[Registro] Inauguração da cozinha do Memória dos Paladares

No dia 5 de outubro, o Diversidades em Performances, em parceria com o Programa de Extensão  da UFABC  Memória dos Paladares, fez uma ocupação artística como forma de inauguração da cozinha deste programa.

Sobre o Memória dos Paladares

Memória dos Paladares procura identificar o impacto da instalação da Universidade Federal do ABC, na cidade de Santo André – SP, nas relações entre moradores, na criação de marcos identitários e formação de não-lugares. O programa se desenvolve a partir da constituição de duas redes de colaboradores, estudantes, novos habitantes do bairro, idosos, e moradores do local há mais de dez anos. Para isso utiliza a História Oral como método de pesquisa. Por meio da coleta de receitas culinárias conecta as relações familiares,  sociais e identificação de pertencimento.

 

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“Experiência nº2”

Seria “Performance” somente uma palavra que define as atuações e desempenhos de uma pessoa em qualquer tarefa comum e prevista? Que segue em linha reta, em busca de uma perfeição imaginária e psicologicamente aceita por qualquer esfera?

O Fluminense Flávio de Carvalho (um dos grandes nomes da geração modernista brasileira, que atuou como arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, desenhista, escritor, filósofo, performer, flashmobist e músico)  mostrou ao mundo, aos fins dos anos 30, que a intervenção da Performance às práticas artísticas de expressão podia ser muito mais emocionante e produtiva do que a conformidade e retração que a sociedade cultuava em sua rotina. Nas palavras da jornalista Gisele Kato: “Mergulhar em seu universo, mesmo hoje, quando as fronteiras entre as diversas manifestações culturais encontram-se tão diluídas, exige que se abandonem preconceitos. Flávio explorou tantas linguagens que ele escapa de um entendimento por completo.”

Pode-se afirmar então, que Flávio de Carvalho foi um dos pioneiros na forma de se tratar a arte exposta e livre de preceitos, ajudando a abrir caminho contemporaneidade aliada à performance artística, colocando em cheque os enquadramentos sociais e artísticos do modernismo, abrindo-se a experiências culturais díspares.

Um exemplo claro dessa insaciação por liberdade artística, social e psicológica foi registrada em sua atuação ousada, em uma tarde de junho de 1931, durante uma procissão de Corpus Christi que tomava a rua Direita, no centro da capital paulistana, Vendo aquela quantidade de fiéis juntos, ele correu para casa, pegou um boné verde e saiu andando no sentido contrário ao da multidão, com o chapéu na cabeça, em um sinal de total desrespeito ao ato religioso. Não satisfeito, ainda mexeu com as filhas de Maria. Só não foi linchado pela multidão em fúria porque conseguiu se refugiar em uma leiteria na rua São Bento, onde a polícia deu-lhe proteção.

Alguns meses depois, ele lançou um livro onde tenta compreender, sem se aprofundar em méritos conceituais, com uma escrita teórica bastante selvagem, a tensão desencadeada pela sua experiência/provocação. Suas leituras de Freud, Nietzsche e Frazer são conduzidas e filtradas pela experiência vivida no confronto com a procissão.

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Rodas das Diversidades

Sobre a Mostra Artística “Danças Circulares das Diversidades em Performances”

Entre os dias 1 e 3 de agosto de 2012 aconteceu, na cidade de Salvador (BA), o VI Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero, contando com a presença de cerca de mil pessoas de diversos estados brasileiros e de outros países.

O Congresso, promovido pela ABEH (Associação Brasileira de Estudos da Homocultura), recebeu propostas de realização de Mostras Artísticas e, para essa ocasião, foi elaborada e aprovada nossa atividade, “Danças Circulares das Diversidades em Performances”, realizada em conjunto com dezenas de pessoas, participantes do Congresso, no dia 2 de agosto, das 18:00 às 18:30, no saguão da Pavilhão Glauber Rocha (PAF 3, Campus de Ondina), na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Resumo da Mostra

Danças Circulares das Diversidades em Performances propõe que a música e a dança sejam vivenciadas em um círculo no qual os participantes podem usar seu corpo para afirmar horizontes utópicos e míticos de coexistência, convívio e aprendizado com as diferenças sexuais, de gênero, étnicas, socioeconômicas, entre outras, sem que estas sejam transformadas em desigualdades. Para tanto, um/a focalizador/a chama as pessoas para se reunirem em torno de um símbolo central evocando multiplicidade, pede que estas digam seus nomes e, em seguida, propõe uma coreografia em que todos dão as mãos e andam de forma ritmada e circular para dentro e para fora da roda, ao som de músicas relacionadas às temáticas das diversidades e da cultura da paz.

Essa atividade artística e cultural está ligada aos estudos de performance e de arteterapia e é proposta no âmbito das ações do Diversidades em Performances, um projeto de extensão transdisciplinar que o Grupo de Pesquisa ABC das Diversidades – Conflitos sociais, diversidades culturais e tecnologias, da UFABC-SP, promove para criar um espaço de visibilidade das temáticas e de práticas culturais, artísticas e científicas. Reuniremos nas danças circulares acadêmicos, artistas e ativistas em torno das questões das diversidades e cidadanias culturais na contemporaneidade, ressignificando práticas e valores culturais de memória e identidade. Essa ação artística e cultural visa reconhecimento cultural e social de sujeitos das diversidades e de suas várias performances, artísticas e políticas.

As expressões performáticas ganham consistência com o recurso às danças circulares pelo simbolismo do círculo como território imaginário de solidariedade e união, provocando uma reflexão transdisciplinar a partir da performance dos corpos, afirmados simultaneamente como diferentes e iguais, iniciando e/ou atualizando as pessoas nas complexas dinâmicas que instituem vivências nos espaços públicos e institucionais, promovendo o conhecimento e o reconhecimento de agentes sociais, econômicos, culturais, políticos, enfim, plurais.

Sobre as Danças Circulares

As Danças Circulares fazem parte de um movimento de dança contemporânea que surgiu com Bernhard Wosien (1908-1986), bailarino polonês/alemão, professor de danças, pintor que, a partir das décadas de 1950 e 1960 pesquisou e divulgou danças circulares de vários povos, buscando a valorização das diversidades das culturas, e contando com o apoio para o desenvolvimento de suas práticas da Comunidade de Findhorn, na Escócia, onde viveu por muitos anos.

Wosien conviveu com grandes artistas de seu tempo, sendo um deles Rudolf Laban (1879-1958), grande estusioso sobre a linguagem do movimento, ambos preocupados com o papel da dança na educação. Eles e outros artistas da dança no século XX, tais como Isadora Duncan (1877-1927) , Klauss Vianna (1928-1992), entre outros,  viveram uma época de experimentação e grande liberdade de criação de métodos e maneiras de se trabalhar com o corpo em movimento. Algumas dessas propostas, como a das Danças Circulares, são responsáveis por uma grande democratização e expansão da dança por todo o mundo, agregando em suas práticas pessoas de diversas tradições culturais, de vários povos, de todas as idades, gêneros, etnias e grupos sócio-econômicos. A dança, dessa forma, pode ser vivenciada por todos que quiseram participar dela, transformando e/ou reconhecendo como sujeitos da arte e da cultura as pessoas comuns, não apenas artistas ou bailarinos profissionais.

Na vida cultural brasileira, as danças de roda possuem presença marcante, com tradições ancestrais marcadas pela mistura e hibridismo de influências indígenas, afro-brasileiras e europeias. Há incontáveis expressões consideradas populares e/ou folclóricas brasileiras em que as danças de roda estão presentes, de norte a sul do país, sendo que desde a infância as crianças aprendem sobre cirandas como brincadeira e como prática cultural, dentro e fora da escola. No Brasil, existem artistas e pesquisadores que mesclam o movimento das Danças Circulares com investigações e criações que dialogam com as culturas e danças brasileiras, estudando sua história, fazendo releituras, inventando novos passos e coreografias, divulgando nossas músicas, danças e artes em geral.

Assim, as Danças Circulares (também conhecidas como Danças Circulares Sagradas ou ainda Danças dos Povos) têm se espalhado por parques, praças, escolas, centros culturais, por iniciativa de grupos independentes e também de inúmeras instituições públicas e privadas. Seus objetivos são reunir pessoas para vivenciar em conjunto experiências em que a multiplicidade de músicas e danças de diversas partes do mundo e de vários gêneros musicais apresentam possibilidades afetivas, subjetivas e educativas de construção de uma cultura da paz, na qual os corpos em movimento se tocam e se confraternizam,  repensando e reposicionando formas de sociabilidades e de práticas culturais na contemporaneidade.

As Danças Circulares são conduzidas ou focalizadas por uma pessoa chamada de focalizador/a, geralmente alguém que estudou ou adquiriu alguma formação em um grupo de convívio regular ou ainda em cursos livres ou profissionais sobre essa prática, abordada como parte da história da dança e das artes. O papel de focalizador/a é o de ajudar as pessoas a interagir, a conviver em grupo, a vivenciar as danças numa roda ou círculo, explicando sobre os sentidos das músicas e coreografias escolhidas, ensinando alguns passos que serão dançados coletivamente, assim como acerca da história e da filosofia da dança e das Danças Circulares em particular.

Nas Danças Circulares o que importa é que o grupo vivencie as danças, sejam estas meditativas, folclóricas e/ou contemporâneas, respeitando a forma como cada um coloca seu corpo em movimento e em diálogo com a presença das outras pessoas, buscando uma experiência de integração, em que emerge uma prática coletiva na qual as individualidades também têm seu espaço e seu papel. Algumas pessoas encontram nas Danças Circulares mais do que a possibilidade de aprender sobre uma arte, sobre outras culturas ou apenas para movimentar o corpo, pois podem conquistar igualmente uma experiência de autoconhecimento, de libertação, de solidariedade e, para alguns, até mesmo de outras expressões de amizade, de amor, de espiritualidade, todas essas expressões complexas e indizíveis de sociabilidade humana.

por Andrea Paula dos Santos

Para saber mais: http://rodasdasdiversidades.wordpress.com/

Agradecimentos especiais:

À organização do IV Congresso da ABEH, principalmente aos queridos Djalma Thürler (Comissão Científica – Artes), Duda Woyda e Rafael Santana (UFBA) e a tod@s @s que dançaram conosco na Mostra em Salvador, antecedendo ao lançamento de mais um número da Revista Contemporâneos, sobretudo às queridas amigas do Grupo de Pesquisa ABC das Diversidades e do Projeto de Extensão Diversidades em Performances da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ana Maria, Juliana e Tatyane: dançando juntas, vamos ampliando nossas amizades e as Rodas das Diversidades…

Exposição Crítica: Um dia sobre Moradia

A História do ABC e a luta por moradia.
De cidade-dormitório ao seu déficit habitacional.
Por meio de fotos, imagens, documentos e jornais da Região do ABC, em especial a cidade de Diadema na Vila Socialista, a mostra revela os momentos de tensão, pavor e choque qual famílias inteiras foram submetidas em processos de ocupação e reintegração de posse. Muito longe de serem episódios longíquos do passado, a mostra intenciona-se como abertura do Debate sobre Moradia, com os representantes na luta que se faz hoje presente, no Novo Pinherinho, em Santo André. Passado e presente se chocam para mostrar que as lutas e os movimentos sociais continuam fortes, continuam construindo um futuro menos desigual.

Confira algumas fotos dos documentos e da roda de conversa

 

Flash mob “A Educação parou”

Projeto de Extensão Diversidades em Performances em ação! UFABC e Unifesp em performance e política: parabéns Victor Kenji OshiroRodrigo CavalliniMarcus TheodoroCarla CacianaArthur LodiAmir Abdallah,Vitor Fernando AudibertTatyane Estrela & outr@s, que levam nossa participação, integrando atividades de pesquisa e extensão à greve 🙂

 

Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial

Sobre o Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial

A Organização das Nações Unidas – ONU – instituiu o dia 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em memória do Massacre de Shaperville. Em 21 de março de 1960, 20.000 negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular. Isso aconteceu na cidade de Joanesburgo, na África do Sul. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão e o saldo da violência foram 69 mortos e 186 feridos.

O dia 21 de março marca ainda outras conquistas da população negra no mundo: a independência da Etiópia, em 1975, e da Namíbia, em 1990, ambos países africanos.

O que é discriminação racial?

A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da ONU, ratificada pelo Brasil, diz que:

“Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública” Art. 1.

Apartheid

O apartheid foi um dos regimes de discriminação mais cruéis de que se tem notícia no mundo. Ele vigorou na África do Sul de 1948 até 1990 e durante todo esse tempo esteve ligado à política do país. A antiga Constituição sul-africana incluía artigos onde era clara a discriminação racial entre os cidadãos, mesmo os negros sendo maioria na população.

Em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de segregação racial, o apartheid, ganhou força e foi oficializada em 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder.

O apartheid atingia a habitação, o emprego, a educação e os serviços públicos, pois os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham direito de participação na política e eram obrigados a viver em zonas residenciais separadas das dos brancos. Os casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os negros geralmente trabalhavam nas minas, comandados por capatazes brancos e viviam em guetos miseráveis e superpovoados.

Para lutar contra essas injustiças, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano – CNA, uma organização negra clandestina, que tinha como líder Nelson Mandela. Após o massacre de Sharpeville, o CNA optou pela luta armada contra o governo branco, o que fez com que Nelson Mandela fosse preso em 1962 e condenado à prisão perpétua. A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos étnicos e ficavam confinados nessas regiões.

A partir de 1975, com o fim do império português na África, lentamente começaram os avanços para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a Organização das Nações Unidas – ONU faziam pressão pelo fim da segregação racial. Em 1991, o então presidente Frederick de Klerk não teve outra saída: condenou oficialmente o apartheid e libertou líderes políticos, entre eles Nelson Mandela.

A partir daí, outras conquistas foram obtidas: o Congresso Nacional Africano foi legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz (1993), uma nova Constituição não-racial passou a vigorar, os negros adquiriram direito ao voto e em 1994 foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África do Sul e Nelson Mandela se tornou presidente da África do Sul, com o desafio de transformar o país numa nação mais humana e com melhores condições de vida para a maioria da população.

A África do Sul é um país de grande importância estratégica para o mundo ocidental. Ao longo de sua costa viajam quase todos os navios que transportam petróleo para o Ocidente. É rica em ouro, diamantes, carvão, ferro, minérios, cromo e urânio, vital para a indústria militar. Tem uma população de aproximadamente 44 milhões de pessoas, sendo 85% negros.

Conferência de Durban

De 31 de agosto a 7 de setembro de 2001 ocorreu a III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância em Durban, na África do Sul.

Temas urgentes e polêmicos sacudiram a conferência, da qual fizeram parte 173 países, 4 mil organizações não governamentais (ONGs) e um total de mais de 16 mil participantes. O Brasil estava presente, com 42 delegados e cinco assessores técnicos.

Um importante papel coube ao nosso país: Edna Roland, mulher, negra e ativista foi a relatora geral da conferência, representando também as minorias vítimas de discriminação e intolerância.

A proposta de um programa de criação de cotas para estudantes negros nas universidades públicas brasileiras foi apresentada e gerou polêmica.

Ao fim da Conferência, foram elaboradas uma Declaração e uma Plataforma de Ação, a fim de direcionar esforços e concretizar as intenções da reunião.

Debate sobre as desigualdades

Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 21 de março como uma data especial para pensarmos em formas de eliminar de vez a discriminação racial no mundo, tinha em mente os massacres da população negra em países africanos e outras formas de violência direta dirigida a pessoas dessa cor ou raça.

Na conferência de Durban, por exemplo, os países participantes foram estimulados a coletarem, compilarem, analisarem, disseminarem e publicarem dados estatísticos confiáveis, em nível local e nacional, relativos a indivíduos e membros de grupos e comunidades sujeitos à discriminação.

A finalidade desses debates está relacionada às formas de se levantar informações sobre as desigualdades existentes em uma sociedade e discutir formas de eliminá-las.

Na legislação

Abaixo, alguns trechos da legislação que garantem os direitos civis de todos os brasileiros, independente de raça, sexo ou religião, que tratam especificamente de racismo.

Título I – dos princípios fundamentais

Art.3º – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

  1. construir uma sociedade livre, justa e solidária;
  2. garantir o desenvolvimento nacional;
  3. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
  4. promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Título II – dos direitos e garantias fundamentais
Capítulo I – dos direitos e deveres individuais e coletivos

Art.5° – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

  1. a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

Fonte: IBGE  (http://www.ibge.gov.br)

Divulgação

http://www.palmares.gov.br/

7 e 8 de março de 2012 – Abertura do Projeto de Extensão Diversidades em Performances

Semana do Dia internacional da Mulher

7 e 8 de março de 2012

UFABC – Campus Sigma – Sâo Bernardo do Campo

 

A violência contra as mulheres é estrutural e inerente aos sistemas patriarcal e capitalista no qual estamos inseridos. E é usada como uma ferramenta de controle da vida, corpo e sexualidade das mulheres por homens, mas também – por mais absurdo que pareça – por grupos de diversos gêneros e orientações sexuais, incluindo homens e mulheres,
instituições patriarcais e Estados, que impõem uma necessidade de controle, apropriação e exploração do corpo, vida e sexualidade femininos.

O senso comum e a idéia geral que se tem obre a violência contra as mulheres é que se trata de uma situação extrema ou localizada, envolvendo pessoas individualmente. Mas ela nos toca a todas e todos, pois tem suas raízes nas diversas expressões da questão social, apresentando-se de forma diferenciada e complexa quando cruzamos categorias de gênero, com diversidade sexual, étnica, religiosa, geracional ou de classe social. Apesar de afetar as mulheres como grupo social, cada violência tem um contexto específico e temos que
compreender como, quando e por que ocorre a violência contra as mulheres. Sabemos que esse tipo de violência é transversal e permeia todas as classes sociais e diferentes culturas, etnias, gerações, religiões e situações geopolíticas.

Apesar de ser mais comum na esfera privada, como violência doméstica – seja esta sexual, física, psicológica – a violência contra as mulheres e meninas ocorre também na esfera pública. Todos os dias são praticados crimes que permanecem impunes, tais como feminicídio, assédio sexual e físico no lugar de trabalho, abuso sexual e diferentes estupros, mercantilização do corpo das mulheres, tráfico de mulheres e meninas, prostituição, pornografia, escravidão, esterilização forçada, lesbofobia, negação do aborto seguro e das opções reprodutivas e autodeterminação, etc. O silêncio, a discriminação, a impunidade, a dependência das mulheres em relação aos homens e à estruturas familiares conservadoras, assim como justificações teóricas e psicológicas das formas de violência acabam por tolerar e agravar, mesmo que inconscientemente, a violência contra as mulheres.

No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857. Porém, somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Ao se enfatizar a importância desta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual e denunciar a continuidade histórica de injustiças que precisam ser questionas e eliminadas.

OBJETIVOS

Celebrar e rememorar este dia de luta internacional com toda a comunidade acadêmica e externa, promovendo um debate sobre os enfrentamentos cotidianos realizados pelas mulheres na luta por sua sobrevivência, na tentativa de diminuir as desigualdades pois, mesmo com todos os avanços e muitos direitos conquistados, as mulheres ainda
sofrem violências de todo o tipo.

Destacamos aqui, além dos crimes sexuais mais comuns, o não reconhecimento da diversidade sexual e étnica feminina; a carência de acesso aos cuidados específicos da saúde da mulher; os preconceitos e estereótipos; a obrigação de se adequar a padrões de beleza e consumo inacessíveis; os salários baixos; as jornadas múltiplas e excessivas
de trabalho; as desvantagens na carreira profissional; a representação minoritária nas esferas de decisão pública, entre outros problemas a serem diagnosticados, debatidos e enfrentados.

PÚBLICO-ALVO
Toda a comunidade acadêmica e externa.

AGENDA

07 de março – quarta-feira

Apresentação Cultural com Café da Tarde – 17:45h.

1º dia de exposição de fotos, projeção de frases e poesia

Mesa de debate – O papel das mulheres na sociedade contemporânea –
18:00 às 21h – Auditório.
Coordenação: Profª Andrea Paula dos Santos

Temas: Papel da mulher na sociedade contemporânea, mídia,
mercantilização do corpo, história do feminismo.

Lançamento do Projeto de Extensão Diversidades em Performances, sobre
gênero plural, corpo e políticas artísticas e culturais (Coordenação
Profª Andrea Paula dos Santos).

Palestrantes:

Profª Andrea Paula dos Santos – UFABC – Instituições, Conflitos e
Políticas Públicas: Conflitos Sociais e Políticas Públicas (40 min).

Dulce Xavier – Gerente de Políticas para as Mulheres de São Bernardo – (40 min.
08 de março – quinta-feira

Apresentação Cultural com Café da Tarde – 18:00h
2º dia de exposição de fotos, projeção de frases e poesia – Atividade
em parceria com a Biblioteca.

Mesa de debate – Mulheres: Corpo, Direitos e Cuidados – 18:30  às 21h –
Auditório.

Coordenação: PROAP e Diretório Acadêmico
Temas: Violência, Políticas Públicas de atenção às mulheres.

Palestrantes:

Camila Berbel – Assistente Social – Delegacia da Mulher de São Bernardo do Campo(40 min) (a confirmar)

Gabriela Silva – Psicóloga da UFABC – DAS.

Joana Maria Gouveia Franco Duarte – Coordenação Proteção Social Especial- Secretaria de Assistência Social e Cidadania – Prefeitura Municipal de Diadema (40 min).

PARCERIAS
ProEx, Projeto Diversidades em Performances, Diretório Acadêmico de São
Bernardo, DAEG, DAS e Biblioteca.