Irã incentiva troca de sexo para manter país ‘livre do homossexualismo’

Ahura (à esq.) olha para a amiga Ramesh (ao centro) que dança ao som de Rihanna

Quando criança, Sara preferia jogar futebol com os meninos a brincar de boneca. Mocinha, ela passou a sofrer todo dia por ter que usar véu e roupas femininas.

Hoje com 17 anos, Sara diz ter certeza de que nasceu com o sexo errado. Se conseguir convencer as autoridades, ela ganhará permissão e subsídio para ser operada e adotar uma nova identidade, com nome masculino.

A República Islâmica do Irã abençoa e incentiva operações de troca de sexo, em nome de uma política que considera todo cidadão não heterossexual como espírito nascido no corpo errado.

O casal Mahsa (à esq.) e Ahura (à dir.) observam uma vitrine em Teerã. Ambos têm permissão para fazer a cirurgia de mudança de sexo

Com ao menos 50 cirurgias por ano, o país é recordista mundial em mudança de sexo, após a Tailândia.

Oficialmente, gays não existem no país. Ficou famosa a frase do presidente Mahmoud Ahmadinejad dita a uma plateia de estudantes nos EUA em 2007, de que “não há homossexuais no Irã”. A homossexualidade nem consta da lei. Mas sodomia é passível de execução.

O casal Mahsa –homem que quer fazer a cirurgia de mudança de sexo– e Ahura –mulher que também deseja se submeter à operação– em uma cafeteria em Teerã

Transexuais no Irã

Já transexuais, aos olhos dessa mesma lei, são heterossexuais vítimas de uma doença curável mediante cirurgia.

Essa visão partiu do próprio fundador da república islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, que emitiu em 1984 um decreto tornando o procedimento lícito.

Khomeini comoveu-se com o caso de Feyreddun Molkara, um devoto xiita que o convencera de que era mulher presa em corpo de homem.

A bênção aos transexuais continuou após a morte de Khomeini, em 1989, apesar da objeção de alguns clérigos.

Prevaleceu a corrente que defende a mudança de sexo como prova de que o islã xiita, dominante no Irã, capta melhor a mensagem divina.

“Sunitas dizem que é mexer com a criação divina. […] Mas ninguém está mudando o atributo na natureza criada por Deus. O humano continua humano”, escreveu o clérigo Mohammad Mehdi Kariminia, simpatizante dos transexuais. “Trata-se apenas de sintonizar corpo e mente.”

Mahsa (ao centro) viaja em ônibus no setor reservado às mulheres, no Irã. Embora tenha a permissão para se submeter à cirurgia de mudança de sexo, Mahsa não tem dinheiro para arcar com os custos da operação

SUBSÍDIO

No início dos anos 2000, o Estado passou a subsidiar um terço do valor total das operações, que variam entre US$ 8 mil e US$ 10 mil.

A adolescente Sara quer candidatar-se a esse benefício. Ela deu o primeiro passo rumo ao sonho de virar homem numa manhã recente, ao apresentar-se de tênis e calça baggy numa clínica de Teerã credenciada para atender transexuais.

Nervosa e agitada na sala de espera, ela não quis falar com a Folha. A avó, que a criou desde a separação dos pais, a acompanhava.

“Ela nunca rezou, mas fez promessa de cumprir com as orações para o resto da vida, caso consiga ser operada”, disse a avó, após Sara entrar na sala do cirurgião Bahram Mir-Jalili, pioneiro no Irã.

Formado na França, Mir-Jalili afirma que candidatos à operação passam por reiteradas sessões com médico, psicólogo e psiquiatra antes da elaboração de um parecer.

“O processo leva meses até descartar casos como esquizofrenia e selecionar apenas pessoas com transtorno profundo de identidade de gênero”, diz o médico. Ele avalia em 40 mil o número de transexuais iranianos, diagnosticados ou não.

À comprovação clínica sucede o trâmite jurídico. Se declarada transexual, Sara deverá apresentar-se a um juiz, que validará ou não o parecer, após nova avaliação por médicos legistas.

Confirmado o laudo, ela poderá acionar a Organização do Bem-Estar Social, que administra os subsídios.

“O regime tem muitos problemas, mas é inegável que a assistência social funciona bem”, afirma Mir-Jalili, que diz ter feito 320 mudanças de sexo nos últimos dez anos.

Um dos casos mais recentes operados pelo médico é o de uma professora de primário de 34 anos que de agora em diante se chama Daniel.

Ainda em observação após a retirada dos seios e colocação de prótese peniana, Daniel espera com ansiedade a emissão da nova identidade.

Mas teme voltar para a cidade de interior onde vive. “Meu pai e irmãos não sabem da cirurgia, só contei para a minha mãe e uma irmã.”

Daniel afirma que continuará usando véu na escola em que trabalha enquanto espera ser removido para outra cidade, onde pretende começar do zero a vida como homem, ao lado da namorada.

 

O casal Mahsa –homem que quer fazer a cirurgia de mudança de sexo– e Ahura –mulher que também deseja se submeter à operação– nas ruas de Teerã

PRECONCEITO

O preconceito é queixa unânime dos transexuais no Irã. Roya, 34, não conseguiu emprego desde que tornou-se mulher, há quatro anos.

“Só poderei trabalhar num lugar em que ninguém desconfie do meu passado”, diz a transexual, que voltou a ter voz masculina após interromper o tratamento com hormônios devido às graves perturbações de humor.

Outra transexual chamada Roya, loira artificial de 27 anos carregada de batom rosa choque, diz não precisar trabalhar, pois o marido ganha bem. Mas diz sofrer assédio dos policiais toda vez que é levada para a delegacia.

“Quando percebem que sou transexual, me oferecem dinheiro por sexo. Uma vez o delegado quis transar comigo mesmo sabendo que meu marido me esperava lá fora.”

Todos os transexuais iranianos ouvidos pela Folha, incluindo os que se disseram muçulmanos devotos, relataram problemas com a família. “Rezo todo dia para minha mãe me aceitar e para conseguir o dinheiro da operação”, emociona-se Mahsa, 25, que vive no limbo dos transexuais clinicamente reconhecidos, mas sem condições de arcar com a cirurgia.

Mahsa namora Ahura, 18, na mesma situação. Ele já se considera mulher e anda na parte feminina dos transportes públicos. Ahura não usa véu e tem pelo no rosto de tanto injetar testosterona.

“Há sempre alguém insultando Mahsa quando andamos na rua. Queria partir para cima, mas não tenho força de homem”, diz Ahura, cuja mãe acaba de recuar da decisão de pagar sua cirurgia.

Após várias tentativas de suicídio, Mahsa e Ahura vivem de favor na casa de amigos. Juram não ter vida sexual. “De que jeito? Não reconhecemos nossos órgãos sexuais. Só ficaremos à vontade depois de operados”, diz Mahsa. Ela deseja ter uma vagina criada a partir de um pedaço de intestino, conforme técnica do doutor Mir-Jalili.

Já Ahura quer um formato de pênis que privilegie a sensibilidade em detrimento da forma. Mas o casal foi alertado por amigos sobre a má qualidade das operações iranianas. “Passei por três cirurgias para corrigir a primeira”, diz Roya, a solteira.

Uma transexual operada confidenciou um sentimento amplamente compartilhado em silêncio: “Não teria mutilado meu corpo se a sociedade tivesse me aceitado do jeito que eu nasci”.

*Reportagem: Samy Adghirni, da Folha de São Paulo

Fonte: http://blogentrenos.wordpress.com/2013/01/13/ira-incentiva-troca-de-sexo-para-manter-pais-livre-do-homossexualismo/

 

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Austrália reconhece pessoa sem sexo pela 1ª vez

Norrie May-Welby, a quem a Austrália atribuiu “gênero não-específico”

Uma pessoa que mora na Austrália pode ser a primeira no mundo reconhecida oficialmente como não pertencendo a nenhum dos sexos, segundo a imprensa australiana.

O governo do Estado de New South Wales emitiu uma certidão de “Gênero Não-Específico” a Norrie May-Welby. Isso significa que o governo não reconhece Norrie como homem ou mulher.

Norrie se considera andrógino e é ativista do grupo Sex and Gender Education (Sage, na sigla em inglês), que faz campanha por direitos de pessoas com diferentes identidades sexuais.

Norrie, de 48 anos, nasceu na Escócia e foi registrado como homem. Aos 23 anos, ele passou por um tratamento hormonal e cirurgias para mudar de sexo, e foi registrado na Austrália como mulher.

No entanto, Norrie ficou insatisfeito com a mudança e interrompeu seu tratamento, preferindo denominar-se “neutro”.

“Gaiola” dos gêneros

“Esses conceitos de homem e mulher simplesmente não se encaixam no meu caso, eles não são a realidade e, se aplicados a mim, são fictícios”, afirma Norrie em um artigo publicado no site The Scavenger na semana passada.

Norrie assina seu nome como “norrie mAy-Welby”, um trocadilho com “may well be”, que em inglês significa “pode ser”.

Em e-mail à BBC Brasil, Norrie comemorou a decisão do governo australiano. “Liberdade da gaiola do gênero!”, escreveu.

Segundo a notícia publicada no The Scavenger, os médicos declararam em janeiro deste ano que não conseguiram determinar o sexo de Norrie – nem fisicamente nem em função do seu comportamento.

A certidão de gênero não-específico foi dada de acordo com uma recomendação de 2009 de um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Austrália, segundo o portal. A certidão foi publicada na capa do jornal australiano Sydney Morning Herald.

Uma porta-voz da Procuradoria do governo da Austrália disse ao jornal que esta foi a primeira certidão do tipo.

A porta-voz do Sage, Tracie O’Keefe, disse ao Scavenger que a decisão tem impacto importante na vida de pessoas que não se identificam nem como homens ou mulheres.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph, o porta-voz do grupo britânico Gender Trust, que ajuda pessoas com problemas de identidade sexual, saudou a decisão do governo de New South Wales.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/03/15/australia-reconhece-pessoa-sem-sexo-pela-1-vez.jhtm

Campanha pela despatologização da transexualidade

Foram realizadas, no último dia 17 de outubro, manifestações em 29 cidades de 17 países, com o objetivo de alertar para a necessidade da retirada do Transtorno de Identidade de Gênero dos manuais internacionais de diagnóstico médico.

As manifestações fazem parte de uma campanha internacional pela despatologização das identidades trans – transexuais e transgêneros – e pela sua retirada dos catálogos internacionais de doenças, como o DSM – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, publicado pela Associação Psiquiátrica Americana (APA) e o CID – Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde. Ambos os manuais têm previsões para o lançamento de suas versões revistas e atualizadas. A quinta versão do DSM sairá em 2012, enquanto o novo CID deverá sair em 2014. Esses manuais são utilizados como referência para os profissionais da saúde em diversos países, sendo também comumente utilizados no Brasil.

A campanha “Alto a la Patologización Trans 2012” surgiu a partir da iniciativa do Coletivo Manis de Visibilidade Trans, denominado também Existrans, na cidade de Paris. Ao coletivo, posteriormente, juntaram-se algumas organizações da Espanha, todas em defesa da idéia de que a transexualidade não é uma doença. Madrid, Barcelona e Paris foram sede das primeiras manifestações, no ano de 2007.

As principais demandas das cidades participantes da campanha são as seguintes:

– Retirada do Transtorno de Identidade de Gênero dos manuais internacionais de diagnóstico em suas próximas versões – DSM-V e CIE-11.
– Retirada da menção ao sexo dos documentos oficiais.
– Abolição dos tratamentos de normalização binária para pessoas intersexo.
– Livre acesso aos tratamentos hormonais e às cirurgias sem a tutela psiquiátrica.
– Luta contra a transfobia, propiciando a educação e a inserção social e laboral das pessoas trans.

Fonte: http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/campanha-pela-despatologizacao-da-transexualidade/

Movimentos sindicais, sociais e culturais no UFABC para Todos!

O evento UFABC Para Todos aconteceu no campus de Santo André nos dias 5 e 6 de junho, reunindo milhares de estudantes da rede pública de ensino a fim de apresentá-los à universidade.

O grupo ABC das Diversidades montou um stand com alguns dos documentos doados pelos militantes Valdo e Yara Ruviaro, além de painéis sobre ativismo contemporaneo e diversidade de genero.

Os principais paineis referentes ao acervo doado eram sobre moradia, greve e cultura. No vídeo, apresentado também no stand, está parte da entrevista cedida por Valdo e Yara sobre os documentos doados, as dificuldades para impressão de alguns deles durante a época da Ditadura Militar, entre outros.

‘Estupro corretivo’ vitimiza lésbicas e desafia autoridades no Brasil

Sensibilizar vítimas para que façam denúncia é um dos grandes desafios no combate à violência sexual contra lésbicas | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Rachel Duarte

“Você vai aprender a gostar de homem”. Essa terrível frase é tristemente comum em caso de violência sexual contra mulheres lésbicas no Brasil. A estatística assusta: 6% das vítimas de estupro que procuraram o Disque 100 do governo federal durante o ano de 2012 são mulheres homossexuais vítimas de violência, em sua maioria de fundo sexual. Chamada de ‘estupro corretivo’, a violação tem requintes de crueldade e é motivada por ódio e preconceito, o que torna a descoberta dos casos algo complexo para o sistema de direitos humanos nacional. Os serviços de Diversidade Sexual e Gênero da União e a Secretaria de Políticas para Mulheres do governo gaúcho estão trabalhando na identificação e punição dos crimes, e concentram esforços na sensibilização das vítimas para denunciarem o estupro – o que nem sempre ocorre devido ao temor pela exposição.

As estatísticas do serviço telefônico de denúncia vinculado à Secretaria Nacional de Direitos Humanos foi compartilhada com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, o Conselho Nacional LGBT e os movimentos sociais ligados à diversidade sexual. De acordo com a coordenadora da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), Roselaine Dias, que representa a entidade no Conselho LGBT, os dados não especificam a prática de estupro homofóbico. “São 6% de violação de mulheres lésbicas. Parte deste índice é de estupro corretivo, porque temos como referência outros dados do Ministério da Saúde que nos permitem fazer um comparativo percentual coincidente”, explica. Segundo ela, a fonte reveladora da realidade de estupros corretivos é o serviço de HIV/Aids. “Temos um quadro que aponta que muitas mulheres portadoras do HIV contraem o vírus em decorrência de estupros com esta motivação”, diz.

A violência é usada, explica, como um castigo pela negação da mulher à masculinidade do homem. Uma espécie doentia de ‘cura’ por meio do ato sexual à força. A característica deste tipo de prática é a pregação do agressor ao violentar a vítima. As vítimas são em sua maioria jovens entre 16 e 23 anos, lésbicas ou bissexuais. Alguns agressores chegam a incitar a “penetração corretiva” em grupos das redes sociais e sites na internet.

Em março de 2012, por meio de denúncia da Associação Brasileira de Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a Polícia Federal prendeu Emerson Eduardo Rodrigues, de Curitiba, e Marcelo Valle Silveira Mello, de Brasília, autores da página Silvio Koerich, que incitava o ódio contra homossexuais e ensinava o ‘estupro corretivo’. No final do mesmo ano, em Alagoas, ao menos dois casos ganharam repercussão nacional. Geralmente, os casos chegam ao conhecimento da sociedade e das autoridades de forma isolada, quando envolvem mais de um agressor e alguma instituição de notoriedade. No dia 11 de maio deste ano, uma estudante foi vítima de um estupro corretivo dentro do campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A vítima estava acompanhada de uma menina em uma festa e, quando se afastou, foi abordada por um sujeito que lhe disse que iria ensiná-la a gostar de homens.

Casos de Porto Alegre foram descobertos no serviço de HIV/Aids

Até então conhecido internacionalmente pela forma epidêmica com que vitima mulheres na África do Sul, o estupro corretivo é uma realidade nova para as autoridades brasileiras. Porém, ainda que sem dados oficiais consolidados, a Liga Brasileira de Lésbicas afirma que casos ocorrem de forma recorrente no Rio Grande do Sul. “Sabemos de casos que atendemos, pela rede de atuação que a ONG faz com o serviço de HIV de Porto Alegre. Como os registros de estupro são feitos nas delegacias, é mais difícil saber ao certo quando e de que forma acontecem”, diz Roselaine Dias.

“Estes casos de estupros corretivos revelam uma das piores faces da violência contra mulher” diz Secretária de Políticas para as Mulheres do RS, Ariane Leitão | Foto: Palácio Piratini

Lamentavelmente, os estupros corretivos chegaram ao conhecimento do poder público por meio dos casos em que a vítima contraiu o vírus HIV, o que é ainda mais preocupante, alerta a secretária de Políticas para Mulheres, Ariane Leitão. “Estes dados surgem no serviço de HIV, que não é o local adequado para iniciar uma denúncia deste tipo. É possível que outros casos estejam ocorrendo e estejam invisíveis a nós”, salienta. Segundo ela, a interligação da rede estadual de atendimento e proteção às mulheres vítimas de violência precisa ser institucionalizada. “O debate sobre violência contra mulheres tem que sair do foco da violência doméstica. Temos que ter a compreensão da violação de gênero. Estes casos de estupros corretivos revelam uma das piores faces da violência contra mulher, contra o ser humano que se atreve, na visão destes agressores, a negar a masculinidade da sociedade”, afirma.

O serviço de denúncia no RS, o Escuta Lilás, é uma forma de acolhimento das vítimas e de denúncias para o encaminhamento dos processos criminais contra os agressores, recorda a secretária. Conforme Ariane, uma coordenadoria específica de Lésbicas, Bissexuais e Transexuais femininas foi criada para discutir as especificidades das políticas públicas para a diversidade sexual. “As mulheres também sofrem preconceito dentro do meio LGBT. São minorias, dentro das minorias. Vemos muito mais casais de homens se assumindo do que de mulheres, por conta do receio de algumas lésbicas com a cultura machista que ainda nos envolve”, ressalta.

“A violência não muda a orientação sexual delas”, diz Liga Brasileira de Lésbicas

Uma Sala Lilás criada no ano passado dentro do Instituto Geral de Perícias já está possibilitando o atendimento humanizados às mulheres vítimas de violência sexual. O espaço evita que vítima e agressor convivam no mesmo ambiente na hora do registro dos crimes ou que as mulheres sejam inibidas na hora da denúncia. “Antes a vítima tinha muita exposição. Agora, ela denuncia junto ao Departamento Médico Legal, onde ninguém irá saber que ela está lá denunciando especificamente uma lesão corporal de abuso sexual, porque é onde realizamos todos os exames de lesão corporal”, explica a Corregedora Geral do IGP, Andréa Brochier Machado. Além disso, a escuta acolhedora e o atendimento psicossocial garantem o encaminhamento da vítima de forma mais qualificada, afirma. “O nosso trabalho pode vitimar ainda mais a pessoa. Por isso, temos o cuidado de oferecer atendimento psicológico em Porto Alegre. No interior, estamos buscando parceria com as prefeituras para ampliar a oferta de psiquiatras e psicólogos para este atendimento”, fala Andrea.

Perita criminalística diz que violência sexual contra lésbicas demonstra “relação de dominação e controle típica da nossa cultura machista” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

A tipificação dos crimes, inclusive dos estupros, poderá ser feita em breve, informa Andrea. “Estamos colocando o sexo no registro das perícias. Isto permitirá quantificarmos as mulheres que passaram pelo DML, o tipo de lesão e mapear os crimes. Nos surpreende esta dupla violência com as mulheres lésbicas. Pela prática que tenho, devem ser os crimes com maior crueldade, porque são movidos por ódio, como se o agressor quisesse impor a sua compreensão sobre sexualidade como a ideal. Uma relação de dominação e controle típica da nossa cultura machista”, avalia a perita criminalística.

De acordo com a coordenadora da LBL, Roselaine Dias, os estupros corretivos precisam ser vistos para além das vítimas, porque em nenhum momento elas mudam sua orientação sexual após a violência sofrida. “Não afeta em nada a concepção da vítima sobre sua sexualidade. Nenhuma diz que deixará de sair com menina por ter sido vítima. O diferencial é que, quando ela está sofrendo a violência, é o agressor que explica que tem um ‘motivo’. Ele é que tem que ser tratado. Precisamos combater os preconceitos culturais e a forma de educar as pessoas sobre as relações afetivas, sexualidade e identidade de gênero. Só assim teremos uma solução”, diz.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/06/estupro-corretivo-vitimiza-lesbicas-e-desafia-autoridades-no-brasil/

Aula aberta sobre Diversidade Sexual, Gênero e Saúde Pública acontece na FSP

No dia 09 de junho, às 14h30, a Faculdade de Saúde Pública (FSP) promove uma aula aberta sobre Diversidade Sexual, Gênero e Saúde Pública, com o professor Rubens Adorno.

O evento é aberto aos interessados e não é necessário inscrição. Para visualizar o cartaz de divulgação do evento, clique aqui.

O evento acontece na sala 11 CEAP da FSP.

Avenida Doutor Arnaldo, 715 CEP: 01255-000 – São Paulo – SP

Fonte: http://www.eventos.usp.br/?events=aula-aberta-sobre-diversidade-sexual-genero-e-saude-publica-acontece-na-fsp

O que é cissexismo?

Por Hailey Kaas

Revisei e ampliei a primeira postagem sobre o assunto, baseado em discussões e leituras novas.
Agradeço às pessoas da comunidade Transfeminismo do Facebook pelas ótimas discussões acerca do tema.
Para ver a postagem original, clique aqui.

Vivemos em uma sociedade ciscêntrica, cisnormativa. Isso ocorre porque as pessoas cis detém o poder de decisão sobre as pessoas não-cis dentro de vários âmbitos: Médico, Político, Jurídico, Financeiro etc.

Mas quem são as pessoas cis? Utilizei a seguinte definição a priori:

“Uma pessoa cis é uma pessoa na qual o sexo designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de sexo + gênero designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de gênero, estão “alinhados” ou “deste mesmo lado” – o prefixo cis em latim significa “deste lado” (e não do outro), uma pessoa cis pode ser tanto cissexual e cisgênera mas nem sempre, porém em geral ambos.”

Uma pessoa cis é aquela que politicamente mantém um status de privilégio em detrimentos das pessoas trans*, dentro da cisnorma. Ou seja, ela é politicamente vista como “alinhada” dentro de seu corpo e de seu gênero.

Quero evitar dicotomizar aqui sexo e gênero, pois muito embora essas categorias sejam divisíveis para problematização, a ideia que a ciência construiu sobre o sexo é pré-discursiva, ou seja, é como se fosse compulsoriamente uma verdade.

Isso significa que sexo é entendido como pré-dado e associado dimorficamente (homem-pênis/mulher-vagina) e a ele são atribuídos valores generificados que inscrevem o corpo em um sistema binário; “corpo masculino” e “corpo feminino”.

Voltando na definição cis, eu já havia retificado minha afirmação prévia em outra postagem, na qual elimino a discussão etimológica sobre o prefixo cis, uma vez que não era adequado em uma discussão que se quer puramente política. Não queremos criar uma dicotomia entre pessoas cis e pessoas trans* e sim evidenciar o caráter ilusório da naturalidade da categoria cis.

O alinhamento cis envolve um sentimento interno de congruência entre seu corpo(morfologia) e seu gênero, dentro de uma lógica onde o conjunto de performances é percebido como coerente. Em suma, é a pessoa que foi designada “homem” ou “mulher”, se sente bem com isso e é percebida e tratada socialmente (medicamente, juridicamente, politicamente) como tal.

Cabe ressaltar aqui que nem todas as pessoas cis “sentem-se” alinhadas e coerentes dentro das categorias homem ou mulher, mas também não significa que se “sintam” trans* (cabem aqui várias aspas, pois o termo “sentir” é muito subjetivo). Não há como medir cisgeneridade, como não há como medir transgeneridade. As categorias de gênero são fluidas e instáveis. Porém, isso não quer dizer que essas pessoas deixem de ser percebidas socialmente como cis, mantendo privilégios como tal.

Em outras palavras, pessoas cis são aquelas que no discurso médico são chamadas de “biológicas”, mas essa definição é por si só discriminatória, ao passo que pessoas trans* também são obviamente biológicas e o que difere é apenas seu status político.

O que é o desígnio?

O desígnio é o conjunto de práticas que envolvem a generificação de sujeitos por meio da nomeação de morfologias e a expectativa de gênero atrelada ao nascituro.

Ou seja, quando uma pessoa engravida, ela discursivamente já produz o gênero do sujeito antes mesmo deste nascer. Tanto isso é verdade que ao “saber” o “sexo” do nascituro criam-se expectativas de gênero que se exprimem na cor das roupas, do quarto, nos brinquedos etc. E esse discurso tende a ser mais limitador e repressor conforme esse sujeito cresce.

(Costumo associar o desígnio com o conceito de Memória do Futuro do Bakhtin, porque encaro o desígnio como uma expectativa que já se concretizou, por se apoiar em vários discursos normativos de sexo e gênero que orientam a sociedade e produzem os corpos e performances normais/anormais).

Quando o médico designa “é um menino/ menina” criam-se aí uma série de expectativas de gênero na qual esse sujeito deve estar conforme durante sua vida, caso contrário correrá o risco de ser visto como uma pessoa trans*/inconforme com seu gênero, um doente mental, como veremos a seguir.

Patologização das identidades trans*

Segundo o DSM-IV e o CID, Transexualidade (lá referida como transexualismo) é uma patologia, uma doença mental. Ao longo do século, as Ciências Psi (Psiquiatria, Psicologia e Psicanálise) trabalharam em direção à desumanização das identidades trans* por meio do discurso patológico. Estar de alguma forma incongruente segundo a norma cisgênera – homem/pênis – mulher/vagina – tornou-se uma anormalidade, uma abjeção e por isso uma patologia. Para a ciência, a experiência trans* e os trânsitos de gênero não são normais, porque ela parte da mesma concepção ciscêntrica que apontei acima. A ciência considera que uma pessoa com “morfologia masculina” sempre “será homem” e sempre irá querer ser homem dentro da norma. Da mesma forma, uma pessoa com “morfologia feminina” sempre “será mulher” e sempre irá querer ser mulher. Para a ciência, essa norma é pré-discursiva, ou seja, não se discute o caráter ideológico de supor que todxs somos centradxs dessa forma. Qualquer sujeito que falhe nessa lógica, será anormal, um doente mental. Daí a criação da transexualidade. Quando pessoas que não se sentiam confortáveis com sua morfologia e/ou com as expectativas de gênero designadas a elas durante sua socialização começaram a surgir, a ciência rapidamente relegou essas experiências ao campo patológico.

Relegar essas experiências ao campo patológico é desumanizar as pessoas que se sentem como não-cis. Isso porque atualmente para existir politicamente como trans*, o sujeito deve passar por uma equipe médica que irá “atestar” a experiência trans*, permitindo a existência desses sujeitos na sociedade através de um laudo médico. Da mesma forma, as instâncias jurídicas estão alicerçadas na mesma norma, e em conjunto com a legitimação médica, só irão garantir existência jurídica a essas pessoas através do laudo médico.

O que irá guiar as Ciências Psi para “atestar” a “condição” trans* serão as normas cisgêneras binárias. As ciências Psi irão absorver os valores sexistas da sociedade para atestar o que é ser homem ou mulher. Então, para ela uma mulher trans* será aquela que estiver conforme com as expectativas sexistas do que é ser mulher: gostar de se depilar, ser vaidosa, ter cabelos compridos, unhas feitas, gostar de maquiagem – e ainda as de ordem “psicológica” como por ex. ser emotiva ou não gostar de sexo. O mesmo ocorrerá com a definição de homem: ser “pegador” querer ser ativo sexualmente, ter barba, ter pelos, ter ou querer ter voz grave, etc.

É importante ressaltar aqui também o caráter heterossexista dessa norma: se na sociedade heteronormativa mulheres e homens cis são heterossexuais, mulheres e homens trans* também devem ser, e para a ciência não existem pessoas trans* homo/bi/panssexuais. As Ciências Psi confundem o tempo todo identidade de gênero e sexualidade.

Segundo essas ciências, todas as pessoas trans* que falhem no modelo binário-sexista de comportamento, não são trans* “de verdade”.

Mas o que é o sistema binário? Binarismo, disforia* e conformidade na experiência trans*:

*(a utilização do termo disforia em itálico e com asterisco procura diferenciar e automaticamente problematizar o termo em relação à definição das Ciências Psi).

Binarismo é a ideia que todas as pessoas (seus comportamentos, por exemplo) devem se inscrever em um sistema binário rigidamente (cis) sexista. Ou seja, “homem fala grosso, cospe, tem voz grave, é racional, automaticamente violento, gosta de ter barba” etc.; Mulher é “emotiva, gosta de se depilar, é vaidosa, usa maquiagem” etc.; Homem tem e gosta de ter “aparência masculina” e mulher tem ou gosta de ter “aparência feminina”. Essa ideia se reflete na experiência trans* na medida que as Ciências Psi irão cobrar esses mesmos elementos. Uma mulher trans* deverá cumprir com todas essas normas. Caso falhe, falhou na expectativa de “ser mulher” O mesmo para homens trans*. As pessoas trans* internalizam essa ideia de tal forma que muitas só conseguem se ver ou se sentir “completas” dentro do sistema binário, e quando sentem que falharam, experienciam disforia*.

Disforia* aqui é usado de forma diferente do discurso médico. Disforia* seria a direta experiência binarista-cissexista da norma cisgênera. Ou seja, a norma orienta um binarismo – se falhamos em cumprir nos sentimos socialmente e morfologicamente inadequadxs. Esse sentimento é o que chamamos dedisforia*. Ouso dizer que a disforia* só existe porque existe uma norma que regula comportamentos e morfologias. Só existe porque a sociedade é baseada da cisnorma, ou seja, no alinhamento compulsório morfologia-gênero. Isso não significa que o sentimento disfórico seja menos real ou passível de desconsideração, mas sim que o reforço das normas binárias cissexistas produz e reproduz a disforia*. Não é, como acredita a ciência, um sentimento puramente subjetivo das pessoas trans*, é um sentimento produzido por uma norma social.

Mas afinal o que é cissexismo então?

Primeiramente é a desconsideração da existência das pessoas trans* na sociedade. O apagamento de pessoas trans* politicamente por meio da negação das necessidades específicas dessas pessoas. É a proibição de acesso aos banheiros públicos, a exigência de um laudo médico para as pessoas trans* existirem, ou seja, o gênero das pessoas trans* necessita legitimação médica para existir. É a negação de status jurídico impossibilitando a existência civil-social em documentos oficiais.

Porém esses exemplos são mais óbvios, e poderíamos chamá-los simplesmente de transfobia. O cissexismo é,digamos, mais sutil. Ocorre quando usamos o termo “biológico” para designar pessoas cis, quando usamos certos discursos e certas expressões que excluem ou invalidam direta ou indiretamente as identidades das pessoas trans*, como eu exemplifiquei na postagem anterior:

“Cissexismo será então qualquer discriminação baseada em:

1) Na noção de que só existe um tipo de morfologia (corpo) e este deve estar alinhado com o gênero designado ao nascer e/ou;

2) Noção de que só existem 2 gêneros (binários: masculino/feminino) e que uma pessoa deve estar alinhada dentro de um desses 2, e/ou;

3) Noção de que uma pessoa trans* tem uma vivência menos ‘verdadeira’, e/ou nunca será ‘verdadeira’ se não fizer modificações em seu corpo para ficar mais próxima de um dos gênero binários, e/ou;

4) Noção de que uma pessoa precisa estar dentro de um desses gêneros binários, porque senão ela não será feliz, ou não será aceita etc. e/ou;

5) Noção de que pessoas que não se encaixam no binário são doentes mentais, tem patologia e precisam se tratar de algum modo para se curar e que essa cura ou será o alinhamento ou o processo transsexualizador, e/ou;

6) Noção de que o corpo da pessoa é “bizarro”, que ela não pode viver no “entre” etc. o que pode caracterizar também transmisoginia e/ou transmisandria e/ou;

7) Noção de que a pessoa “dá pinta”, é muito “escandalosa” chama atenção, principalmente no que diz respeito à performance/atitudes que não estão alinhadas do ponto de vista cis. Achar que, porque essa pessoa ‘chama atenção’  e não age como esperado do alinhamento cis, ela irá “atrapalhar a causa”, “estragar a imagem do grupo” etc. Atenção porque esse discurso está bastante difundido no meio “LGBT” (militância gay). E/ou;

8) Uso de termos ofensivos, mas que muitas pessoas não acham ofensivos, ou evocar arbitrariamente (sem a permissão da pessoa) o nome designado ao nascer (nome civil), a experiência “pregressa”  (falar em “antes” e “depois” é cissexista também); termos como ‘transvestir’,’transformista’, ‘traveco’, ‘transsex’, ‘t-gata’ (sim ‘t-gata’ é um termo fetichizador cissexista e sexista também, objetificador: atenção pessoas que se identificam como “t-lovers”); uso de termos como crossdress, drag, drag queen/king, quando você não sabe qual é a identidade da pessoa. E/ou;

9) Cont. item  8 – Designar arbitrariamente a identidade da pessoa. Conhecer alguém e prontamente decidir qual é a ID da pessoa baseada na imagem (visual e/ou performática) (da sua posição cis) que você tem dela. Alinhar pronomes e identidades também é cissexista. E/ou;

10) Na simples discriminação pela pessoa não ser cis, por ter qualquer comportamento diferente do esperado pelo alinhamento cis. Nesse ponto o sexismo também tem papel importante. Cissexismo e Sexismo são faces da mesma moeda. Desenvolverei esse assunto em outro post. E/ou:

11) Qualquer outra situação que se encaixar em discriminação, pois com certeza não consegui listar tudo aqui, existem inúmeras outras.” 

Por que nomear quem são as pessoas cis:

Como eu disse mais acima, ser cis é uma condição principalmente política (mas não só). A pessoa que é percebida como cis e mantém status cis em documentos oficiais não é passível de análise patologizante e nem precisa ter seu gênero legitimado. Ora, homens são homens, mulheres são mulheres e trans* são trans* correto? Não. Historicamente a ciência criou as identidades trans* (e por isso já nasceram marginalizadas), mas não criou nenhum termo para as identidades consideradas “naturais”. É por isso que a adoção do termo cis denuncia esse pseudo status natural. Nomear cis é o mesmo processo político de nomear trans*: aponta e especifica uma experiência e possibilita sua análise critica. Nas produções acadêmicas contemporâneas, tanto das ciências médicas quanto das sociais, a identidade trans* é colocada sempre sob análise, tornando-se, compulsoriamente, objeto de critica. Ao nomearmos xs “normais” possibilitamos o mesmo, e colocamos a categoria cis sob análise, problematizando-a. Buscamos o efeito político de elevar o status de pessoas cis ao mesmo das pessoas trans*: se pessoas trans* são anormais e doentes mentais, pessoas cis também o são, suas identidades também não são “reais”; se pessoas cis são normais e suas identidades naturais, pessoas trans* também são normais e suas identidades tão reais quanto.

A naturalização das identidades cis produz privilégios. Esses privilégios são diretamente percebidos na medida que, como eu disse acima, pessoas cis não precisam ter sua identidade legitimada pela ciência; tampouco estão classificadas como doentes mentais em documentos médicos; não sofrem privações jurídicas de existência em documentos oficiais; não sofrem violência transfóbica e cissexista; não precisam dar explicações sobre suas identidades; não são vistas como pervertidas e nem tem sua sexualidade confundida com seu gênero. Esses são apenas alguns exemplos, para conferir uma lista bem atualizada e completa, verifique aqui. (em inglês).

Para além da discussão trans*: a multiplicidade das identidades de gênero:

Essa discussão se pautou principalmente nas pessoas trans*, mas é importante lembrar que gênero é uma categoria instável que não é coerente. O gênero desloca-se continuamente dentro das performances culturais. Gênero é uma performance discursiva, móvel e abstrata. Esse pensamento orientou muitas pessoas que não se sentiam cisgêneras, mas também não se denominavam trans*. Criaram categorias de classificação próprias, que ganharam força no tumblr. Alguns exemplos são: genderqueer, third sex, agender, bigender, androgyne, neutrois, femme, entre outras. Não convém aqui explicar cada uma dessas categorias, mas denunciar o caráter frágil do binarismo. O sistema binário de gênero não é tão natural quanto se imagina e tampouco é estável e inabalável.

Por fim, resta saber se iremos contribuir para reforçar um sistema excludente e desumanizador, ou lutar contra as políticas e discursos cissexistas existentes na sociedade.

Fonte: http://transfeminismo.com/o-que-e-cissexismo/