Curso “Movimentos Corpóreos em Cena” na UFABC

Dica quente, pessoal!

A pesquisadora e atriz Patrícia Rita ministrará, a partir do dia 24 de agosto, o curso Movimentos Corpóreos em Cena – baseado em antropologia teatral – no campus Santo André da Universidade Federal do ABC (UFABC).

O objetivo central desta oficina é sensibilizar seus participantes através da criação artística sobre suas identidades, memórias e origens, bem como ao meio em que estes estão inseridos; colocando em cheque concepções tradicionais de relações entre arte, ciência e tecnologia no contexto contemporâneo na busca das ligações entre estética e política, principalmente às novas tecnologias de informação e comunicação.

O curso será dividido em 10 aulas, que vão até o mês de novembro, e ocorrerá das 13h às 15h, no 7º andar da Torre 3 do Bloco A. É aberto ao público a partir de 16 anos, e as vagas são limitadas.

Por isso, corram para se inscrever através do site do projeto: http://projetocorpopoetico.wordpress.com/

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Oficina de Danças Circulares no Festival de Inverno de Paranapiacaba!

Estão todos convidados a participar no dia 20 de julho, de mais uma Oficina de Danças Circulares no Festival de Paranapiacaba!

Largo do Padeiro, 17:00 horas

Realização: Projetos de Extensão Dança Circular na UFABC, Diversidades em Performances e Programa de Extensão Memória dos Paladares

Highland Lilt – Origem: Escócia Coreografia: Bernhard Wosien

A dança acontece por meio de uma sequência de passos simples: nos posicionamos de mãos dadas, dando dois passos para a direita e, em seguida, balançando, com a perna esquerda e a direita, de frente para a roda, também por duas vezes. Ao longo da dança, o/a focalizador/a pode soltar uma das mãos e conduzir os participantes do círculo pelo espaço, serpenteando, formando espirais e retomando o círculo ao final. É uma música que mescla o caráter folclórico e étnico com um aspecto meditativo, pois a beleza da melodia ritmada e a simplicidade dos passos da dança favorecem a concentração, a integração e a atenção a si mesmo, aos outros e ao grupo.

Dança do Agradecimento (Bernhard Wosien)

Música: Luz — Rubinho do Vale; Coreografia: Cristiana Menezes

Origem: Irlanda/Escócia
Música: Rights of men — música tradicional irlandesa/escocesa, em referência à cultura celta

Roda das Danças Circulares das Diversidades, ação dos Projetos de Extensão Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances.
Local: Campus Santo André, Universidade Federal do ABC, junho de 2013
Texto e Focalizações: Andrea Paula e João Kamensky
Estagiários do Projeto de Extensão Diversidades em Performances: Danielle Bandeira e Guilherme Ohse
Vídeos: Guilherme Ohse

dancacircular.wordpress.com

O que é cissexismo?

Por Hailey Kaas

Revisei e ampliei a primeira postagem sobre o assunto, baseado em discussões e leituras novas.
Agradeço às pessoas da comunidade Transfeminismo do Facebook pelas ótimas discussões acerca do tema.
Para ver a postagem original, clique aqui.

Vivemos em uma sociedade ciscêntrica, cisnormativa. Isso ocorre porque as pessoas cis detém o poder de decisão sobre as pessoas não-cis dentro de vários âmbitos: Médico, Político, Jurídico, Financeiro etc.

Mas quem são as pessoas cis? Utilizei a seguinte definição a priori:

“Uma pessoa cis é uma pessoa na qual o sexo designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de sexo + gênero designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de gênero, estão “alinhados” ou “deste mesmo lado” – o prefixo cis em latim significa “deste lado” (e não do outro), uma pessoa cis pode ser tanto cissexual e cisgênera mas nem sempre, porém em geral ambos.”

Uma pessoa cis é aquela que politicamente mantém um status de privilégio em detrimentos das pessoas trans*, dentro da cisnorma. Ou seja, ela é politicamente vista como “alinhada” dentro de seu corpo e de seu gênero.

Quero evitar dicotomizar aqui sexo e gênero, pois muito embora essas categorias sejam divisíveis para problematização, a ideia que a ciência construiu sobre o sexo é pré-discursiva, ou seja, é como se fosse compulsoriamente uma verdade.

Isso significa que sexo é entendido como pré-dado e associado dimorficamente (homem-pênis/mulher-vagina) e a ele são atribuídos valores generificados que inscrevem o corpo em um sistema binário; “corpo masculino” e “corpo feminino”.

Voltando na definição cis, eu já havia retificado minha afirmação prévia em outra postagem, na qual elimino a discussão etimológica sobre o prefixo cis, uma vez que não era adequado em uma discussão que se quer puramente política. Não queremos criar uma dicotomia entre pessoas cis e pessoas trans* e sim evidenciar o caráter ilusório da naturalidade da categoria cis.

O alinhamento cis envolve um sentimento interno de congruência entre seu corpo(morfologia) e seu gênero, dentro de uma lógica onde o conjunto de performances é percebido como coerente. Em suma, é a pessoa que foi designada “homem” ou “mulher”, se sente bem com isso e é percebida e tratada socialmente (medicamente, juridicamente, politicamente) como tal.

Cabe ressaltar aqui que nem todas as pessoas cis “sentem-se” alinhadas e coerentes dentro das categorias homem ou mulher, mas também não significa que se “sintam” trans* (cabem aqui várias aspas, pois o termo “sentir” é muito subjetivo). Não há como medir cisgeneridade, como não há como medir transgeneridade. As categorias de gênero são fluidas e instáveis. Porém, isso não quer dizer que essas pessoas deixem de ser percebidas socialmente como cis, mantendo privilégios como tal.

Em outras palavras, pessoas cis são aquelas que no discurso médico são chamadas de “biológicas”, mas essa definição é por si só discriminatória, ao passo que pessoas trans* também são obviamente biológicas e o que difere é apenas seu status político.

O que é o desígnio?

O desígnio é o conjunto de práticas que envolvem a generificação de sujeitos por meio da nomeação de morfologias e a expectativa de gênero atrelada ao nascituro.

Ou seja, quando uma pessoa engravida, ela discursivamente já produz o gênero do sujeito antes mesmo deste nascer. Tanto isso é verdade que ao “saber” o “sexo” do nascituro criam-se expectativas de gênero que se exprimem na cor das roupas, do quarto, nos brinquedos etc. E esse discurso tende a ser mais limitador e repressor conforme esse sujeito cresce.

(Costumo associar o desígnio com o conceito de Memória do Futuro do Bakhtin, porque encaro o desígnio como uma expectativa que já se concretizou, por se apoiar em vários discursos normativos de sexo e gênero que orientam a sociedade e produzem os corpos e performances normais/anormais).

Quando o médico designa “é um menino/ menina” criam-se aí uma série de expectativas de gênero na qual esse sujeito deve estar conforme durante sua vida, caso contrário correrá o risco de ser visto como uma pessoa trans*/inconforme com seu gênero, um doente mental, como veremos a seguir.

Patologização das identidades trans*

Segundo o DSM-IV e o CID, Transexualidade (lá referida como transexualismo) é uma patologia, uma doença mental. Ao longo do século, as Ciências Psi (Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise) trabalharam em direção à desumanização das identidades trans* por meio do discurso patológico. Estar de alguma forma incongruente segundo a norma cisgênera – homem/pênis – mulher/vagina – tornou-se uma anormalidade, uma abjeção e por isso uma patologia. Para a ciência, a experiência trans* e os trânsitos de gênero não são normais, porque ela parte da mesma concepção ciscêntrica que apontei acima. A ciência considera que uma pessoa com “morfologia masculina” sempre “será homem” e sempre irá querer ser homem dentro da norma. Da mesma forma, uma pessoa com “morfologia feminina” sempre “será mulher” e sempre irá querer ser mulher. Para a ciência, essa norma é pré-discursiva, ou seja, não se discute o caráter ideológico de supor que todxs somos centradxs dessa forma. Qualquer sujeito que falhe nessa lógica, será anormal, um doente mental. Daí a criação da transexualidade. Quando pessoas que não se sentiam confortáveis com sua morfologia e/ou com as expectativas de gênero designadas a elas durante sua socialização começaram a surgir, a ciência rapidamente relegou essas experiências ao campo patológico.

Relegar essas experiências ao campo patológico é desumanizar as pessoas que se sentem como não-cis. Isso porque atualmente para existir politicamente como trans*, o sujeito deve passar por uma equipe médica que irá “atestar” a experiência trans*, permitindo a existência desses sujeitos na sociedade através de um laudo médico. Da mesma forma, as instâncias jurídicas estão alicerçadas na mesma norma, e em conjunto com a legitimação médica, só irão garantir existência jurídica a essas pessoas através do laudo médico.

O que irá guiar as Ciências Psi para “atestar” a “condição” trans* serão as normas cisgêneras binárias. As ciências Psi irão absorver os valores sexistas da sociedade para atestar o que é ser homem ou mulher. Então, para ela uma mulher trans* será aquela que estiver conforme com as expectativas sexistas do que é ser mulher: gostar de se depilar, ser vaidosa, ter cabelos compridos, unhas feitas, gostar de maquiagem – e ainda as de ordem “psicológica” como por ex. ser emotiva ou não gostar de sexo. O mesmo ocorrerá com a definição de homem: ser “pegador” querer ser ativo sexualmente, ter barba, ter pelos, ter ou querer ter voz grave, etc.

É importante ressaltar aqui também o caráter heterossexista dessa norma: se na sociedade heteronormativa mulheres e homens cis são heterossexuais, mulheres e homens trans* também devem ser, e para a ciência não existem pessoas trans* homo/bi/panssexuais. As Ciências Psi confundem o tempo todo identidade de gênero e sexualidade.

Segundo essas ciências, todas as pessoas trans* que falhem no modelo binário-sexista de comportamento, não são trans* “de verdade”.

Mas o que é o sistema binário? Binarismo, disforia* e conformidade na experiência trans*:

*(a utilização do termo disforia em itálico e com asterisco procura diferenciar e automaticamente problematizar o termo em relação à definição das Ciências Psi).

Binarismo é a ideia que todas as pessoas (seus comportamentos, por exemplo) devem se inscrever em um sistema binário rigidamente (cis) sexista. Ou seja, “homem fala grosso, cospe, tem voz grave, é racional, automaticamente violento, gosta de ter barba” etc.; Mulher é “emotiva, gosta de se depilar, é vaidosa, usa maquiagem” etc.; Homem tem e gosta de ter “aparência masculina” e mulher tem ou gosta de ter “aparência feminina”. Essa ideia se reflete na experiência trans* na medida que as Ciências Psi irão cobrar esses mesmos elementos. Uma mulher trans* deverá cumprir com todas essas normas. Caso falhe, falhou na expectativa de “ser mulher” O mesmo para homens trans*. As pessoas trans* internalizam essa ideia de tal forma que muitas só conseguem se ver ou se sentir “completas” dentro do sistema binário, e quando sentem que falharam, experienciam disforia*.

Disforia* aqui é usado de forma diferente do discurso médico. Disforia* seria a direta experiência binarista-cissexista da norma cisgênera. Ou seja, a norma orienta um binarismo – se falhamos em cumprir nos sentimos socialmente e morfologicamente inadequadxs. Esse sentimento é o que chamamos dedisforia*. Ouso dizer que a disforia* só existe porque existe uma norma que regula comportamentos e morfologias. Só existe porque a sociedade é baseada da cisnorma, ou seja, no alinhamento compulsório morfologia-gênero. Isso não significa que o sentimento disfórico seja menos real ou passível de desconsideração, mas sim que o reforço das normas binárias cissexistas produz e reproduz a disforia*. Não é, como acredita a ciência, um sentimento puramente subjetivo das pessoas trans*, é um sentimento produzido por uma norma social.

Mas afinal o que é cissexismo então?

Primeiramente é a desconsideração da existência das pessoas trans* na sociedade. O apagamento de pessoas trans* politicamente por meio da negação das necessidades específicas dessas pessoas. É a proibição de acesso aos banheiros públicos, a exigência de um laudo médico para as pessoas trans* existirem, ou seja, o gênero das pessoas trans* necessita legitimação médica para existir. É a negação de status jurídico impossibilitando a existência civil-social em documentos oficiais.

Porém esses exemplos são mais óbvios, e poderíamos chamá-los simplesmente de transfobia. O cissexismo é,digamos, mais sutil. Ocorre quando usamos o termo “biológico” para designar pessoas cis, quando usamos certos discursos e certas expressões que excluem ou invalidam direta ou indiretamente as identidades das pessoas trans*, como eu exemplifiquei na postagem anterior:

“Cissexismo será então qualquer discriminação baseada em:

1) Na noção de que só existe um tipo de morfologia (corpo) e este deve estar alinhado com o gênero designado ao nascer e/ou;

2) Noção de que só existem 2 gêneros (binários: masculino/feminino) e que uma pessoa deve estar alinhada dentro de um desses 2, e/ou;

3) Noção de que uma pessoa trans* tem uma vivência menos ‘verdadeira’, e/ou nunca será ‘verdadeira’ se não fizer modificações em seu corpo para ficar mais próxima de um dos gênero binários, e/ou;

4) Noção de que uma pessoa precisa estar dentro de um desses gêneros binários, porque senão ela não será feliz, ou não será aceita etc. e/ou;

5) Noção de que pessoas que não se encaixam no binário são doentes mentais, tem patologia e precisam se tratar de algum modo para se curar e que essa cura ou será o alinhamento ou o processo transsexualizador, e/ou;

6) Noção de que o corpo da pessoa é “bizarro”, que ela não pode viver no “entre” etc. o que pode caracterizar também transmisoginia e/ou transmisandria e/ou;

7) Noção de que a pessoa “dá pinta”, é muito “escandalosa” chama atenção, principalmente no que diz respeito à performance/atitudes que não estão alinhadas do ponto de vista cis. Achar que, porque essa pessoa ‘chama atenção’  e não age como esperado do alinhamento cis, ela irá “atrapalhar a causa”, “estragar a imagem do grupo” etc. Atenção porque esse discurso está bastante difundido no meio “LGBT” (militância gay). E/ou;

8) Uso de termos ofensivos, mas que muitas pessoas não acham ofensivos, ou evocar arbitrariamente (sem a permissão da pessoa) o nome designado ao nascer (nome civil), a experiência “pregressa”  (falar em “antes” e “depois” é cissexista também); termos como ‘transvestir’,’transformista’, ‘traveco’, ‘transsex’, ‘t-gata’ (sim ‘t-gata’ é um termo fetichizador cissexista e sexista também, objetificador: atenção pessoas que se identificam como “t-lovers”); uso de termos como crossdress, drag, drag queen/king, quando você não sabe qual é a identidade da pessoa. E/ou;

9) Cont. item  8 – Designar arbitrariamente a identidade da pessoa. Conhecer alguém e prontamente decidir qual é a ID da pessoa baseada na imagem (visual e/ou performática) (da sua posição cis) que você tem dela. Alinhar pronomes e identidades também é cissexista. E/ou;

10) Na simples discriminação pela pessoa não ser cis, por ter qualquer comportamento diferente do esperado pelo alinhamento cis. Nesse ponto o sexismo também tem papel importante. Cissexismo e Sexismo são faces da mesma moeda. Desenvolverei esse assunto em outro post. E/ou:

11) Qualquer outra situação que se encaixar em discriminação, pois com certeza não consegui listar tudo aqui, existem inúmeras outras.” 

Por que nomear quem são as pessoas cis:

Como eu disse mais acima, ser cis é uma condição principalmente política (mas não só). A pessoa que é percebida como cis e mantém status cis em documentos oficiais não é passível de análise patologizante e nem precisa ter seu gênero legitimado. Ora, homens são homens, mulheres são mulheres e trans* são trans* correto? Não. Historicamente a ciência criou as identidades trans* (e por isso já nasceram marginalizadas), mas não criou nenhum termo para as identidades consideradas “naturais”. É por isso que a adoção do termo cis denuncia esse pseudo status natural. Nomear cis é o mesmo processo político de nomear trans*: aponta e especifica uma experiência e possibilita sua análise critica. Nas produções acadêmicas contemporâneas, tanto das ciências médicas quanto das sociais, a identidade trans* é colocada sempre sob análise, tornando-se, compulsoriamente, objeto de critica. Ao nomearmos xs “normais” possibilitamos o mesmo, e colocamos a categoria cis sob análise, problematizando-a. Buscamos o efeito político de elevar o status de pessoas cis ao mesmo das pessoas trans*: se pessoas trans* são anormais e doentes mentais, pessoas cis também o são, suas identidades também não são “reais”; se pessoas cis são normais e suas identidades naturais, pessoas trans* também são normais e suas identidades tão reais quanto.

A naturalização das identidades cis produz privilégios. Esses privilégios são diretamente percebidos na medida que, como eu disse acima, pessoas cis não precisam ter sua identidade legitimada pela ciência; tampouco estão classificadas como doentes mentais em documentos médicos; não sofrem privações jurídicas de existência em documentos oficiais; não sofrem violência transfóbica e cissexista; não precisam dar explicações sobre suas identidades; não são vistas como pervertidas e nem tem sua sexualidade confundida com seu gênero. Esses são apenas alguns exemplos, para conferir uma lista bem atualizada e completa, verifique aqui. (em inglês).

Para além da discussão trans*: a multiplicidade das identidades de gênero:

Essa discussão se pautou principalmente nas pessoas trans*, mas é importante lembrar que gênero é uma categoria instável que não é coerente. O gênero desloca-se continuamente dentro das performances culturais. Gênero é uma performance discursiva, móvel e abstrata. Esse pensamento orientou muitas pessoas que não se sentiam cisgêneras, mas também não se denominavam trans*. Criaram categorias de classificação próprias, que ganharam força no tumblr. Alguns exemplos são: genderqueer, third sex, agender, bigender, androgyne, neutrois, femme, entre outras. Não convém aqui explicar cada uma dessas categorias, mas denunciar o caráter frágil do binarismo. O sistema binário de gênero não é tão natural quanto se imagina e tampouco é estável e inabalável.

Por fim, resta saber se iremos contribuir para reforçar um sistema excludente e desumanizador, ou lutar contra as políticas e discursos cissexistas existentes na sociedade.

Fonte: http://transfeminismo.com/o-que-e-cissexismo/

Início da Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades na UFABC!

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Participantes da Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades na UFABC

11 de maio de 2013, Campus Santo André

No último sábado, dia 11 de maio, teve início a Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades na UFABC!

Neste quadrimestre, essa atividade de extensão está em desenvolvimento todos os sábados, das 14:00 às 16:30 horas, no sétimo andar da Torre 3 do Bloco A, no campus Santo André, e é uma parceria dos projetos Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances, que realizaram duas oficinas em abril e maio em Santo André e em São Bernardo, contando com a participação de dezenas de pessoas, tanto da comunidade acadêmica quanto da comunidade externa.

Nossa Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades agora também conta com o apoio e a parceria do Programa de Extensão Memória dos Paladares, cujo espaço é anexo ao saguão em que dançamos, e que abriga atividades relacionadas à memória e à cultura alimentar, entre elas nossas confraternizações que ocorrem nos intervalos das danças.

Assim, nosso convívio com a arte da dança também será entrelaçado com a arte culinária, em vivências e oficinas programadas para acontecer até o final do ano, fazendo com que a comunidade transforme o ambiente acadêmico também num espaço acolhedor, criativo e de conhecimento acerca da arte e da cultura dos povos!

As atividades são abertas e todos estão convidados: participem!

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“Eu vim à Dança
Como isto tudo aconteceu, nenhuma fantasia o diz,
Contudo, todo o meu Desejar e todo o meu Querer
Oscilavam com o Amor nos mesmos Círculos
Que conduzem nosso sol e todas as estrelas.”

Bernhard Wosien (1908-1986), bailarino e coreógrafo, criador do movimento cultural das Danças Circulares

“Experiência nº2”

Seria “Performance” somente uma palavra que define as atuações e desempenhos de uma pessoa em qualquer tarefa comum e prevista? Que segue em linha reta, em busca de uma perfeição imaginária e psicologicamente aceita por qualquer esfera?

O Fluminense Flávio de Carvalho (um dos grandes nomes da geração modernista brasileira, que atuou como arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, desenhista, escritor, filósofo, performer, flashmobist e músico)  mostrou ao mundo, aos fins dos anos 30, que a intervenção da Performance às práticas artísticas de expressão podia ser muito mais emocionante e produtiva do que a conformidade e retração que a sociedade cultuava em sua rotina. Nas palavras da jornalista Gisele Kato: “Mergulhar em seu universo, mesmo hoje, quando as fronteiras entre as diversas manifestações culturais encontram-se tão diluídas, exige que se abandonem preconceitos. Flávio explorou tantas linguagens que ele escapa de um entendimento por completo.”

Pode-se afirmar então, que Flávio de Carvalho foi um dos pioneiros na forma de se tratar a arte exposta e livre de preceitos, ajudando a abrir caminho contemporaneidade aliada à performance artística, colocando em cheque os enquadramentos sociais e artísticos do modernismo, abrindo-se a experiências culturais díspares.

Um exemplo claro dessa insaciação por liberdade artística, social e psicológica foi registrada em sua atuação ousada, em uma tarde de junho de 1931, durante uma procissão de Corpus Christi que tomava a rua Direita, no centro da capital paulistana, Vendo aquela quantidade de fiéis juntos, ele correu para casa, pegou um boné verde e saiu andando no sentido contrário ao da multidão, com o chapéu na cabeça, em um sinal de total desrespeito ao ato religioso. Não satisfeito, ainda mexeu com as filhas de Maria. Só não foi linchado pela multidão em fúria porque conseguiu se refugiar em uma leiteria na rua São Bento, onde a polícia deu-lhe proteção.

Alguns meses depois, ele lançou um livro onde tenta compreender, sem se aprofundar em méritos conceituais, com uma escrita teórica bastante selvagem, a tensão desencadeada pela sua experiência/provocação. Suas leituras de Freud, Nietzsche e Frazer são conduzidas e filtradas pela experiência vivida no confronto com a procissão.

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Rodas das Diversidades

Sobre a Mostra Artística “Danças Circulares das Diversidades em Performances”

Entre os dias 1 e 3 de agosto de 2012 aconteceu, na cidade de Salvador (BA), o VI Congresso Internacional de Estudos sobre a Diversidade Sexual e de Gênero, contando com a presença de cerca de mil pessoas de diversos estados brasileiros e de outros países.

O Congresso, promovido pela ABEH (Associação Brasileira de Estudos da Homocultura), recebeu propostas de realização de Mostras Artísticas e, para essa ocasião, foi elaborada e aprovada nossa atividade, “Danças Circulares das Diversidades em Performances”, realizada em conjunto com dezenas de pessoas, participantes do Congresso, no dia 2 de agosto, das 18:00 às 18:30, no saguão da Pavilhão Glauber Rocha (PAF 3, Campus de Ondina), na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Resumo da Mostra

Danças Circulares das Diversidades em Performances propõe que a música e a dança sejam vivenciadas em um círculo no qual os participantes podem usar seu corpo para afirmar horizontes utópicos e míticos de coexistência, convívio e aprendizado com as diferenças sexuais, de gênero, étnicas, socioeconômicas, entre outras, sem que estas sejam transformadas em desigualdades. Para tanto, um/a focalizador/a chama as pessoas para se reunirem em torno de um símbolo central evocando multiplicidade, pede que estas digam seus nomes e, em seguida, propõe uma coreografia em que todos dão as mãos e andam de forma ritmada e circular para dentro e para fora da roda, ao som de músicas relacionadas às temáticas das diversidades e da cultura da paz.

Essa atividade artística e cultural está ligada aos estudos de performance e de arteterapia e é proposta no âmbito das ações do Diversidades em Performances, um projeto de extensão transdisciplinar que o Grupo de Pesquisa ABC das Diversidades – Conflitos sociais, diversidades culturais e tecnologias, da UFABC-SP, promove para criar um espaço de visibilidade das temáticas e de práticas culturais, artísticas e científicas. Reuniremos nas danças circulares acadêmicos, artistas e ativistas em torno das questões das diversidades e cidadanias culturais na contemporaneidade, ressignificando práticas e valores culturais de memória e identidade. Essa ação artística e cultural visa reconhecimento cultural e social de sujeitos das diversidades e de suas várias performances, artísticas e políticas.

As expressões performáticas ganham consistência com o recurso às danças circulares pelo simbolismo do círculo como território imaginário de solidariedade e união, provocando uma reflexão transdisciplinar a partir da performance dos corpos, afirmados simultaneamente como diferentes e iguais, iniciando e/ou atualizando as pessoas nas complexas dinâmicas que instituem vivências nos espaços públicos e institucionais, promovendo o conhecimento e o reconhecimento de agentes sociais, econômicos, culturais, políticos, enfim, plurais.

Sobre as Danças Circulares

As Danças Circulares fazem parte de um movimento de dança contemporânea que surgiu com Bernhard Wosien (1908-1986), bailarino polonês/alemão, professor de danças, pintor que, a partir das décadas de 1950 e 1960 pesquisou e divulgou danças circulares de vários povos, buscando a valorização das diversidades das culturas, e contando com o apoio para o desenvolvimento de suas práticas da Comunidade de Findhorn, na Escócia, onde viveu por muitos anos.

Wosien conviveu com grandes artistas de seu tempo, sendo um deles Rudolf Laban (1879-1958), grande estusioso sobre a linguagem do movimento, ambos preocupados com o papel da dança na educação. Eles e outros artistas da dança no século XX, tais como Isadora Duncan (1877-1927) , Klauss Vianna (1928-1992), entre outros,  viveram uma época de experimentação e grande liberdade de criação de métodos e maneiras de se trabalhar com o corpo em movimento. Algumas dessas propostas, como a das Danças Circulares, são responsáveis por uma grande democratização e expansão da dança por todo o mundo, agregando em suas práticas pessoas de diversas tradições culturais, de vários povos, de todas as idades, gêneros, etnias e grupos sócio-econômicos. A dança, dessa forma, pode ser vivenciada por todos que quiseram participar dela, transformando e/ou reconhecendo como sujeitos da arte e da cultura as pessoas comuns, não apenas artistas ou bailarinos profissionais.

Na vida cultural brasileira, as danças de roda possuem presença marcante, com tradições ancestrais marcadas pela mistura e hibridismo de influências indígenas, afro-brasileiras e europeias. Há incontáveis expressões consideradas populares e/ou folclóricas brasileiras em que as danças de roda estão presentes, de norte a sul do país, sendo que desde a infância as crianças aprendem sobre cirandas como brincadeira e como prática cultural, dentro e fora da escola. No Brasil, existem artistas e pesquisadores que mesclam o movimento das Danças Circulares com investigações e criações que dialogam com as culturas e danças brasileiras, estudando sua história, fazendo releituras, inventando novos passos e coreografias, divulgando nossas músicas, danças e artes em geral.

Assim, as Danças Circulares (também conhecidas como Danças Circulares Sagradas ou ainda Danças dos Povos) têm se espalhado por parques, praças, escolas, centros culturais, por iniciativa de grupos independentes e também de inúmeras instituições públicas e privadas. Seus objetivos são reunir pessoas para vivenciar em conjunto experiências em que a multiplicidade de músicas e danças de diversas partes do mundo e de vários gêneros musicais apresentam possibilidades afetivas, subjetivas e educativas de construção de uma cultura da paz, na qual os corpos em movimento se tocam e se confraternizam,  repensando e reposicionando formas de sociabilidades e de práticas culturais na contemporaneidade.

As Danças Circulares são conduzidas ou focalizadas por uma pessoa chamada de focalizador/a, geralmente alguém que estudou ou adquiriu alguma formação em um grupo de convívio regular ou ainda em cursos livres ou profissionais sobre essa prática, abordada como parte da história da dança e das artes. O papel de focalizador/a é o de ajudar as pessoas a interagir, a conviver em grupo, a vivenciar as danças numa roda ou círculo, explicando sobre os sentidos das músicas e coreografias escolhidas, ensinando alguns passos que serão dançados coletivamente, assim como acerca da história e da filosofia da dança e das Danças Circulares em particular.

Nas Danças Circulares o que importa é que o grupo vivencie as danças, sejam estas meditativas, folclóricas e/ou contemporâneas, respeitando a forma como cada um coloca seu corpo em movimento e em diálogo com a presença das outras pessoas, buscando uma experiência de integração, em que emerge uma prática coletiva na qual as individualidades também têm seu espaço e seu papel. Algumas pessoas encontram nas Danças Circulares mais do que a possibilidade de aprender sobre uma arte, sobre outras culturas ou apenas para movimentar o corpo, pois podem conquistar igualmente uma experiência de autoconhecimento, de libertação, de solidariedade e, para alguns, até mesmo de outras expressões de amizade, de amor, de espiritualidade, todas essas expressões complexas e indizíveis de sociabilidade humana.

por Andrea Paula dos Santos

Para saber mais: http://rodasdasdiversidades.wordpress.com/

Agradecimentos especiais:

À organização do IV Congresso da ABEH, principalmente aos queridos Djalma Thürler (Comissão Científica – Artes), Duda Woyda e Rafael Santana (UFBA) e a tod@s @s que dançaram conosco na Mostra em Salvador, antecedendo ao lançamento de mais um número da Revista Contemporâneos, sobretudo às queridas amigas do Grupo de Pesquisa ABC das Diversidades e do Projeto de Extensão Diversidades em Performances da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ana Maria, Juliana e Tatyane: dançando juntas, vamos ampliando nossas amizades e as Rodas das Diversidades…

Flash mob “A Educação parou”

Projeto de Extensão Diversidades em Performances em ação! UFABC e Unifesp em performance e política: parabéns Victor Kenji OshiroRodrigo CavalliniMarcus TheodoroCarla CacianaArthur LodiAmir Abdallah,Vitor Fernando AudibertTatyane Estrela & outr@s, que levam nossa participação, integrando atividades de pesquisa e extensão à greve 🙂