governo australiano. “Liberdade da gaiola do gênero!”, escreveu.

Segundo a notícia publicada no The Scavenger, os médicos declararam em janeiro deste ano que não conseguiram determinar o sexo de Norrie – nem fisicamente nem em função do seu comportamento.

A certidão de gênero não-específico foi dada de acordo com uma recomendação de 2009 de um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Austrália, segundo o portal. A certidão foi publicada na capa do jornal australiano Sydney Morning Herald.

Uma porta-voz da Procuradoria do governo da Austrália disse ao jornal que esta foi a primeira certidão do tipo.

A porta-voz do Sage, Tracie O’Keefe, disse ao Scavenger que a decisão tem impacto importante na vida de pessoas que não se identificam nem como homens ou mulheres.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph, o porta-voz do grupo britânico Gender Trust, que ajuda pessoas com problemas de identidade sexual, saudou a decisão do governo de New South Wales.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/03/15/australia-reconhece-pessoa-sem-sexo-pela-1-vez.jhtm

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Campanha pela despatologização da transexualidade

Foram realizadas, no último dia 17 de outubro, manifestações em 29 cidades de 17 países, com o objetivo de alertar para a necessidade da retirada do Transtorno de Identidade de Gênero dos manuais internacionais de diagnóstico médico.

As manifestações fazem parte de uma campanha internacional pela despatologização das identidades trans – transexuais e transgêneros – e pela sua retirada dos catálogos internacionais de doenças, como o DSM – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA) e o CID – Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde. Ambos os manuais têm previsões para o lançamento de suas versões revistas e atualizadas. A quinta versão do DSM sairá em 2012, enquanto o novo CID deverá sair em 2014. Esses manuais são utilizados como referência para os profissionais da saúde em diversos países, sendo também comumente utilizados no Brasil.

A campanha “Alto a la Patologización Trans 2012” surgiu a partir da iniciativa do Coletivo Manis de Visibilidade Trans, denominado também Existrans, na cidade de Paris. Ao coletivo, posteriormente, juntaram-se algumas organizações da Espanha, todas em defesa da idéia de que a transexualidade não é uma doença. Madrid, Barcelona e Paris foram sede das primeiras manifestações, no ano de 2007.

As principais demandas das cidades participantes da campanha são as seguintes:

– Retirada do Transtorno de Identidade de Gênero dos manuais internacionais de diagnóstico em suas próximas versões – DSM-V e CIE-11.
– Retirada da menção ao sexo dos documentos oficiais.
– Abolição dos tratamentos de normalização binária para pessoas intersexo.
– Livre acesso aos tratamentos hormonais e às cirurgias sem a tutela psiquiátrica.
– Luta contra a transfobia, propiciando a educação e a inserção social e laboral das pessoas trans.

Fonte: http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/campanha-pela-despatologizacao-da-transexualidade/

O que é cissexismo?

Por Hailey Kaas

Revisei e ampliei a primeira postagem sobre o assunto, baseado em discussões e leituras novas.
Agradeço às pessoas da comunidade Transfeminismo do Facebook pelas ótimas discussões acerca do tema.
Para ver a postagem original, clique aqui.

Vivemos em uma sociedade ciscêntrica, cisnormativa. Isso ocorre porque as pessoas cis detém o poder de decisão sobre as pessoas não-cis dentro de vários âmbitos: Médico, Político, Jurídico, Financeiro etc.

Mas quem são as pessoas cis? Utilizei a seguinte definição a priori:

“Uma pessoa cis é uma pessoa na qual o sexo designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de sexo + gênero designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de gênero, estão “alinhados” ou “deste mesmo lado” – o prefixo cis em latim significa “deste lado” (e não do outro), uma pessoa cis pode ser tanto cissexual e cisgênera mas nem sempre, porém em geral ambos.”

Uma pessoa cis é aquela que politicamente mantém um status de privilégio em detrimentos das pessoas trans*, dentro da cisnorma. Ou seja, ela é politicamente vista como “alinhada” dentro de seu corpo e de seu gênero.

Quero evitar dicotomizar aqui sexo e gênero, pois muito embora essas categorias sejam divisíveis para problematização, a ideia que a ciência construiu sobre o sexo é pré-discursiva, ou seja, é como se fosse compulsoriamente uma verdade.

Isso significa que sexo é entendido como pré-dado e associado dimorficamente (homem-pênis/mulher-vagina) e a ele são atribuídos valores generificados que inscrevem o corpo em um sistema binário; “corpo masculino” e “corpo feminino”.

Voltando na definição cis, eu já havia retificado minha afirmação prévia em outra postagem, na qual elimino a discussão etimológica sobre o prefixo cis, uma vez que não era adequado em uma discussão que se quer puramente política. Não queremos criar uma dicotomia entre pessoas cis e pessoas trans* e sim evidenciar o caráter ilusório da naturalidade da categoria cis.

O alinhamento cis envolve um sentimento interno de congruência entre seu corpo(morfologia) e seu gênero, dentro de uma lógica onde o conjunto de performances é percebido como coerente. Em suma, é a pessoa que foi designada “homem” ou “mulher”, se sente bem com isso e é percebida e tratada socialmente (medicamente, juridicamente, politicamente) como tal.

Cabe ressaltar aqui que nem todas as pessoas cis “sentem-se” alinhadas e coerentes dentro das categorias homem ou mulher, mas também não significa que se “sintam” trans* (cabem aqui várias aspas, pois o termo “sentir” é muito subjetivo). Não há como medir cisgeneridade, como não há como medir transgeneridade. As categorias de gênero são fluidas e instáveis. Porém, isso não quer dizer que essas pessoas deixem de ser percebidas socialmente como cis, mantendo privilégios como tal.

Em outras palavras, pessoas cis são aquelas que no discurso médico são chamadas de “biológicas”, mas essa definição é por si só discriminatória, ao passo que pessoas trans* também são obviamente biológicas e o que difere é apenas seu status político.

O que é o desígnio?

O desígnio é o conjunto de práticas que envolvem a generificação de sujeitos por meio da nomeação de morfologias e a expectativa de gênero atrelada ao nascituro.

Ou seja, quando uma pessoa engravida, ela discursivamente já produz o gênero do sujeito antes mesmo deste nascer. Tanto isso é verdade que ao “saber” o “sexo” do nascituro criam-se expectativas de gênero que se exprimem na cor das roupas, do quarto, nos brinquedos etc. E esse discurso tende a ser mais limitador e repressor conforme esse sujeito cresce.

(Costumo associar o desígnio com o conceito de Memória do Futuro do Bakhtin, porque encaro o desígnio como uma expectativa que já se concretizou, por se apoiar em vários discursos normativos de sexo e gênero que orientam a sociedade e produzem os corpos e performances normais/anormais).

Quando o médico designa “é um menino/ menina” criam-se aí uma série de expectativas de gênero na qual esse sujeito deve estar conforme durante sua vida, caso contrário correrá o risco de ser visto como uma pessoa trans*/inconforme com seu gênero, um doente mental, como veremos a seguir.

Patologização das identidades trans*

Segundo o DSM-IV e o CID, Transexualidade (lá referida como transexualismo) é uma patologia, uma doença mental. Ao longo do século, as Ciências Psi (Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise) trabalharam em direção à desumanização das identidades trans* por meio do discurso patológico. Estar de alguma forma incongruente segundo a norma cisgênera – homem/pênis – mulher/vagina – tornou-se uma anormalidade, uma abjeção e por isso uma patologia. Para a ciência, a experiência trans* e os trânsitos de gênero não são normais, porque ela parte da mesma concepção ciscêntrica que apontei acima. A ciência considera que uma pessoa com “morfologia masculina” sempre “será homem” e sempre irá querer ser homem dentro da norma. Da mesma forma, uma pessoa com “morfologia feminina” sempre “será mulher” e sempre irá querer ser mulher. Para a ciência, essa norma é pré-discursiva, ou seja, não se discute o caráter ideológico de supor que todxs somos centradxs dessa forma. Qualquer sujeito que falhe nessa lógica, será anormal, um doente mental. Daí a criação da transexualidade. Quando pessoas que não se sentiam confortáveis com sua morfologia e/ou com as expectativas de gênero designadas a elas durante sua socialização começaram a surgir, a ciência rapidamente relegou essas experiências ao campo patológico.

Relegar essas experiências ao campo patológico é desumanizar as pessoas que se sentem como não-cis. Isso porque atualmente para existir politicamente como trans*, o sujeito deve passar por uma equipe médica que irá “atestar” a experiência trans*, permitindo a existência desses sujeitos na sociedade através de um laudo médico. Da mesma forma, as instâncias jurídicas estão alicerçadas na mesma norma, e em conjunto com a legitimação médica, só irão garantir existência jurídica a essas pessoas através do laudo médico.

O que irá guiar as Ciências Psi para “atestar” a “condição” trans* serão as normas cisgêneras binárias. As ciências Psi irão absorver os valores sexistas da sociedade para atestar o que é ser homem ou mulher. Então, para ela uma mulher trans* será aquela que estiver conforme com as expectativas sexistas do que é ser mulher: gostar de se depilar, ser vaidosa, ter cabelos compridos, unhas feitas, gostar de maquiagem – e ainda as de ordem “psicológica” como por ex. ser emotiva ou não gostar de sexo. O mesmo ocorrerá com a definição de homem: ser “pegador” querer ser ativo sexualmente, ter barba, ter pelos, ter ou querer ter voz grave, etc.

É importante ressaltar aqui também o caráter heterossexista dessa norma: se na sociedade heteronormativa mulheres e homens cis são heterossexuais, mulheres e homens trans* também devem ser, e para a ciência não existem pessoas trans* homo/bi/panssexuais. As Ciências Psi confundem o tempo todo identidade de gênero e sexualidade.

Segundo essas ciências, todas as pessoas trans* que falhem no modelo binário-sexista de comportamento, não são trans* “de verdade”.

Mas o que é o sistema binário? Binarismo, disforia* e conformidade na experiência trans*:

*(a utilização do termo disforia em itálico e com asterisco procura diferenciar e automaticamente problematizar o termo em relação à definição das Ciências Psi).

Binarismo é a ideia que todas as pessoas (seus comportamentos, por exemplo) devem se inscrever em um sistema binário rigidamente (cis) sexista. Ou seja, “homem fala grosso, cospe, tem voz grave, é racional, automaticamente violento, gosta de ter barba” etc.; Mulher é “emotiva, gosta de se depilar, é vaidosa, usa maquiagem” etc.; Homem tem e gosta de ter “aparência masculina” e mulher tem ou gosta de ter “aparência feminina”. Essa ideia se reflete na experiência trans* na medida que as Ciências Psi irão cobrar esses mesmos elementos. Uma mulher trans* deverá cumprir com todas essas normas. Caso falhe, falhou na expectativa de “ser mulher” O mesmo para homens trans*. As pessoas trans* internalizam essa ideia de tal forma que muitas só conseguem se ver ou se sentir “completas” dentro do sistema binário, e quando sentem que falharam, experienciam disforia*.

Disforia* aqui é usado de forma diferente do discurso médico. Disforia* seria a direta experiência binarista-cissexista da norma cisgênera. Ou seja, a norma orienta um binarismo – se falhamos em cumprir nos sentimos socialmente e morfologicamente inadequadxs. Esse sentimento é o que chamamos dedisforia*. Ouso dizer que a disforia* só existe porque existe uma norma que regula comportamentos e morfologias. Só existe porque a sociedade é baseada da cisnorma, ou seja, no alinhamento compulsório morfologia-gênero. Isso não significa que o sentimento disfórico seja menos real ou passível de desconsideração, mas sim que o reforço das normas binárias cissexistas produz e reproduz a disforia*. Não é, como acredita a ciência, um sentimento puramente subjetivo das pessoas trans*, é um sentimento produzido por uma norma social.

Mas afinal o que é cissexismo então?

Primeiramente é a desconsideração da existência das pessoas trans* na sociedade. O apagamento de pessoas trans* politicamente por meio da negação das necessidades específicas dessas pessoas. É a proibição de acesso aos banheiros públicos, a exigência de um laudo médico para as pessoas trans* existirem, ou seja, o gênero das pessoas trans* necessita legitimação médica para existir. É a negação de status jurídico impossibilitando a existência civil-social em documentos oficiais.

Porém esses exemplos são mais óbvios, e poderíamos chamá-los simplesmente de transfobia. O cissexismo é,digamos, mais sutil. Ocorre quando usamos o termo “biológico” para designar pessoas cis, quando usamos certos discursos e certas expressões que excluem ou invalidam direta ou indiretamente as identidades das pessoas trans*, como eu exemplifiquei na postagem anterior:

“Cissexismo será então qualquer discriminação baseada em:

1) Na noção de que só existe um tipo de morfologia (corpo) e este deve estar alinhado com o gênero designado ao nascer e/ou;

2) Noção de que só existem 2 gêneros (binários: masculino/feminino) e que uma pessoa deve estar alinhada dentro de um desses 2, e/ou;

3) Noção de que uma pessoa trans* tem uma vivência menos ‘verdadeira’, e/ou nunca será ‘verdadeira’ se não fizer modificações em seu corpo para ficar mais próxima de um dos gênero binários, e/ou;

4) Noção de que uma pessoa precisa estar dentro de um desses gêneros binários, porque senão ela não será feliz, ou não será aceita etc. e/ou;

5) Noção de que pessoas que não se encaixam no binário são doentes mentais, tem patologia e precisam se tratar de algum modo para se curar e que essa cura ou será o alinhamento ou o processo transsexualizador, e/ou;

6) Noção de que o corpo da pessoa é “bizarro”, que ela não pode viver no “entre” etc. o que pode caracterizar também transmisoginia e/ou transmisandria e/ou;

7) Noção de que a pessoa “dá pinta”, é muito “escandalosa” chama atenção, principalmente no que diz respeito à performance/atitudes que não estão alinhadas do ponto de vista cis. Achar que, porque essa pessoa ‘chama atenção’  e não age como esperado do alinhamento cis, ela irá “atrapalhar a causa”, “estragar a imagem do grupo” etc. Atenção porque esse discurso está bastante difundido no meio “LGBT” (militância gay). E/ou;

8) Uso de termos ofensivos, mas que muitas pessoas não acham ofensivos, ou evocar arbitrariamente (sem a permissão da pessoa) o nome designado ao nascer (nome civil), a experiência “pregressa”  (falar em “antes” e “depois” é cissexista também); termos como ‘transvestir’,’transformista’, ‘traveco’, ‘transsex’, ‘t-gata’ (sim ‘t-gata’ é um termo fetichizador cissexista e sexista também, objetificador: atenção pessoas que se identificam como “t-lovers”); uso de termos como crossdress, drag, drag queen/king, quando você não sabe qual é a identidade da pessoa. E/ou;

9) Cont. item  8 – Designar arbitrariamente a identidade da pessoa. Conhecer alguém e prontamente decidir qual é a ID da pessoa baseada na imagem (visual e/ou performática) (da sua posição cis) que você tem dela. Alinhar pronomes e identidades também é cissexista. E/ou;

10) Na simples discriminação pela pessoa não ser cis, por ter qualquer comportamento diferente do esperado pelo alinhamento cis. Nesse ponto o sexismo também tem papel importante. Cissexismo e Sexismo são faces da mesma moeda. Desenvolverei esse assunto em outro post. E/ou:

11) Qualquer outra situação que se encaixar em discriminação, pois com certeza não consegui listar tudo aqui, existem inúmeras outras.” 

Por que nomear quem são as pessoas cis:

Como eu disse mais acima, ser cis é uma condição principalmente política (mas não só). A pessoa que é percebida como cis e mantém status cis em documentos oficiais não é passível de análise patologizante e nem precisa ter seu gênero legitimado. Ora, homens são homens, mulheres são mulheres e trans* são trans* correto? Não. Historicamente a ciência criou as identidades trans* (e por isso já nasceram marginalizadas), mas não criou nenhum termo para as identidades consideradas “naturais”. É por isso que a adoção do termo cis denuncia esse pseudo status natural. Nomear cis é o mesmo processo político de nomear trans*: aponta e especifica uma experiência e possibilita sua análise critica. Nas produções acadêmicas contemporâneas, tanto das ciências médicas quanto das sociais, a identidade trans* é colocada sempre sob análise, tornando-se, compulsoriamente, objeto de critica. Ao nomearmos xs “normais” possibilitamos o mesmo, e colocamos a categoria cis sob análise, problematizando-a. Buscamos o efeito político de elevar o status de pessoas cis ao mesmo das pessoas trans*: se pessoas trans* são anormais e doentes mentais, pessoas cis também o são, suas identidades também não são “reais”; se pessoas cis são normais e suas identidades naturais, pessoas trans* também são normais e suas identidades tão reais quanto.

A naturalização das identidades cis produz privilégios. Esses privilégios são diretamente percebidos na medida que, como eu disse acima, pessoas cis não precisam ter sua identidade legitimada pela ciência; tampouco estão classificadas como doentes mentais em documentos médicos; não sofrem privações jurídicas de existência em documentos oficiais; não sofrem violência transfóbica e cissexista; não precisam dar explicações sobre suas identidades; não são vistas como pervertidas e nem tem sua sexualidade confundida com seu gênero. Esses são apenas alguns exemplos, para conferir uma lista bem atualizada e completa, verifique aqui. (em inglês).

Para além da discussão trans*: a multiplicidade das identidades de gênero:

Essa discussão se pautou principalmente nas pessoas trans*, mas é importante lembrar que gênero é uma categoria instável que não é coerente. O gênero desloca-se continuamente dentro das performances culturais. Gênero é uma performance discursiva, móvel e abstrata. Esse pensamento orientou muitas pessoas que não se sentiam cisgêneras, mas também não se denominavam trans*. Criaram categorias de classificação próprias, que ganharam força no tumblr. Alguns exemplos são: genderqueer, third sex, agender, bigender, androgyne, neutrois, femme, entre outras. Não convém aqui explicar cada uma dessas categorias, mas denunciar o caráter frágil do binarismo. O sistema binário de gênero não é tão natural quanto se imagina e tampouco é estável e inabalável.

Por fim, resta saber se iremos contribuir para reforçar um sistema excludente e desumanizador, ou lutar contra as políticas e discursos cissexistas existentes na sociedade.

Fonte: http://transfeminismo.com/o-que-e-cissexismo/

Rodas das Diversidades

Sobre a Mostra Artística “Danças Circulares das Diversidades em Performances”

Entre os dias 1 e 3 de agosto de 2012 aconteceu, na cidade de Salvador (BA), o VI Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero, contando com a presença de cerca de mil pessoas de diversos estados brasileiros e de outros países.

O Congresso, promovido pela ABEH (Associação Brasileira de Estudos da Homocultura), recebeu propostas de realização de Mostras Artísticas e, para essa ocasião, foi elaborada e aprovada nossa atividade, “Danças Circulares das Diversidades em Performances”, realizada em conjunto com dezenas de pessoas, participantes do Congresso, no dia 2 de agosto, das 18:00 às 18:30, no saguão da Pavilhão Glauber Rocha (PAF 3, Campus de Ondina), na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Resumo da Mostra

Danças Circulares das Diversidades em Performances propõe que a música e a dança sejam vivenciadas em um círculo no qual os participantes podem usar seu corpo para afirmar horizontes utópicos e míticos de coexistência, convívio e aprendizado com as diferenças sexuais, de gênero, étnicas, socioeconômicas, entre outras, sem que estas sejam transformadas em desigualdades. Para tanto, um/a focalizador/a chama as pessoas para se reunirem em torno de um símbolo central evocando multiplicidade, pede que estas digam seus nomes e, em seguida, propõe uma coreografia em que todos dão as mãos e andam de forma ritmada e circular para dentro e para fora da roda, ao som de músicas relacionadas às temáticas das diversidades e da cultura da paz.

Essa atividade artística e cultural está ligada aos estudos de performance e de arteterapia e é proposta no âmbito das ações do Diversidades em Performances, um projeto de extensão transdisciplinar que o Grupo de Pesquisa ABC das Diversidades – Conflitos sociais, diversidades culturais e tecnologias, da UFABC-SP, promove para criar um espaço de visibilidade das temáticas e de práticas culturais, artísticas e científicas. Reuniremos nas danças circulares acadêmicos, artistas e ativistas em torno das questões das diversidades e cidadanias culturais na contemporaneidade, ressignificando práticas e valores culturais de memória e identidade. Essa ação artística e cultural visa reconhecimento cultural e social de sujeitos das diversidades e de suas várias performances, artísticas e políticas.

As expressões performáticas ganham consistência com o recurso às danças circulares pelo simbolismo do círculo como território imaginário de solidariedade e união, provocando uma reflexão transdisciplinar a partir da performance dos corpos, afirmados simultaneamente como diferentes e iguais, iniciando e/ou atualizando as pessoas nas complexas dinâmicas que instituem vivências nos espaços públicos e institucionais, promovendo o conhecimento e o reconhecimento de agentes sociais, econômicos, culturais, políticos, enfim, plurais.

Sobre as Danças Circulares

As Danças Circulares fazem parte de um movimento de dança contemporânea que surgiu com Bernhard Wosien (1908-1986), bailarino polonês/alemão, professor de danças, pintor que, a partir das décadas de 1950 e 1960 pesquisou e divulgou danças circulares de vários povos, buscando a valorização das diversidades das culturas, e contando com o apoio para o desenvolvimento de suas práticas da Comunidade de Findhorn, na Escócia, onde viveu por muitos anos.

Wosien conviveu com grandes artistas de seu tempo, sendo um deles Rudolf Laban (1879-1958), grande estusioso sobre a linguagem do movimento, ambos preocupados com o papel da dança na educação. Eles e outros artistas da dança no século XX, tais como Isadora Duncan (1877-1927) , Klauss Vianna (1928-1992), entre outros,  viveram uma época de experimentação e grande liberdade de criação de métodos e maneiras de se trabalhar com o corpo em movimento. Algumas dessas propostas, como a das Danças Circulares, são responsáveis por uma grande democratização e expansão da dança por todo o mundo, agregando em suas práticas pessoas de diversas tradições culturais, de vários povos, de todas as idades, gêneros, etnias e grupos sócio-econômicos. A dança, dessa forma, pode ser vivenciada por todos que quiseram participar dela, transformando e/ou reconhecendo como sujeitos da arte e da cultura as pessoas comuns, não apenas artistas ou bailarinos profissionais.

Na vida cultural brasileira, as danças de roda possuem presença marcante, com tradições ancestrais marcadas pela mistura e hibridismo de influências indígenas, afro-brasileiras e europeias. Há incontáveis expressões consideradas populares e/ou folclóricas brasileiras em que as danças de roda estão presentes, de norte a sul do país, sendo que desde a infância as crianças aprendem sobre cirandas como brincadeira e como prática cultural, dentro e fora da escola. No Brasil, existem artistas e pesquisadores que mesclam o movimento das Danças Circulares com investigações e criações que dialogam com as culturas e danças brasileiras, estudando sua história, fazendo releituras, inventando novos passos e coreografias, divulgando nossas músicas, danças e artes em geral.

Assim, as Danças Circulares (também conhecidas como Danças Circulares Sagradas ou ainda Danças dos Povos) têm se espalhado por parques, praças, escolas, centros culturais, por iniciativa de grupos independentes e também de inúmeras instituições públicas e privadas. Seus objetivos são reunir pessoas para vivenciar em conjunto experiências em que a multiplicidade de músicas e danças de diversas partes do mundo e de vários gêneros musicais apresentam possibilidades afetivas, subjetivas e educativas de construção de uma cultura da paz, na qual os corpos em movimento se tocam e se confraternizam,  repensando e reposicionando formas de sociabilidades e de práticas culturais na contemporaneidade.

As Danças Circulares são conduzidas ou focalizadas por uma pessoa chamada de focalizador/a, geralmente alguém que estudou ou adquiriu alguma formação em um grupo de convívio regular ou ainda em cursos livres ou profissionais sobre essa prática, abordada como parte da história da dança e das artes. O papel de focalizador/a é o de ajudar as pessoas a interagir, a conviver em grupo, a vivenciar as danças numa roda ou círculo, explicando sobre os sentidos das músicas e coreografias escolhidas, ensinando alguns passos que serão dançados coletivamente, assim como acerca da história e da filosofia da dança e das Danças Circulares em particular.

Nas Danças Circulares o que importa é que o grupo vivencie as danças, sejam estas meditativas, folclóricas e/ou contemporâneas, respeitando a forma como cada um coloca seu corpo em movimento e em diálogo com a presença das outras pessoas, buscando uma experiência de integração, em que emerge uma prática coletiva na qual as individualidades também têm seu espaço e seu papel. Algumas pessoas encontram nas Danças Circulares mais do que a possibilidade de aprender sobre uma arte, sobre outras culturas ou apenas para movimentar o corpo, pois podem conquistar igualmente uma experiência de autoconhecimento, de libertação, de solidariedade e, para alguns, até mesmo de outras expressões de amizade, de amor, de espiritualidade, todas essas expressões complexas e indizíveis de sociabilidade humana.

por Andrea Paula dos Santos

Para saber mais: http://rodasdasdiversidades.wordpress.com/

Agradecimentos especiais:

À organização do IV Congresso da ABEH, principalmente aos queridos Djalma Thürler (Comissão Científica – Artes), Duda Woyda e Rafael Santana (UFBA) e a tod@s @s que dançaram conosco na Mostra em Salvador, antecedendo ao lançamento de mais um número da Revista Contemporâneos, sobretudo às queridas amigas do Grupo de Pesquisa ABC das Diversidades e do Projeto de Extensão Diversidades em Performances da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ana Maria, Juliana e Tatyane: dançando juntas, vamos ampliando nossas amizades e as Rodas das Diversidades…

Flash mob “A Educação parou”

Projeto de Extensão Diversidades em Performances em ação! UFABC e Unifesp em performance e política: parabéns Victor Kenji OshiroRodrigo CavalliniMarcus TheodoroCarla CacianaArthur LodiAmir Abdallah,Vitor Fernando AudibertTatyane Estrela & outr@s, que levam nossa participação, integrando atividades de pesquisa e extensão à greve 🙂

 

Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial

Sobre o Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial

A Organização das Nações Unidas – ONU – instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em memória do Massacre de Shaperville. Em 21 de março de 1960, 20.000 negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. Isso aconteceu na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência foram 69 mortos e 186 feridos.

O dia 21 de março marca ainda outras conquistas da população negra no mundo: a independência da Etiópia, em 1975, e da Namíbia, em 1990, ambos países africanos.

O que é discriminação racial?

A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da ONU, ratificada pelo Brasil, diz que:

“Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública” Art. 1.

Apartheid

O apartheid foi um dos regimes de discriminação mais cruéis de que se tem notícia no mundo. Ele vigorou na África do Sul de 1948 até 1990 e durante todo esse tempo esteve ligado à política do país. A antiga Constituição sul-africana incluía artigos onde era clara a discriminação racial entre os cidadãos, mesmo os negros sendo maioria na população.

Em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de segregação racial, o apartheid, ganhou força e foi oficializada em 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder.

O apartheid atingia a habitação, o emprego, a educação e os serviços públicos, pois os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham direito de participação na política e eram obrigados a viver em zonas residenciais separadas das dos brancos. Os casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os negros geralmente trabalhavam nas minas, comandados por capatazes brancos e viviam em guetos miseráveis e superpovoados.

Para lutar contra essas injustiças, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano – CNA, uma organização negra clandestina, que tinha como líder Nelson Mandela. Após o massacre de Sharpeville, o CNA optou pela luta armada contra o governo branco, o que fez com que Nelson Mandela fosse preso em 1962 e condenado à prisão perpétua. A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos étnicos e ficavam confinados nessas regiões.

A partir de 1975, com o fim do império português na África, lentamente começaram os avanços para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a Organização das Nações Unidas – ONU faziam pressão pelo fim da segregação racial. Em 1991, o então presidente Frederick de Klerk não teve outra saída: condenou oficialmente o apartheid e libertou líderes políticos, entre eles Nelson Mandela.

A partir daí, outras conquistas foram obtidas: o Congresso Nacional Africano foi legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz (1993), uma nova Constituição não-racial passou a vigorar, os negros adquiriram direito ao voto e em 1994 foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África do Sul e Nelson Mandela se tornou presidente da África do Sul, com o desafio de transformar o país numa nação mais humana e com melhores condições de vida para a maioria da população.

A África do Sul é um país de grande importância estratégica para o mundo ocidental. Ao longo de sua costa viajam quase todos os navios que transportam petróleo para o Ocidente. É rica em ouro, diamantes, carvão, ferro, minérios, cromo e urânio, vital para a indústria militar. Tem uma população de aproximadamente 44 milhões de pessoas, sendo 85% negros.

Conferência de Durban

De 31 de agosto a 7 de setembro de 2001 ocorreu a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância em Durban, na África do Sul.

Temas urgentes e polêmicos sacudiram a conferência, da qual fizeram parte 173 países, 4 mil organizações não governamentais (ONGs) e um total de mais de 16 mil participantes. O Brasil estava presente, com 42 delegados e cinco assessores técnicos.

Um importante papel coube ao nosso país: Edna Roland, mulher, negra e ativista foi a relatora geral da conferência, representando também as minorias vítimas de discriminação e intolerância.

A proposta de um programa de criação de cotas para estudantes negros nas universidades públicas brasileiras foi apresentada e gerou polêmica.

Ao fim da Conferência, foram elaboradas uma Declaração e uma Plataforma de Ação, a fim de direcionar esforços e concretizar as intenções da reunião.

Debate sobre as desigualdades

Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 21 de março como uma data especial para pensarmos em formas de eliminar de vez a discriminação racial no mundo, tinha em mente os massacres da população negra em países africanos e outras formas de violência direta dirigida a pessoas dessa cor ou raça.

Na conferência de Durban, por exemplo, os países participantes foram estimulados a coletarem, compilarem, analisarem, disseminarem e publicarem dados estatísticos confiáveis, em nível local e nacional, relativos a indivíduos e membros de grupos e comunidades sujeitos à discriminação.

A finalidade desses debates está relacionada às formas de se levantar informações sobre as desigualdades existentes em uma sociedade e discutir formas de eliminá-las.

Na legislação

Abaixo, alguns trechos da legislação que garantem os direitos civis de todos os brasileiros, independente de raça, sexo ou religião, que tratam especificamente de racismo.

Título I – dos princípios fundamentais

Art.3º – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

  1. construir uma sociedade livre, justa e solidária;
  2. garantir o desenvolvimento nacional;
  3. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
  4. promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Título II – dos direitos e garantias fundamentais
Capítulo I – dos direitos e deveres individuais e coletivos

Art.5° – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

  1. a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

Fonte: IBGE  (http://www.ibge.gov.br)

Divulgação

http://www.palmares.gov.br/

7 e 8 de março de 2012 – Abertura do Projeto de Extensão Diversidades em Performances

Semana do Dia internacional da Mulher

7 e 8 de março de 2012

UFABC – Campus Sigma – Sâo Bernardo do Campo

 

A violência contra as mulheres é estrutural e inerente aos sistemas patriarcal e capitalista no qual estamos inseridos. E é usada como uma ferramenta de controle da vida, corpo e sexualidade das mulheres por homens, mas também – por mais absurdo que pareça – por grupos de diversos gêneros e orientações sexuais, incluindo homens e mulheres,
instituições patriarcais e Estados, que impõem uma necessidade de controle, apropriação e exploração do corpo, vida e sexualidade femininos.

O senso comum e a idéia geral que se tem obre a violência contra as mulheres é que se trata de uma situação extrema ou localizada, envolvendo pessoas individualmente. Mas ela nos toca a todas e todos, pois tem suas raízes nas diversas expressões da questão social, apresentando-se de forma diferenciada e complexa quando cruzamos categorias de gênero, com diversidade sexual, étnica, religiosa, geracional ou de classe social. Apesar de afetar as mulheres como grupo social, cada violência tem um contexto específico e temos que
compreender como, quando e por que ocorre a violência contra as mulheres. Sabemos que esse tipo de violência é transversal e permeia todas as classes sociais e diferentes culturas, etnias, gerações, religiões e situações geopolíticas.

Apesar de ser mais comum na esfera privada, como violência doméstica – seja esta sexual, física, psicológica – a violência contra as mulheres e meninas ocorre também na esfera pública. Todos os dias são praticados crimes que permanecem impunes, tais como feminicídio, assédio sexual e físico no lugar de trabalho, abuso sexual e diferentes estupros, mercantilização do corpo das mulheres, tráfico de mulheres e meninas, prostituição, pornografia, escravidão, esterilização forçada, lesbofobia, negação do aborto seguro e das opções reprodutivas e autodeterminação, etc. O silêncio, a discriminação, a impunidade, a dependência das mulheres em relação aos homens e à estruturas familiares conservadoras, assim como justificações teóricas e psicológicas das formas de violência acabam por tolerar e agravar, mesmo que inconscientemente, a violência contra as mulheres.

No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857. Porém, somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Ao se enfatizar a importância desta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual e denunciar a continuidade histórica de injustiças que precisam ser questionas e eliminadas.

OBJETIVOS

Celebrar e rememorar este dia de luta internacional com toda a comunidade acadêmica e externa, promovendo um debate sobre os enfrentamentos cotidianos realizados pelas mulheres na luta por sua sobrevivência, na tentativa de diminuir as desigualdades pois, mesmo com todos os avanços e muitos direitos conquistados, as mulheres ainda
sofrem violências de todo o tipo.

Destacamos aqui, além dos crimes sexuais mais comuns, o não reconhecimento da diversidade sexual e étnica feminina; a carência de acesso aos cuidados específicos da saúde da mulher; os preconceitos e estereótipos; a obrigação de se adequar a padrões de beleza e consumo inacessíveis; os salários baixos; as jornadas múltiplas e excessivas
de trabalho; as desvantagens na carreira profissional; a representação minoritária nas esferas de decisão pública, entre outros problemas a serem diagnosticados, debatidos e enfrentados.

PÚBLICO-ALVO
Toda a comunidade acadêmica e externa.

AGENDA

07 de março – quarta-feira

Apresentação Cultural com Café da Tarde – 17:45h.

1º dia de exposição de fotos, projeção de frases e poesia

Mesa de debate – O papel das mulheres na sociedade contemporânea –
18:00 às 21h – Auditório.
Coordenação: Profª Andrea Paula dos Santos

Temas: Papel da mulher na sociedade contemporânea, mídia,
mercantilização do corpo, história do feminismo.

Lançamento do Projeto de Extensão Diversidades em Performances, sobre
gênero plural, corpo e políticas artísticas e culturais (Coordenação
Profª Andrea Paula dos Santos).

Palestrantes:

Profª Andrea Paula dos Santos – UFABC – Instituições, Conflitos e
Políticas Públicas: Conflitos Sociais e Políticas Públicas (40 min).

Dulce Xavier – Gerente de Políticas para as Mulheres de São Bernardo – (40 min.
08 de março – quinta-feira

Apresentação Cultural com Café da Tarde – 18:00h
2º dia de exposição de fotos, projeção de frases e poesia – Atividade
em parceria com a Biblioteca.

Mesa de debate – Mulheres: Corpo, Direitos e Cuidados – 18:30  às 21h –
Auditório.

Coordenação: PROAP e Diretório Acadêmico
Temas: Violência, Políticas Públicas de atenção às mulheres.

Palestrantes:

Camila Berbel – Assistente Social – Delegacia da Mulher de São Bernardo do Campo(40 min) (a confirmar)

Gabriela Silva – Psicóloga da UFABC – DAS.

Joana Maria Gouveia Franco Duarte – Coordenação Proteção Social Especial- Secretaria de Assistência Social e Cidadania – Prefeitura Municipal de Diadema (40 min).

PARCERIAS
ProEx, Projeto Diversidades em Performances, Diretório Acadêmico de São
Bernardo, DAEG, DAS e Biblioteca.