Palestra sobre Aborto e Estatuto do Nascituro com Lola Aronovich

Na última sexta-feira, 16 de agosto, o Diretório Central dos Estudantes (DCE), com apoio do nosso projeto de extensão Diversidades em Performances, a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Políticas Afirmativas (PROAP) – todos vinculados à Universidade Federal do ABC (UFABC) – trouxeram à nossa universidade a blogueira feminista e professora de línguas estrangeiras da Universidade Federal do Ceará (UFC) para falar sobre o aborto e o Estatuto do Nascituro, dois temas muito importantes e polêmicos de nossos dias recentes.

A palestra foi um sucesso. Auditório cheio com muitas pessoas interessadas e participativas. O DCE, em nome das organizadoras do evento -Amanda Faria Lima, Danielle Bandeira (também extensionista do Diversidades em Performances) e Luiza Nunes de Freitas – agradecem a participação e apoio de todas as pessoas que estiveram envolvidas de alguma forma nesse evento, principalmente à Lola, que aceitou nosso convite com muito carinho. Muito obrigada!

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Luiza de Freitas Nunes, Lola Aronovich e Danielle Bandeira.
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Cartaz do evento
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9º Encontro Internacional da MMM

Feminismo em marcha para mudar o mundo!

25 a 31 de agosto de 2013 – Memorial da América Latina São Paulo

Entre os dias 25 e 31 de agosto de 2013, o Brasil sedia pela primeira vez um Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. O Encontro vai reunir ativistas feministas dos cinco continentes do mundo e de todas as regiões do Brasil. São esperadas 1600 mulheres para participar durante todos os dias do Encontro, que acontece no Memorial da América Latina, em São Paulo. Após uma intensa semana de debates, oficinas e atividades culturais, as mulheres realizam uma grande mobilização nas ruas da capital paulista, no dia 31 de agosto. Saiba mais aqui.

Atenção para as orientações para se inscrever:

1. Preencha a ficha de inscrição diretamente neste formulário: http://bit.do/9encontroMMM .

2. A ficha deve ser preenchida até o dia 11 de agosto de 2013. É fundamental respeitar esta data limite para que possamos calcular a infra-estrutura de alojamento e alimentação adequadas.

3. A ficha de inscrição deve ser preenchida por todas as participantes do 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.

4. Caso você DESISTA ou fique impossibilitada de participar do Encontro, deve cancelar sua inscrição enviando e-mail para: encontrommm2013@gmail.com – Não haverá devolução do valor pago na inscrição.

5. Como parte da nossa auto-sustentação, faremos um fundo de solidariedade que ajudará a cobrir parte dos custos de alimentação e infra-estrutura do Encontro. Para tanto, será solicitado às delegações nacionais e internacionais uma contribuição econômica, na forma de taxa de inscrição. Sabendo das diferentes condições e custos de deslocamento de cada estado até São Paulo, sugerimos as seguintes faixas de valor:

Participantes vindas de São Paulo capital e região metropolitana: R$ 60,00

Participantes vindas do interior de SP e estados da região Sul e Sudeste: 40,00

Participantes vindas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste: 20,00

Contribuição solidária e voluntária: R$100,00

O pagamento da inscrição garante a alimentação durante todo o Encontro.

A participante deve apresentar o comprovante de depósito no credenciamento do Encontro. 

CONTA
Banco Itaú
Agência: 0444
Conta corrente: 64087-4
Titular: SOF Serviço de Orientação da Família
CNPJ 60.396.793/0001-31

Saudações feministas!

Marcha Mundial das Mulheres

Fonte: http://marchamulheres.wordpress.com/2013/08/02/inscreva-se-aqui-para-o-9o-encontro-internacional-da-mmm/

Irã incentiva troca de sexo para manter país ‘livre do homossexualismo’

Ahura (à esq.) olha para a amiga Ramesh (ao centro) que dança ao som de Rihanna

Quando criança, Sara preferia jogar futebol com os meninos a brincar de boneca. Mocinha, ela passou a sofrer todo dia por ter que usar véu e roupas femininas.

Hoje com 17 anos, Sara diz ter certeza de que nasceu com o sexo errado. Se conseguir convencer as autoridades, ela ganhará permissão e subsídio para ser operada e adotar uma nova identidade, com nome masculino.

A República Islâmica do Irã abençoa e incentiva operações de troca de sexo, em nome de uma política que considera todo cidadão não heterossexual como espírito nascido no corpo errado.

O casal Mahsa (à esq.) e Ahura (à dir.) observam uma vitrine em Teerã. Ambos têm permissão para fazer a cirurgia de mudança de sexo

Com ao menos 50 cirurgias por ano, o país é recordista mundial em mudança de sexo, após a Tailândia.

Oficialmente, gays não existem no país. Ficou famosa a frase do presidente Mahmoud Ahmadinejad dita a uma plateia de estudantes nos EUA em 2007, de que “não há homossexuais no Irã”. A homossexualidade nem consta da lei. Mas sodomia é passível de execução.

O casal Mahsa –homem que quer fazer a cirurgia de mudança de sexo– e Ahura –mulher que também deseja se submeter à operação– em uma cafeteria em Teerã

Transexuais no Irã

Já transexuais, aos olhos dessa mesma lei, são heterossexuais vítimas de uma doença curável mediante cirurgia.

Essa visão partiu do próprio fundador da república islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, que emitiu em 1984 um decreto tornando o procedimento lícito.

Khomeini comoveu-se com o caso de Feyreddun Molkara, um devoto xiita que o convencera de que era mulher presa em corpo de homem.

A bênção aos transexuais continuou após a morte de Khomeini, em 1989, apesar da objeção de alguns clérigos.

Prevaleceu a corrente que defende a mudança de sexo como prova de que o islã xiita, dominante no Irã, capta melhor a mensagem divina.

“Sunitas dizem que é mexer com a criação divina. […] Mas ninguém está mudando o atributo na natureza criada por Deus. O humano continua humano”, escreveu o clérigo Mohammad Mehdi Kariminia, simpatizante dos transexuais. “Trata-se apenas de sintonizar corpo e mente.”

Mahsa (ao centro) viaja em ônibus no setor reservado às mulheres, no Irã. Embora tenha a permissão para se submeter à cirurgia de mudança de sexo, Mahsa não tem dinheiro para arcar com os custos da operação

SUBSÍDIO

No início dos anos 2000, o Estado passou a subsidiar um terço do valor total das operações, que variam entre US$ 8 mil e US$ 10 mil.

A adolescente Sara quer candidatar-se a esse benefício. Ela deu o primeiro passo rumo ao sonho de virar homem numa manhã recente, ao apresentar-se de tênis e calça baggy numa clínica de Teerã credenciada para atender transexuais.

Nervosa e agitada na sala de espera, ela não quis falar com a Folha. A avó, que a criou desde a separação dos pais, a acompanhava.

“Ela nunca rezou, mas fez promessa de cumprir com as orações para o resto da vida, caso consiga ser operada”, disse a avó, após Sara entrar na sala do cirurgião Bahram Mir-Jalili, pioneiro no Irã.

Formado na França, Mir-Jalili afirma que candidatos à operação passam por reiteradas sessões com médico, psicólogo e psiquiatra antes da elaboração de um parecer.

“O processo leva meses até descartar casos como esquizofrenia e selecionar apenas pessoas com transtorno profundo de identidade de gênero”, diz o médico. Ele avalia em 40 mil o número de transexuais iranianos, diagnosticados ou não.

À comprovação clínica sucede o trâmite jurídico. Se declarada transexual, Sara deverá apresentar-se a um juiz, que validará ou não o parecer, após nova avaliação por médicos legistas.

Confirmado o laudo, ela poderá acionar a Organização do Bem-Estar Social, que administra os subsídios.

“O regime tem muitos problemas, mas é inegável que a assistência social funciona bem”, afirma Mir-Jalili, que diz ter feito 320 mudanças de sexo nos últimos dez anos.

Um dos casos mais recentes operados pelo médico é o de uma professora de primário de 34 anos que de agora em diante se chama Daniel.

Ainda em observação após a retirada dos seios e colocação de prótese peniana, Daniel espera com ansiedade a emissão da nova identidade.

Mas teme voltar para a cidade de interior onde vive. “Meu pai e irmãos não sabem da cirurgia, só contei para a minha mãe e uma irmã.”

Daniel afirma que continuará usando véu na escola em que trabalha enquanto espera ser removido para outra cidade, onde pretende começar do zero a vida como homem, ao lado da namorada.

 

O casal Mahsa –homem que quer fazer a cirurgia de mudança de sexo– e Ahura –mulher que também deseja se submeter à operação– nas ruas de Teerã

PRECONCEITO

O preconceito é queixa unânime dos transexuais no Irã. Roya, 34, não conseguiu emprego desde que tornou-se mulher, há quatro anos.

“Só poderei trabalhar num lugar em que ninguém desconfie do meu passado”, diz a transexual, que voltou a ter voz masculina após interromper o tratamento com hormônios devido às graves perturbações de humor.

Outra transexual chamada Roya, loira artificial de 27 anos carregada de batom rosa choque, diz não precisar trabalhar, pois o marido ganha bem. Mas diz sofrer assédio dos policiais toda vez que é levada para a delegacia.

“Quando percebem que sou transexual, me oferecem dinheiro por sexo. Uma vez o delegado quis transar comigo mesmo sabendo que meu marido me esperava lá fora.”

Todos os transexuais iranianos ouvidos pela Folha, incluindo os que se disseram muçulmanos devotos, relataram problemas com a família. “Rezo todo dia para minha mãe me aceitar e para conseguir o dinheiro da operação”, emociona-se Mahsa, 25, que vive no limbo dos transexuais clinicamente reconhecidos, mas sem condições de arcar com a cirurgia.

Mahsa namora Ahura, 18, na mesma situação. Ele já se considera mulher e anda na parte feminina dos transportes públicos. Ahura não usa véu e tem pelo no rosto de tanto injetar testosterona.

“Há sempre alguém insultando Mahsa quando andamos na rua. Queria partir para cima, mas não tenho força de homem”, diz Ahura, cuja mãe acaba de recuar da decisão de pagar sua cirurgia.

Após várias tentativas de suicídio, Mahsa e Ahura vivem de favor na casa de amigos. Juram não ter vida sexual. “De que jeito? Não reconhecemos nossos órgãos sexuais. Só ficaremos à vontade depois de operados”, diz Mahsa. Ela deseja ter uma vagina criada a partir de um pedaço de intestino, conforme técnica do doutor Mir-Jalili.

Já Ahura quer um formato de pênis que privilegie a sensibilidade em detrimento da forma. Mas o casal foi alertado por amigos sobre a má qualidade das operações iranianas. “Passei por três cirurgias para corrigir a primeira”, diz Roya, a solteira.

Uma transexual operada confidenciou um sentimento amplamente compartilhado em silêncio: “Não teria mutilado meu corpo se a sociedade tivesse me aceitado do jeito que eu nasci”.

*Reportagem: Samy Adghirni, da Folha de São Paulo

Fonte: http://blogentrenos.wordpress.com/2013/01/13/ira-incentiva-troca-de-sexo-para-manter-pais-livre-do-homossexualismo/

 

Austrália reconhece pessoa sem sexo pela 1ª vez

Norrie May-Welby, a quem a Austrália atribuiu “gênero não-específico”

Uma pessoa que mora na Austrália pode ser a primeira no mundo reconhecida oficialmente como não pertencendo a nenhum dos sexos, segundo a imprensa australiana.

O governo do Estado de New South Wales emitiu uma certidão de “Gênero Não-Específico” a Norrie May-Welby. Isso significa que o governo não reconhece Norrie como homem ou mulher.

Norrie se considera andrógino e é ativista do grupo Sex and Gender Education (Sage, na sigla em inglês), que faz campanha por direitos de pessoas com diferentes identidades sexuais.

Norrie, de 48 anos, nasceu na Escócia e foi registrado como homem. Aos 23 anos, ele passou por um tratamento hormonal e cirurgias para mudar de sexo, e foi registrado na Austrália como mulher.

No entanto, Norrie ficou insatisfeito com a mudança e interrompeu seu tratamento, preferindo denominar-se “neutro”.

“Gaiola” dos gêneros

“Esses conceitos de homem e mulher simplesmente não se encaixam no meu caso, eles não são a realidade e, se aplicados a mim, são fictícios”, afirma Norrie em um artigo publicado no site The Scavenger na semana passada.

Norrie assina seu nome como “norrie mAy-Welby”, um trocadilho com “may well be”, que em inglês significa “pode ser”.

Em e-mail à BBC Brasil, Norrie comemorou a decisão do governo australiano. “Liberdade da gaiola do gênero!”, escreveu.

Segundo a notícia publicada no The Scavenger, os médicos declararam em janeiro deste ano que não conseguiram determinar o sexo de Norrie – nem fisicamente nem em função do seu comportamento.

A certidão de gênero não-específico foi dada de acordo com uma recomendação de 2009 de um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Austrália, segundo o portal. A certidão foi publicada na capa do jornal australiano Sydney Morning Herald.

Uma porta-voz da Procuradoria do governo da Austrália disse ao jornal que esta foi a primeira certidão do tipo.

A porta-voz do Sage, Tracie O’Keefe, disse ao Scavenger que a decisão tem impacto importante na vida de pessoas que não se identificam nem como homens ou mulheres.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph, o porta-voz do grupo britânico Gender Trust, que ajuda pessoas com problemas de identidade sexual, saudou a decisão do governo de New South Wales.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/03/15/australia-reconhece-pessoa-sem-sexo-pela-1-vez.jhtm

Participantes do Fisl questionam o machismo na tecnologia

A participação das mulheres na área de tecnologia passou a ganhar mais atenção do Fórum Internacional de Software Livre, realizado este ano em Porto Alegre, RS. Somente no primeiro dia do evento (03), aconteceram duas atividades específicas sobre a temática. Entre elas, a oficina “Linux para gurias” voltada para garotas que davam seus primeiros passos na área de tecnologia. Segundo os participantes da oficina, atividades quase exclusivas para mulheres no evento pode tornar a participação delas mais ativa no mercado de trabalho.

De acordo com o coordenador do evento, Ricardo Fritsch, o assunto tornou-se uma das pautas prioritárias do evento. Outra questão que incomoda é o machismo no ambiente de trabalho. Segundo pesquisa em redes sociais apresentada por Danielle Gomes, ativista do grupo Mulheres na Tecnologia, elas “acabam se submetendo a ambientes de trabalho machistas, elogios impróprios e constrangedores, salários inferiores e outros problemas”.

Apesar disso, Marília Rosa, Eduarda Conter e Maria Clara mostram que os desafios estão, aos poucos, sendo superados. Em comum, elas têm o interesse em programação para dispositivos móveis. Participantes pela primeira vez do Fisl, elas são estudantes em técnica de informática pelo Instituto Federal do Sul (IFSUL), em Charqueadas (RS). Em um rápido bate-papo, as jovens explicam porque buscaram a área e dão dicas de setores em que é necessário mais participação feminina. Confira:

Com informações do Fisl.

A EBC é uma das patrocinadoras do Fórum Internacional de Software Livre – Fisl

Fonte: http://www.ebc.com.br/tecnologia/2013/07/participantes-do-fisl-questionam-o-machismo-na-tecnologia

Dança Circular na UFABC no sábado à tarde!

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Venha dançar conosco mais uma vez no próximo sábado, dia 29 de junho, das 14:00 às 16:00 horas, no sétimo andar da Torre 3 do Bloco A, ao lado do Programa de Extensão Memória dos Paladares!

As danças circulares têm reunido nossa comunidade interna e externa, trazendo para o convívio e a valorização das diversidades culturais muitas pessoas de Santo André, São Bernardo do Campo e também de São Paulo.

O prazer e a alegria de dançar em toda trazem também conhecimento, autoconhecimento, união e invenção de novas comunidades. Assim, a Universidade abre suas portas para que todas as pessoas possam se encontrar e conviver em seus espaços, pois a arte e a cultura para todos precisam fazer parte do cotidiano acadêmico e da vida cultural e artística da nossa região metropolitana do ABC.

A Roda das Danças Circulares das Diversidades é uma atividade de extensão universitária desenvolvida pelos Projetos Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances, com apoio do Programa de Extensão Memória dos Paladares: participem!

Mais em: Dança Circular na UFABC

Roda das Danças Circulares das Diversidades na UFABC

Dia do Círculo Ensolarado: 15 de junho de 2013

‘Estupro corretivo’ vitimiza lésbicas e desafia autoridades no Brasil

Sensibilizar vítimas para que façam denúncia é um dos grandes desafios no combate à violência sexual contra lésbicas | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Rachel Duarte

“Você vai aprender a gostar de homem”. Essa terrível frase é tristemente comum em caso de violência sexual contra mulheres lésbicas no Brasil. A estatística assusta: 6% das vítimas de estupro que procuraram o Disque 100 do governo federal durante o ano de 2012 são mulheres homossexuais vítimas de violência, em sua maioria de fundo sexual. Chamada de ‘estupro corretivo’, a violação tem requintes de crueldade e é motivada por ódio e preconceito, o que torna a descoberta dos casos algo complexo para o sistema de direitos humanos nacional. Os serviços de Diversidade Sexual e Gênero da União e a Secretaria de Políticas para Mulheres do governo gaúcho estão trabalhando na identificação e punição dos crimes, e concentram esforços na sensibilização das vítimas para denunciarem o estupro – o que nem sempre ocorre devido ao temor pela exposição.

As estatísticas do serviço telefônico de denúncia vinculado à Secretaria Nacional de Direitos Humanos foi compartilhada com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, o Conselho Nacional LGBT e os movimentos sociais ligados à diversidade sexual. De acordo com a coordenadora da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), Roselaine Dias, que representa a entidade no Conselho LGBT, os dados não especificam a prática de estupro homofóbico. “São 6% de violação de mulheres lésbicas. Parte deste índice é de estupro corretivo, porque temos como referência outros dados do Ministério da Saúde que nos permitem fazer um comparativo percentual coincidente”, explica. Segundo ela, a fonte reveladora da realidade de estupros corretivos é o serviço de HIV/Aids. “Temos um quadro que aponta que muitas mulheres portadoras do HIV contraem o vírus em decorrência de estupros com esta motivação”, diz.

A violência é usada, explica, como um castigo pela negação da mulher à masculinidade do homem. Uma espécie doentia de ‘cura’ por meio do ato sexual à força. A característica deste tipo de prática é a pregação do agressor ao violentar a vítima. As vítimas são em sua maioria jovens entre 16 e 23 anos, lésbicas ou bissexuais. Alguns agressores chegam a incitar a “penetração corretiva” em grupos das redes sociais e sites na internet.

Em março de 2012, por meio de denúncia da Associação Brasileira de Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a Polícia Federal prendeu Emerson Eduardo Rodrigues, de Curitiba, e Marcelo Valle Silveira Mello, de Brasília, autores da página Silvio Koerich, que incitava o ódio contra homossexuais e ensinava o ‘estupro corretivo’. No final do mesmo ano, em Alagoas, ao menos dois casos ganharam repercussão nacional. Geralmente, os casos chegam ao conhecimento da sociedade e das autoridades de forma isolada, quando envolvem mais de um agressor e alguma instituição de notoriedade. No dia 11 de maio deste ano, uma estudante foi vítima de um estupro corretivo dentro do campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A vítima estava acompanhada de uma menina em uma festa e, quando se afastou, foi abordada por um sujeito que lhe disse que iria ensiná-la a gostar de homens.

Casos de Porto Alegre foram descobertos no serviço de HIV/Aids

Até então conhecido internacionalmente pela forma epidêmica com que vitima mulheres na África do Sul, o estupro corretivo é uma realidade nova para as autoridades brasileiras. Porém, ainda que sem dados oficiais consolidados, a Liga Brasileira de Lésbicas afirma que casos ocorrem de forma recorrente no Rio Grande do Sul. “Sabemos de casos que atendemos, pela rede de atuação que a ONG faz com o serviço de HIV de Porto Alegre. Como os registros de estupro são feitos nas delegacias, é mais difícil saber ao certo quando e de que forma acontecem”, diz Roselaine Dias.

“Estes casos de estupros corretivos revelam uma das piores faces da violência contra mulher” diz Secretária de Políticas para as Mulheres do RS, Ariane Leitão | Foto: Palácio Piratini

Lamentavelmente, os estupros corretivos chegaram ao conhecimento do poder público por meio dos casos em que a vítima contraiu o vírus HIV, o que é ainda mais preocupante, alerta a secretária de Políticas para Mulheres, Ariane Leitão. “Estes dados surgem no serviço de HIV, que não é o local adequado para iniciar uma denúncia deste tipo. É possível que outros casos estejam ocorrendo e estejam invisíveis a nós”, salienta. Segundo ela, a interligação da rede estadual de atendimento e proteção às mulheres vítimas de violência precisa ser institucionalizada. “O debate sobre violência contra mulheres tem que sair do foco da violência doméstica. Temos que ter a compreensão da violação de gênero. Estes casos de estupros corretivos revelam uma das piores faces da violência contra mulher, contra o ser humano que se atreve, na visão destes agressores, a negar a masculinidade da sociedade”, afirma.

O serviço de denúncia no RS, o Escuta Lilás, é uma forma de acolhimento das vítimas e de denúncias para o encaminhamento dos processos criminais contra os agressores, recorda a secretária. Conforme Ariane, uma coordenadoria específica de Lésbicas, Bissexuais e Transexuais femininas foi criada para discutir as especificidades das políticas públicas para a diversidade sexual. “As mulheres também sofrem preconceito dentro do meio LGBT. São minorias, dentro das minorias. Vemos muito mais casais de homens se assumindo do que de mulheres, por conta do receio de algumas lésbicas com a cultura machista que ainda nos envolve”, ressalta.

“A violência não muda a orientação sexual delas”, diz Liga Brasileira de Lésbicas

Uma Sala Lilás criada no ano passado dentro do Instituto Geral de Perícias já está possibilitando o atendimento humanizados às mulheres vítimas de violência sexual. O espaço evita que vítima e agressor convivam no mesmo ambiente na hora do registro dos crimes ou que as mulheres sejam inibidas na hora da denúncia. “Antes a vítima tinha muita exposição. Agora, ela denuncia junto ao Departamento Médico Legal, onde ninguém irá saber que ela está lá denunciando especificamente uma lesão corporal de abuso sexual, porque é onde realizamos todos os exames de lesão corporal”, explica a Corregedora Geral do IGP, Andréa Brochier Machado. Além disso, a escuta acolhedora e o atendimento psicossocial garantem o encaminhamento da vítima de forma mais qualificada, afirma. “O nosso trabalho pode vitimar ainda mais a pessoa. Por isso, temos o cuidado de oferecer atendimento psicológico em Porto Alegre. No interior, estamos buscando parceria com as prefeituras para ampliar a oferta de psiquiatras e psicólogos para este atendimento”, fala Andrea.

Perita criminalística diz que violência sexual contra lésbicas demonstra “relação de dominação e controle típica da nossa cultura machista” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

A tipificação dos crimes, inclusive dos estupros, poderá ser feita em breve, informa Andrea. “Estamos colocando o sexo no registro das perícias. Isto permitirá quantificarmos as mulheres que passaram pelo DML, o tipo de lesão e mapear os crimes. Nos surpreende esta dupla violência com as mulheres lésbicas. Pela prática que tenho, devem ser os crimes com maior crueldade, porque são movidos por ódio, como se o agressor quisesse impor a sua compreensão sobre sexualidade como a ideal. Uma relação de dominação e controle típica da nossa cultura machista”, avalia a perita criminalística.

De acordo com a coordenadora da LBL, Roselaine Dias, os estupros corretivos precisam ser vistos para além das vítimas, porque em nenhum momento elas mudam sua orientação sexual após a violência sofrida. “Não afeta em nada a concepção da vítima sobre sua sexualidade. Nenhuma diz que deixará de sair com menina por ter sido vítima. O diferencial é que, quando ela está sofrendo a violência, é o agressor que explica que tem um ‘motivo’. Ele é que tem que ser tratado. Precisamos combater os preconceitos culturais e a forma de educar as pessoas sobre as relações afetivas, sexualidade e identidade de gênero. Só assim teremos uma solução”, diz.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/2013/06/estupro-corretivo-vitimiza-lesbicas-e-desafia-autoridades-no-brasil/