XIII Semana de Ciências Sociais

Encruzilhadas da Democracia / 02 a 06 de Setembro de 2013
As recentes mobilizações que paralisaram diversas capitais brasileiras além de cidades de médio e grande porte no interior coloca o Cientista Social na cena nacional dos debates. O Cientista Social não se limita a relatar os fatos, mas interpretá-los. Com base em múltiplas referências teóricas e metodológicas, o Cientista Social direciona para uma reflexão que aponta para inúmeras e possíveis linhas explicativas.  O tema proposto para a XIII Semana de Ciências Sociais, Encruzilhadas da democracia, provoca a nossa potência para o conhecimento de acontecimentos históricos que irrompem e colocam em cena forças, agentes, movimentos coletivos e linhas de ação inéditas. Inúmeras têm sido as modalidades de atuação democrática, algumas de difícil enquadramento ou controle por formas tradicionais de exercício da política. A fortuna do termo encruzilhada advém da impossibilidade de adoção de uma única via de saída, mas aponta para a invenção de novas possibilidades da política, de cultura e de sociedades que não sejam a repetição do mesmo.

Propomos nesta XIII Semana de Ciências Sociais a apresentação das várias áreas que compõem o nosso curso, as linhas de pesquisa que desenvolvemos para enfrentar os problemas do tempo presente e a singularidade do Curso de Ciências Sociais da PUC-SP que, desde a década de 1960, vem formando cientistas sociais de reconhecida qualidade requeridos pelos institutos de pesquisa, centros culturais, ONGS, instituições de ensino e órgãos públicos. Destacamos neste ano de 2013 os 40 anos do Programa de Pós-graduação, doutorado e mestrado, em Ciências Sociais da PUC-SP que no seu pioneirismo e qualidade – reconhecida pela CAPES de nível ótimo – forma docentes e pesquisadores para as principais universidades brasileiras.

Baixe aqui a programação

Programação

02/09
9h às 12h – Local: Auditório 117 A

ABERTURA

Encruzilhadas da democracia
Profº Dr. Miguel Chaia
Profº Dra.Carla Garcia
Profº Dra. Eliane Gouveia
14h às 17h

40 anos
Pós-Graduação de Ciências Sociais.
Relatos  dos protagonistas com destaque para os coordenadores.
Feira de Livros do CACS (acervo antropofágico)
17h30 às 19h
MINI CURSO (inscrições pelo e-mail miniencruzilhadasdademocracia@gmail.com)
1. Mídias Digitais e Democracia
Profª Dra. Rosemary Segurado e Profª Dra. Eva Campos Domingues
2. A Atualidade de  O Príncipe de Maquiavel
Profº Dr. Edison Nunes
3. Trabalho na contemporaneidade
Profª Dra. Noêmia Lazzareschi
18h30 às 19h30 – Local: Saguão do Tucarena

Lançamento da Revista Polichinello
 nº 14 e do Livro FAVOS de Arturo Gamero.  Editora Lumme
Exposição “Estamos todos Presos” (org. Profª Dra.  Dorotheia Passetti)
20h às 22h30 – Local: Saguão do Tucarena

Aula Teatro: Limiares da Liberdade 
Nucleo de Sociabilidade Libertária (Nu-sol)
03/09
9h às 12h – Local: Auditório 117 A
MESA
Condições de vida, direitos e violências: povos indígenas no Brasil contemporâneo
Profª Dra. Lucia Helena Rangel (coord)
Profº Dr. Rinaldo Arruda
Profº Dr. Benedito Prezia
Profª Vilma Bokany
14h às 17h
Sessão coordenada de Iniciação Científica e TCC (as inscrições dos trabalhos devem ser realizadas até 19 de agosto pelo e-mail encruzilhadasdademocracia@gmail.com) Para a inscrição: Título, autor e um resumo de 10 linhas.
17h30 às 19h
MINI CURSO (inscrições pelo e-mail miniencruzilhadasdademocracia@gmail.com)
1. Mídias Digitais  e Democracia
Profª Dra. Rosemary Segurado e Profª Dra. Eva Campos Domingues
2. A Atualidade de O Príncipe de Maquiavel
Profº Dr. Edison Nunes
3. Trabalho na contemporaneidade
Profª Dra. Noêmia Lazzareschi
20h às 22h30 – Local: Auditório 117A


O racismo e as políticas públicas
Profª Dra. Teresinha Bernardo
Profº Dra. Maria Nilza da Silva
Regimeire Maciel (doutoranda PUCSP) 

04/09
9h às 12h – Local: Auditório 117 A
MESA
Cidades: sociabilidades e movimentos sociais atuais
Profª Dra. Lucia Bógus (coord)
Profª Dra. Marisa do Espírito Santo Borin
Profª Dulce Maria Tourinho Baptista
Profª Dra. Maria da Glória Cohn
14h às 17h
GRUPO DE TRABALHO
1. Arte, Mídia e Política. Profº Dr.Rafael Araujo (coord)
2. Ideologias e lutas sociais – Profº Dr. Lucio Flávio Almeida (coord.)
3. Manifestações culturais Afro- Brasileiras e Racismo. – Joanice Conceição e Janaína de Fiqueiredo (coords)
4. O Mundo do Trabalho na Contemporaneidade: Globalização da Produção, Reestrutura-ção Produtiva, Emprego e Tempo Livre – Profª Dra. Noêmia Lazzareschi
5.Religião:  Múltiplas Fronteiras-Dra. Eliane Hojaij Gouveia – Prof.Dr. Edin Abumanssur (coordenadores)
6.Meio Ambiente e sociedade. Profª Dr. Marijane Lisboa (coordenadora)
17h30 às 19h
MINI CURSO (inscrições pelo e-mail: miniencruzilhadasdademocracia@gmail.com)
1. Mídias Digitais e Democracia
Profª Dra. Rosemary Segurado e Profª Dra. Eva Campos Domingues
2. A Atualidade de O Príncipe de Maquiavel
Profº Dr. Edison Nunes
3. Trabalho na contemporaneidade
Profª Dra. Noêmia Lazzareschi
20h às 22h30 – Local: Auditório 117A
MESA
Trajetórias profissionais dos egressos do curso de Ciências Sociais da PUC-SP: Dilemas e Desafios.
Profª Dra. Matilde Melo(coord.)

05/09
9h às 12h – Local: Auditório 117 A

MESA
O Poder Judiciário no Brasil: atribuições e limites
Profª Dra. Vera Chaia (coord.)
Profª Dra. Maria Teresa Sadek (USP)
Frederico Vasconcelos (FSP)
Profª Flavia Piovesan (PUC/SP)

14h às 17h

GRUPO DE TRABALHO
1. Arte, Mídia e Política. Profº Dr.Rafael Araujo (coord)
2. Velhice, Velhices: imagens e representações – Profª Dra.  Leila da Silva Blass (coord)
3. Ideologias e lutas sociais – Profº Dr. Lucio Flávio Almeida (coord.)
4. Manifestações culturais Afro- Brasileiras e Racismo. – Joanice Conceição e Janaína de Fiqueiredo (coords)
5. O Mundo do Trabalho na Contemporaneidade: Globalização da Produção, Reestrutura-ção Produtiva, Emprego e Tempo Livre – Profª Dra. Noêmia Lazzareschi.
6.Religião:  Múltiplas Fronteiras – Dra. Eliane Hojaij Gouveia –Prof.Dr. Edin Abumanssur (coordenadores)
7.Meio Ambiente e sociedade. Profª Dr. Marijane Lisboa (coordenadora)
17h30 às 19h – Local: Museu da Cultura
Conversa com os Editores das Revistas da PUCSP
Exposição das Revistas
Profª Dra. Dorothea Passetti (organizadora)
20h às 22h30 – Local: Auditório 117 A
MESA
Manifestações de junho: revoltas, insurreições?
Profª Dr. Leila da Silva Blass
Profº Dr. Edson Passetti
Profº Dr. Peter Pal Pélbart
06/09

9h às 12h – Local: Auditório 117 A

MESA
Megaprotesto e copa do mundo: ressignificando o evento
Profº Dr. José Paulo Florenzano (coord.)
Profº Dr. Marcelo Ridenti (Unicamp)
Profª Dra. Mônica Carvalho
Profº Acácio Augusto
 

14h às 17h

GRUPO DE TRABALHO 
1. Arte, Mídia e Política. Profº Dr.Rafael Araujo (coord)
2. Velhice, Velhices: imagens e  representações – Profª Dra. Leila da Silva Blass (coord)
3. Ideologias e lutas sociais Profº Dr. Lucio Flávio Almeida (coord.)
4. Manifesta-ções culturais Afro- Brasileiras e Racismo.Joanice Conceição e Janaína de Fiqueiredo (coords)
5. O Mundo do Trabalho na Contemporaneidade: Globalização da Produção, Reestrutura-ção Produtiva, Emprego e Tempo Livre – Profª Dra. Noêmia Lazzareschi
17h30 às 19h

Performance e Leitura dramática.
Talita Vinagre, Joana Egypto e Judson Cabral
20h às 22h30 – Local: Auditório 117A
MESA
Classes Populares, política e Ideologia na América Latina. Profº Dr. Lucio Flávio Almeida (coord.)
Angélica Lovatto. Política e ideologia no pré-1964: os Cadernos do Povo Brasileiro.
Eliel Ribeiro Machado. Contribuições de Nicos Poulantzas para a análise dos movimentos sociais na América Latina.
Ramon Casas Vilarino. Imperialismos e Antiimperialismos na América Latina no Pós-Guerra Fria.
 
Comissão organizadora:
Silvana Tótora (coordenação)
José Paulo Florenzano (vice-coordenação)
Wander Wilson (mestrando PUC-SP)
Natasha Bachini (mestre pesquisadora NEAMP)
Cauê Ameni(Ciências Sociais PUCSP)
Douglas Meira Ferreira (Ciências Sociais PUC-SP
Eduardo Elias Gottib (Ciências Sociais PUC-SP)
Erika Rosenfeld Bayer Matias (Ciências Sociais PUC-SP)
Gustavo Guedes Brigante (Ciências Sociais PUC-SP)
Thiago Michelucci (Ciências Sociais PUC-SP)
Vitor Amaral Osório (Ciências Sociais PUC-SP)
Carolina Mandu (Ciências Sociais PUC-SP)
Faculdade de Ciências Sociais PUC-SP
Curso: Ciências Sociais
Tels: 3670 8337/8336
Serão fornecidos certificados para participantes e para os mini-cursos

Ossos de indígenas encontrados no Tocantins revelam ritual pós-morte

Depois da decomposição, ossos eram lavados para ficarem ‘purificados’. Urnas foram achadas em lugar que está inundado por usina hidrelétrica.

A antropóloga física Eugênia Cunha dando consultoria sobre análise de ossos. (Foto: Vivianni Asevedo/Ascom NUTA)

O Núcleo Tocantinense de Arqueologia (NUTA) da Fundação Universidade doTocantins(Unitins) está analisando oito restos de esqueletos encontrados na Ilha dos Campos, em 2002, próxima ao rio Tocantins, entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA). Os restos, que provavelmente são de índios guaranis, estavam dentro de urnas – com formato oval e feitas de cerâmicas – no sítio abrigo Santa Helena (uma espécie de caverna formada por paredões rochosos, lugar que foi submerso depois da construção da Usina Hidrelétrica de Estreito).

A antropóloga física Eugênia Cunha, presidente da Sociedade Europeia de Antropologia Forense e coordenadora do Mestrado em Evolução e Biologia Humana da Faculdade de Coimbra, Portugal, esteve em Palmas no mês de junho para ajudar na análise dos esqueletos. Segundo ela, as formas como os corpos foram guardados revelam um ritual pós-morte bastante peculiar. Os enterramentos eram chamados de secundários. Os indígenas, primeiramente faziam o enterro superficial. Depois que a carne havia se decomposto, eles tiravam os ossos, lavavam e depois os colocavam em urnas. “Um prova de que o povo se preocupava com a morte e com seus familiares”, segundo a antropóloga.

Restos de 3 crianças indígenas encontrados em uma só urna. (Foto: Vivianni Asevedo/Ascom NUTA)

Foram encontradas quatro urnas, em uma delas tinham três esqueletos – um bebê de seis meses, o outro de três anos e o terceiro de sete anos. Segundo a antropóloga física, o fato de ter três restos guardados em uma só urna pode significar o grau de parentesco entre os mortos. Junto a um dos esqueletos foi encontrado um objeto, chamado de tembetá, que era um adorno utilizado nos rituais de passagem, para perfurar o queixo do indígena, que ao fazer 13 anos, passava da infância para a fase adulta, quando ele já poderia constituir família.

A etnia guarani não é originária do Tocantins. Mas, eles são povos semi nômades. De acordo com Ivan Guarani, 43 anos, integrante do movimento indígena no estado e estudante de direito na Universidade Federal do Tocantins, este ritual foi perdido no tempo, pela inserção de outras culturas e pela falta de terra.

A lavagem dos ossos, na verdade, significa purificação, segundo Ivan. “Quando os portugueses, também chamados de paraíbas pelos indígenas, chegaram no Brasil, eles contaminaram a terra. Quando algum indígena era enterrado, ficava contaminado, por isso era necessário que os ossos fossem lavados para que as almas ficassem limpas e fossem em paz”. Ele diz que este ritual faz parte da crença religiosa, um mandamento do Deus Nhãm Jdará.

Hoje os 46 guaranis que vivem no município de Xambioá, norte do Tocantins, dividem a terra com os carajás. O grupo, do qual o indígena Ivan faz parte, veio de Mato Grosso do Sul e fixou moradia no norte do estado. “Os carajás nos acolheram e a cultura deles é muito diferente da nossa. Além disso nós não temos área própria, razões pelas quais não praticamos mais essa forma de ritual”.

A forma como os indígenas – guaranis e carajás, mais especificamente –  enterram os mortos, nos dias de hoje, é bem parecida com a praticada pelos brancos, segundo Ivan. O ritual foi mudando com o tempo. “Quando eu era criança lembro que o índio guarani era enterrado numa esteira feita de madeira”.

Agora resta saber de qual época pertenciam os povos que praticavam o ritual de purificação dos corpos. De acordo com a professora e coordenadora do NUTA, Antônia Custódia, os exames de DNA, que serão feitos posteriormente revelarão a época em que estes povos viveram.

NUTA
O trabalho feito pelo NUTA tem o objetivo de resgatar histórias e fazer um monitoramento histórico e cultural das regiões impactadas. No local, onde hoje só se vê água da Usina Hidrelétrica de Estreito foram identificados, antes da construção da usina, 100 sítios arqueológicos. Além dos corpos, foram catalogadas cerca de três mil peças artesanais. Os resultados das análises dos achados serão entregues ao Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Fonte: http://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2013/07/ossos-de-indigenas-encontrados-no-tocantins-revelam-ritual-pos-morte.html

Combate ao Racismo Ambiental: uma luta justa por justiça ambiental

Por Cristiane Faustino

A efervescência dos debates sobre questões ambientais e riscos humanos, que emerge no contexto da Rio+20, nos impõe o desafio de fortalecer na cena pública as diferentes compreensões e fazeres críticos que põem em evidência as injustiças e violações provocadas pelos modelos econômicos, políticos, sociais e culturais dominantes. Romper com a cultura política elitista de “ocultação” das desigualdades e iniquidades, ainda que gritantes na vida real, é fundamental para a emancipação da humanidade desde o fazer democratizante e comprometido com a construção de modos de vidas sustentáveis, se é assim que se quer chamar o porvir de uma sociedade melhor pra todas as pessoas e grupos sociais.

No Brasil e América Latina o racismo é um dos processos de desigualdades mais reais, porém mais ocultados, especialmente pelos agentes que impõem a todas as pessoas e grupos sociais, seu pensamento, suas decisões, suas armas, suas instituições, seus códigos, suas formas de ver, pensar e construir o mundo. Das invasoras caravanas do século XVI aos sofisticados jatinhos, o rastro desses agentes tem sido a dizimação e escravização dos povos originários e negros, marginalizando e subjugando suas gentes e culturas. A violência da expropriação e escravização, antes argumentada pela superioridade e meritocracia divinizada das culturas brancas, hoje se camufla na falácia da democracia, inclusive a racial, e se justifica pelo decantado discurso do desenvolvimento.

Desenvolvimento focado numa racionalidade que transforma os territórios, os ecossistemas, a biodiversidade, os conhecimentos e os corpos, especialmente os das mulheres, em mercadorias; que explora a força de trabalho alheia e extermina os grupos “desnecessários”. Nessas circunstâncias, a pergunta feita por quem percebe, pensa sobre, ou vivencia as violências desse projeto é: desenvolvimento do que e para quem, “cara pálida”? A resposta a essa questão não pode se furtar de trazer à tona o debate sobre o racismo, que movimentou a expansão capitalista e o enriquecimento das metrópoles européias, assim como a formação das elites e marginalização da população negra e indígenas. Racismo que se refunda e se complexifica no moderno desenvolvimento, acelerado pelas políticas de Estado e dos Governos, pelas oportunidades abertas à iniciativa privada e seus negócios poluentes e “sociodegradantes”. Oportunidades que se concretizam na invasão e sobreexploração de imensos territórios, negação e violação dos direitos dos povos, sobretudo daqueles situados como racial e/ou etnicamente inferiores.

É a partir das ideologias hierarquizantes e discriminatórias – que mesmo se não ditas diretamente, são estruturantes da conformação social, e não podem ser subtratadas na análise e práticas críticas- que se encaminham pelos agentes públicos e privados as decisões sobre as políticas ambientais, a implementação dos projetos da iniciativa privada, as remoções das populações, as ordens de despejos, as fronteiras de expansão dos agro e hidronegócios, a defesa, licenciamento e incentivos às atividades industriais poluentes, as obras de infraestrutura que viabilizam a produção. Enfim, só para citar alguns dos processos que interferem e reconfiguram autoritariamente os territórios, destroem os bens naturais e desalojam as populações que foram historicamente alijadas dos processos políticos e exploradas nos econômicos e que por consequência não têm acesso ao poder de decisão e à proteção contra as atividades degradantes e seus impactos.

Nessa “naturalização” das injustiças e desigualdades, na vida real e cotidiana os contingentes negros urbanos enfrentam os grandes dilemas ambientais nas cidades; as populações quilombolas e povos indígenas têm seus territórios e modos de vida dizimados; os trabalhadores e trabalhadoras das atividades degradadoras são as vítimas das contaminações; as populações pobres, em geral não brancas, são destituídas de seus direitos e/ou morrem nas grandes catástrofes.

Nessa cadeia de tragédias, as mulheres negras e indígenas são mais duramente atingidas, porque têm ainda menos acesso ao poder político e foram (e a grande maioria continua a sê-lo) subordinadas, nas diferentes dimensões da vida. Para essas, o histórico de dominação de seu corpo no estupro colonial e na exploração do seu trabalho, se repagina na vida cotidiana de gestão das ausências e na exploração sexual, como parte das cadeias produtivas que articulam cultura machista e pobreza das mulheres e meninas, e não custa dizer: especialmente as de cor!

As necessidades e privações que foram geradas pela situação de subordinação e de negação históricas são “processadas”, nesse desenvolvimento, não como conseqüências da má distribuição do poder e da riqueza, mas como resultado da própria ausência dos investimentos e modelos da sociedade geradora e consumidora de mercadorias. Nesse contexto, a falsa solução da chamada economia verde, que não rompe um milímetro sequer com os modelos dominantes, é também reflexo do cinismo, da arrogância e prepotência daqueles que sempre estiveram nos lugares de privilégios.

Para nós que vamos construir a Cúpula dos Povos, nos desafia a luta articulada contra o racismo e por justiça ambiental. Uma luta que nos mobilize para desvelar as tramas das desigualdades e visibilizar suas diferentes dimensões, com vistas a fortalecer a capacidade de incidir sobre elas a partir de suas complexidades e da nossa velha e boa capacidade de perceber e se indignar com as opressões.

Fonte: http://racismoambiental.net.br/textos-e-artigos/cristiane-faustino/combate-ao-racismo-ambiental-uma-luta-justa-por-justica-ambiental/

Comunidades isoladas ganham título de remanescentes quilombolas no AP

Lugarejos já estão na lista de comunidades da Fundação Palmares.
No Amapá, são 31 comunidades catalogadas.

Comunidade São José, no município de Laranjal do Jari (Foto: Gabriel Penha/G1)

Amapá ganhou mais três comunidades reconhecidas pelo governo federal como remanescentes quilombolas depois de uma tramitação de quase dois anos em Brasília (DF). O Diário Oficial da União (DOU) de 24 de maio de 2013 e a Fundação Cultural Palmares já publicaram a certificação de Tapereira, no município de Vitória do Jari, São José, no município de Laranjal do Jari e Conceição do Maracá, que engloba também as vilas de Mari, Joaquina, Fortaleza e Laranjal do Maracá, no município de Mazagão.

Em comum, além da descendência africana, as comunidades sofrem com o isolamento e ausência do poder público. Em algumas comunidades não há nem energia elétrica. Agora, com o reconhecimento oficial, a perspectiva é de que essa realidade comece a mudar. Tudo começou há quase dois anos, quando as comunidades formaram associações.

As entidades jurídicas são um reforço e o passaporte para que essas regiões sejam assistidas por programas e políticas federais, como é caso do Minha Casa Minha Vida Quilombola, Brasil Quilombola e Estatuto da Igualdade Racial.

“Foi um processo longo. Essas comunidades precisavam se organizar para poder o governo federal saber que elas existem. A partir dessa certificação, ficam igualadas às comunidades quilombolas ditas urbanas. O diferencial é que são lugares que vivem em extrema vulnerabilidade social”, argumenta João Ataíde, chefe de gabinete da Secretaria Extraordinária de Políticas para Afrodescedentes (Seafro) e especialista em cultura e história afro-brasileira.

A Seafro monitora, há mais de dois anos, a formação de associações e a tramitação de processos de reconhecimento pela Fundação Palmares. No Amapá, são 31 comunidades catalogadas, sendo 28 esperando parecer e a titulação. Curiaú, Mel da Pedreira e Conceição do Macacoari já receberam a titulação.

G1 mostra como vivem os habitantes das comunidades recém-certificadas:

Tapereira, um vilarejo no extremo sul
Chegar à comunidade de Tapereira requer uma verdadeira odisseia, dada a dificuldade de acesso à região: são necessárias pelo menos duas horas de viagem pela estrada que dá acesso à comunidade de Aterro do Muriacá; de lá, ainda é preciso enfrentar mais duas horas e meia de voadeira, passando por diversos outros lugarejos. Tapereira fica na divisa entre Vitória, Laranjal do Jari e Mazagão.

Benedito Tavares, 79 anos, é o mais antigo de Tapereira (Foto: Gabriel Penha/G1)

Segundo relata o morador mais antigo do lugarejo, Benedito Flexa Tavares, 79, a vila é uma herança deixada pelo avô há pelo menos duzentos anos. “Meu avô era africano. Sou neto de africano. Ele veio da região do Maracá [em Mazagão]”, relata. Benedito conta ainda que o lugar foi desenvolvido pelo pai, que se chamava Alexandre Vaz Tavares. “Perdi meu pai quando ainda era garoto. De la para cá, a responsabilidade de desenvolver a vila ficou comigo”, recorda. Ali, criou os filhos, netos e bisnetos e sonha que as novas gerações tenham, as oprtunidades que nunca teve na juventude.

Em Tapereira vivem cerca de 20 famílias – aproximadamente 150 pessoas. De acordo com o líder comunitário Manoel Domingos Lopes, entre as maiores dificuldades enfrentadas pelos moradores está a falta do acesso à saúde pública (não há posto de saúde) e à comunicação. “Vivemos num grande isolamento. Nossa vila parece ter sido esquecida no tempo”, argumenta Lopes. Na região, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Educação de Vitória do Jari, o ensino vai até à 4ª série do ensino fundamental e o índice de analfabetismo entre os mais velhos é grande.

Perto da vila, há um campo onde os moradores encontraram peças de barro que lembram pedaços das urnas funerárias da cultura Maracá. Segundo eles, lá pode existir um sítio arqueológico. “Acreditamos que no lugar possam ter morado pessoas há muito tempo. Ninguém do Estado nunca veio conferir para tentar comprovar”, diz o morador Josué Flexa, de 33 anos.

São José: uma vila às margens do rio Jari
A comunidade de São José está localizada às margens do rio Jari e fica pertinho de um dos cartões postais mais conhecidos da região sul do Amapá: a Cachoeira de Santo Antônio.

Benedito Ferreira Dutra, 57, diz que a vida na região de São José é de dificuldades (Foto: Gabriel Penha/G1)

Fundada há mais de 60 anos, é outro lugar que parece ter parado no tempo. O local foi impactado pela construção de uma barragem na região. Ali, vivem cerca de 13 famílias, sem acesso a cuidados básicos de saúde e com baixo índice de educação – a maior escolaridade registrada foi a 8ª série do Ensino Fundamental.

Um dos moradores mais antigos da região, Benedito Ferreira Dutra, 57, diz que a vida na região é de dificuldades. “Temos que ir a Laranjal de barco para fazer feira. Aqui, vivemos de pesca e agricultura. São dias difíceis”, relata. Na casa de seu Benedito, vivem ele, a mulher, seis filhos e netos.

Conceição do Maracá e o território quilombola
A vila de Conceição do Igarapé do Lago do Maracá, que engloba também as vilas de Mari, Joaquina, Fortaleza e Laranjal do Maracá integram o primeiro Território Quilombola do Amapá. Esses vilarejos ficam na isolada região do Maracá, no município de Mazagão. Conceição é um vilarejo situado em um ramal de cerca de 14 quilômetros, na altura do Km 150 do eixo Sul da BR-156 (Macapá-Laranjal do Jari). De carro, é possível ir apenas até a esse ponto da região do Maracá.

“Esperamos que, com esse reconhecimento, União, Estado e Município comecem a olhar e fazer alguma coisa para melhorar a vida em nossas comunidades”, discursa dona Maria Divina de Jesus, de 81 anos, umas das moradoras mais antigas de Conceição do Igarapé do Lago do Maracá.

Aos 59 anos de idade, seu Anastácio Trindade de Sousa é uma espécie de liderança comunitária do lugar. Ele relata que, hoje, a região precisa começar a sair do isolamento, mas ainda há muito a se fazer para que isso aconteça. “O Poder Público tem pouca presença aqui. Nossa esperança é que nosso lugar se desenvolva, para que nossos filhos não precisem mais sair daqui e tentar dias melhores na cidade”, afirma.

Moradores de Conceição do Maracá utilizam energia solar (Foto: Gabriel Penha/G1)

Em Conceição do Igarapé do Lago do Maracá, energia elétrica somente com um pequeno gerador, que funciona das 18h30 às 22h30. O grande sonho é a energia 24 horas chegando para os moradores. “Dá para assistir ao jornal e à novela das nove”, brinca dona Divaneide Trindade, sobre a energia com hora contada.

A renda tem como base os programas sociais do governo, mas a agricultura e a pesca começam a se desenvolver, mesmo que de maneira bastante tímida. Na cultura, o ponto forte é a celebração da festa de Nossa Senhora da Conceição, em dezembro – com a realização de folias, como acontece em outras comunidades de Mazagão.

Moradores da comunidade de Mari, em Mazagão ainda vivem como na metade do século passado (Foto: Gabriel Penha/G1)

Mari: desafio é desenvolver a educação

Saindo de Conceição, é necessário pegar uma embarcação a motor e seguir para a pequena comunidade de Mari. O percurso fluvial pelo Rio Maracá dura cerca de uma hora, mas não se trata de uma navegação tranquila: é preciso enfrentar a obstrução dos igarapés pelos juncos, que formam obstáculos naturais que à noite representam grande perigo.

Em Mari vivem cerca de 30 famílias, uma média de 100 pessoas, divididas em pequenas casas às margens do rio. Na economia, o destaque é para o extrativismo da castanha-do-brasil.

Joaquina e Fortaleza: nem a energia chegou
Uma hora e meia de viagem de barco rabeta para chegar até a pequena comunidade de Joaquina, onde vive uma média de 15 famílias – cerca de 70 pessoas. Numa pequena capela, o culto a São Thomé, padroeiro celebrado e festejado na região.

Em Joaquina, o isolamento e falta de infraestrutura são ainda maiores. Nem motor de energia existe. A alimentação é à base da caça e da pesca e os moradores ganham um pouquinho de dinheiro com a ainda tímida produção de farinha de mandioca e coleta de castanhas e produtos naturais.

Do outro lado do Rio Maracá, a comunidade de Fortaleza, onde encontramos o morador Antônio Viana, de 49 anos, conhecido como “Cachimbo”. Numa casa ribeirinha, vivem apenas ele e a mãe, dona Luiza Gonzaga Alvina, de 88 anos. Experiente mateiro, Antônio nos mostra uma pequena trilha. “Aqui, quando criança, achávamos vários objetos antigos, não sabíamos o que era”, conta.

Laranjal do Maracá: uma vila à margem da BR
A comunidade de Laranjal do Maracá, está situada às margens do eixo Sul da BR-156, na altura do Km 180. Na localidade vivem cerca de 40 famílias, em casas espalhadas ao longo do entorno da estrada.

A energia elétrica também é o grande gargalo desses moradores, que vivem basicamente da agricultura e do extrativismo. Na religião, a santa cultuada é Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A educação é oferecida em nível fundamental, em duas escolas, uma estadual e outra do município.

Fonte: http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2013/06/comunidades-isoladas-ganham-titulo-de-remanescentes-quilombolas-no-ap.html

 

Escritores indígenas se reúnem no Rio e mostram a diversidade cultural de seus povos

Cristina Indio do Brasil
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Escritores de diversos povos indígenas, entre eles Xavanti, Kaingang, Munduruku e Guarani se reuniram hoje (12), no Rio de Janeiro, para participar do 10º Encontro de Escritores e Artistas Indígenas. Eles usaram o auditório do Centro de Convenção SulAmérica, na Cidade Nova, centro do Rio, para um momento de troca de informações e de demonstração da cultura de cada povo presente.

Além da leitura de textos de livros publicados, eles puderam passar para os participantes do encontro as diferentes formas de pintura corporal, que varia conforme o povo indígena, sexo ou motivo de comemoração. Entre os indígenas, a escritora, advogada e a primeira índia mestre em direito, Fernanda Kaingang, classificou o encontro como um fato histórico. “É uma oportunidade de exercer a multiculturalidade do Brasil em verso e prosa, canto e dança, de forma muito rica na literatura brasileira”, disse.

Ela ressaltou que nos livros que publica procura passar a cultura kaingang, que, para a escritora, é um povo guerreiro, valente e que sobreviveu. “Durante muito tempo havia a resistência dos adolescentes em se pintar, as crianças não queriam sair no 7 de Setembro [data comemorativa da Independência do Brasil] pintadas. Então, este projeto é resultado de uma reviravolta. Eles já reproduzem os desenhos em roupas e pinturas corporais e desfilam com orgulho dizendo: eu sou kaingang”, declarou.

Para Cristino Wapichana, organizador do evento, dez anos depois o seminário ganhou uma outra dimensão e está mais maduro e isso faz com que as publicações estejam em nível melhor. “Este décimo encontro é um marco porque, nos nove anos, nós trabalhamos com um núcleo de escritores indígenas. Como um núcleo tem mais dificuldades de captar recursos, decidimos criar uma associação de escritores indígenas”, explicou.

Daniel Mundukuru, diretor-presidente do Instituto Uka – Casa dos Saberes Ancestrais, doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e criador do encontro, disse que os dez anos coordenando o seminário representaram um aprendizado muito grande. “A gente teve que aprender muitas coisas e foi percebendo a importância de trabalhar com qualidade editorial para que o livro seja uma obra de arte, muito mais que um objeto. Com o tempo, percebi que era possível chegar a um nível profundo para oferecer à sociedade brasileira um novo olhar para os povos indígenas”, ressaltou. Daniel é autor de 47 livros de literatura indígena.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-12/escritores-indigenas-se-reunem-no-rio-e-mostram-diversidade-cultural-de-seus-povos

Roda das Danças Circulares das Diversidades!

Amanhã, dia 15 de junho de 2013, mais uma vez estaremos dançando no alto da UFABC, Campus Santo André (sétimo andar da Torre 3 do Bloco A, ao lado do Laboratório do Programa de Extensão Memória dos Paladares), às 14:00 horas.

Venha dançar conosco!

Nossa comunidade está dançando porque Danças Circulares são:

– Expressão e movimento;

– Poesia do corpo;

– Afirmação de um novo centro;

– Ondas musicais nos seres;

– Passos em sintonia;

– Diversidades;

– Brincadeiras de criança;

– Encontro de amores;

– Transformação e cura;

– Prazer da alegria;

– Arte e conhecimento;

– Convivência, amizade e generosidade;

– Descobertas e surpresas;

– Parcerias;

– Criação, recriação, criatividade!

dança circular sbh

Parceria dos  Projetos de Extensão Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances

Apoio do Programa de Extensão Memória dos Paladares

PROEX – UFABC – 2013

Concurso de Ensaios – Educação e relações étnico raciais nos intérpretes do Brasil

Atualmente a discussão sobre as relações étnico-raciais e seus desdobramentos no campo educacional mobilizam um conjunto expressivo de movimentos sociais. Não menos importante são, também, os diversos olhares que o mundo acadêmico lança sobre o fenômeno buscando tanto a sua compreensão quanto a produção de abordagens teóricas e metodológicas que instaurem novos padrões de relações da escola com o pertencimento étnico-racial dos sujeitos escolares.

No entanto, as questões étnico-raciais tensionam a educação e, mais especificamente, a escola, desde que as primeiras instituições educativas foram organizadas em terras “brasileiras”. Sobre isso muito já se escreveu e praticamente nenhuma interpretação do Brasil esteve – ou está – alheia à questão.

Para ajudar na compreensão e na divulgação das abordagens e das tradições de compreensão do tema no pensamento social brasileiro, bem como para contribuir para a o estabelecimento de políticas públicas fundadas no respeito e na valorização da diversidade étnico-racial, o projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil – 1822/2022 e a Editora Mazza lançam o concurso nacional sobre o tema Educação e relações étnico-raciais nos intérpretes do Brasil.

O Concurso visa premiar os dois melhores ensaios escritos sobre a temática com os valores de R$ 3.000,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, para o primeiro e o segundo lugares. Além da premiação em dinheiro os/as Autores/as terão assegurada a publicação de seus textos pela Editora Mazza na Série Ensaios da Coleção Pensar a Educação Pensar o Brasil. Poderão participar do concurso pessoas físicas com ensaio inédito, ou seja, que não tenha sido publicado previamente em revistas, livros ou qualquer meio eletrônico. As inscrições estarão abertas do dia 1º de julho a 15 de setembro de 2013 e, para participar, o/a candidato/a deve preencher a ficha de inscrição disponível na página do projeto e enviar, junto com 5(cinco) vias do trabalho e demais documentos estabelecidos no Edital, para o endereço da Editora. Os resultados serão divulgados na edição do Programa de Rádio Pensar a Educação Pensar o Brasil (na Rádio UFMG Educativa, 104,5 FM) no dia 15 de novembro de 2013 e serão publicados nos sites do Projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil e da Mazza Edições. Para mais informações, confira o edital completo no site http://www.fae.ufmg.br/pensaraeducacao ou escreva para pensar@ufmg.br.

Prof. Luciano Mendes de Faria Filho
Faculdade de Educação da UFMG
Centro de Estudos e Pesquisas em História da Educação
Projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil – 1822/2022.
Av. Antônio Carlos, 6627
31270 901 Belo Horizonte- MG
Fone: 55 31 3409 6167
www.fae.ufmg.br/gephe

Fonte: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questao-racial/afrobrasileiros-e-suas-lutas/19224-concurso-de-ensaios-educacao-e-relacoes-etnico-raciais-nos-interpretes-do-brasil