Dança Circular na UFABC no sábado à tarde!

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Venha dançar conosco mais uma vez no próximo sábado, dia 29 de junho, das 14:00 às 16:00 horas, no sétimo andar da Torre 3 do Bloco A, ao lado do Programa de Extensão Memória dos Paladares!

As danças circulares têm reunido nossa comunidade interna e externa, trazendo para o convívio e a valorização das diversidades culturais muitas pessoas de Santo André, São Bernardo do Campo e também de São Paulo.

O prazer e a alegria de dançar em toda trazem também conhecimento, autoconhecimento, união e invenção de novas comunidades. Assim, a Universidade abre suas portas para que todas as pessoas possam se encontrar e conviver em seus espaços, pois a arte e a cultura para todos precisam fazer parte do cotidiano acadêmico e da vida cultural e artística da nossa região metropolitana do ABC.

A Roda das Danças Circulares das Diversidades é uma atividade de extensão universitária desenvolvida pelos Projetos Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances, com apoio do Programa de Extensão Memória dos Paladares: participem!

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Roda das Danças Circulares das Diversidades na UFABC

Dia do Círculo Ensolarado: 15 de junho de 2013

Roda das Danças Circulares das Diversidades, no alto do Campus Santo André!

No dia 15 de junho, mais uma vez, dançamos na nossa Roda das Danças Circulares das Diversidades, no alto do Campus Santo André!! Essa atividade de extensão, que acontece todos os sábados, das 14:00 às 16:30 horas, no sétimo andar da Torre 3, no Bloco A, é fruto de uma parceria entre os Projetos de Extensão Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances: todos estão convidados!

Acontece assim: temos aqueles dançantes que sempre estão presentes, da comunidade interna e externa, incluindo Santo André e São Bernardo do Campo! E também muitas pessoas convidadas (amigos, amores), aparecendo para conhecer as danças circulares, acompanhar e dançar, dançar…  Dançar para trabalhar e fazer acontecer na Universidade junto com a Comunidade tantos saberes necessários: expressão e movimento; poesia do corpo; diversidades; arte e conhecimento; convivência, amizade e generosidade… entre outros!

Além do prazer e da alegria das Danças Circulares, sempre fazemos uma pequena confraternização no Laboratório-Cozinha do Programa de Extensão Memória dos Paladares, que assim apoia e contribui com a atividade, enfatizando como a cultura alimentar compartilhada também cria solidariedade e união, prazer e alegria.

Seguem, então, o eterno convite para dançar e um agradecimento meu e do João, no nosso papel de focalizadores, a todos os participantes e aos novos bolsistas do Projeto de Extensão Diversidades em Performances (Danielle e Guilherme), que estão contribuindo com a organização e aprendendo a fazer o registro documental das atividades da Roda. Agradecemos, dessa vez e especialmente, à Reny, membro da nossa Roda, que mora em na região de Santo André, é psicóloga, e trouxe um tradicional bolo com calda de maracujá que fez a alegria e que, com certeza, ficará nas boas memórias dos paladares da nossa animada Roda das Danças Circulares das Diversidades :) ))


Roda das Danças Circulares das Diversidades!

Amanhã, dia 15 de junho de 2013, mais uma vez estaremos dançando no alto da UFABC, Campus Santo André (sétimo andar da Torre 3 do Bloco A, ao lado do Laboratório do Programa de Extensão Memória dos Paladares), às 14:00 horas.

Venha dançar conosco!

Nossa comunidade está dançando porque Danças Circulares são:

– Expressão e movimento;

– Poesia do corpo;

– Afirmação de um novo centro;

– Ondas musicais nos seres;

– Passos em sintonia;

– Diversidades;

– Brincadeiras de criança;

– Encontro de amores;

– Transformação e cura;

– Prazer da alegria;

– Arte e conhecimento;

– Convivência, amizade e generosidade;

– Descobertas e surpresas;

– Parcerias;

– Criação, recriação, criatividade!

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Parceria dos  Projetos de Extensão Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances

Apoio do Programa de Extensão Memória dos Paladares

PROEX – UFABC – 2013

Concurso de Ensaios – Educação e relações étnico raciais nos intérpretes do Brasil

Atualmente a discussão sobre as relações étnico-raciais e seus desdobramentos no campo educacional mobilizam um conjunto expressivo de movimentos sociais. Não menos importante são, também, os diversos olhares que o mundo acadêmico lança sobre o fenômeno buscando tanto a sua compreensão quanto a produção de abordagens teóricas e metodológicas que instaurem novos padrões de relações da escola com o pertencimento étnico-racial dos sujeitos escolares.

No entanto, as questões étnico-raciais tensionam a educação e, mais especificamente, a escola, desde que as primeiras instituições educativas foram organizadas em terras “brasileiras”. Sobre isso muito já se escreveu e praticamente nenhuma interpretação do Brasil esteve – ou está – alheia à questão.

Para ajudar na compreensão e na divulgação das abordagens e das tradições de compreensão do tema no pensamento social brasileiro, bem como para contribuir para a o estabelecimento de políticas públicas fundadas no respeito e na valorização da diversidade étnico-racial, o projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil – 1822/2022 e a Editora Mazza lançam o concurso nacional sobre o tema Educação e relações étnico-raciais nos intérpretes do Brasil.

O Concurso visa premiar os dois melhores ensaios escritos sobre a temática com os valores de R$ 3.000,00 e R$ 2.000,00, respectivamente, para o primeiro e o segundo lugares. Além da premiação em dinheiro os/as Autores/as terão assegurada a publicação de seus textos pela Editora Mazza na Série Ensaios da Coleção Pensar a Educação Pensar o Brasil. Poderão participar do concurso pessoas físicas com ensaio inédito, ou seja, que não tenha sido publicado previamente em revistas, livros ou qualquer meio eletrônico. As inscrições estarão abertas do dia 1º de julho a 15 de setembro de 2013 e, para participar, o/a candidato/a deve preencher a ficha de inscrição disponível na página do projeto e enviar, junto com 5(cinco) vias do trabalho e demais documentos estabelecidos no Edital, para o endereço da Editora. Os resultados serão divulgados na edição do Programa de Rádio Pensar a Educação Pensar o Brasil (na Rádio UFMG Educativa, 104,5 FM) no dia 15 de novembro de 2013 e serão publicados nos sites do Projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil e da Mazza Edições. Para mais informações, confira o edital completo no site http://www.fae.ufmg.br/pensaraeducacao ou escreva para pensar@ufmg.br.

Prof. Luciano Mendes de Faria Filho
Faculdade de Educação da UFMG
Centro de Estudos e Pesquisas em História da Educação
Projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil – 1822/2022.
Av. Antônio Carlos, 6627
31270 901 Belo Horizonte- MG
Fone: 55 31 3409 6167
www.fae.ufmg.br/gephe

Fonte: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questao-racial/afrobrasileiros-e-suas-lutas/19224-concurso-de-ensaios-educacao-e-relacoes-etnico-raciais-nos-interpretes-do-brasil

Início da Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades na UFABC!

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Participantes da Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades na UFABC

11 de maio de 2013, Campus Santo André

No último sábado, dia 11 de maio, teve início a Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades na UFABC!

Neste quadrimestre, essa atividade de extensão está em desenvolvimento todos os sábados, das 14:00 às 16:30 horas, no sétimo andar da Torre 3 do Bloco A, no campus Santo André, e é uma parceria dos projetos Dança Circular na UFABC e Diversidades em Performances, que realizaram duas oficinas em abril e maio em Santo André e em São Bernardo, contando com a participação de dezenas de pessoas, tanto da comunidade acadêmica quanto da comunidade externa.

Nossa Roda Semanal de Danças Circulares das Diversidades agora também conta com o apoio e a parceria do Programa de Extensão Memória dos Paladares, cujo espaço é anexo ao saguão em que dançamos, e que abriga atividades relacionadas à memória e à cultura alimentar, entre elas nossas confraternizações que ocorrem nos intervalos das danças.

Assim, nosso convívio com a arte da dança também será entrelaçado com a arte culinária, em vivências e oficinas programadas para acontecer até o final do ano, fazendo com que a comunidade transforme o ambiente acadêmico também num espaço acolhedor, criativo e de conhecimento acerca da arte e da cultura dos povos!

As atividades são abertas e todos estão convidados: participem!

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“Eu vim à Dança
Como isto tudo aconteceu, nenhuma fantasia o diz,
Contudo, todo o meu Desejar e todo o meu Querer
Oscilavam com o Amor nos mesmos Círculos
Que conduzem nosso sol e todas as estrelas.”

Bernhard Wosien (1908-1986), bailarino e coreógrafo, criador do movimento cultural das Danças Circulares

Danças Circulares das Diversidades na UFABC!

Registros de mais uma ação de extensão em parceria com o Projeto Diversidades em Performances!!!

texto de Dulcimara Darre, coordenadora do Projeto de Extensão Dança Circular na UFABC

 

Nos dias 27 de abril, em Santo André, e 04 de maio, em São Bernardo, aconteceram workshops de Dança Circular na UFABC.  Entre os 34 participantes, a maioria da região (algumas pessoas vieram de São Paulo), estavam presentes membros da comunidade, servidores e alunos.

e na sala de dança do bloco b...

e na Sala de Dança do Bloco B…

Foram momentos onde o conhecimento sobre a História das Danças Circulares foi compartilhado: conversamos sobre a importância da dança no mundo contemporâneo, na educação, na saúde e, principalmente, dançamos!

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As danças e músicas  vieram de outros países ou daqui mesmo e envolveram a todos, integrando os grupos  de maneira harmoniosa.

no Bloco Beta, em São Bernardo

no Bloco Beta, em São Bernardo

A diversidade vivenciada através de músicas de várias origens trouxe a certeza quanto a importância do respeito  as diferenças.

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Fizemos uma dança sentados, na perspectiva de incluir os que tem mobilidade reduzida.

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E em São Bernardo, até o pátio entrou na dança!!!

 

 

 

 

Fonte: http://dancacircularufabc.wordpress.com/2013/05/09/workshop-de-danca-circular-em-santo-andre-e-sao-bernardo/

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Fonte: http://dancacircularufabc.wordpress.com/fotos-sobre-dancas-circulares/fotos-das-oficinas-de-dancas-circulares-na-ufabc/

Torcedores criam páginas no Facebook para pedir respeito à diversidade sexual nas arquibancadas

Movimento que surgiu em Minas Gerais se espalhou pelo Brasil e quer fim da homofobia nos estádios

André Baibich
andre.baibich@zerohora.com.br

No gramado, a homossexualidade sempre foi tabu. Gays são como fantasmas. Nas arquibancadas, eles aparecem – citados em cânticos ofensivos e xingamentos.
Para quebrar a perpetuação do preconceito, desde o início do mês pipocam no Facebook páginas criadas por torcedores de clubes brasileiros pedindo o fim da homofobia no esporte.

A onda de tolerância começou no dia 9 de abril, quando torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer. Não demorou para que seguidores da dupla Gre-Nal se inspirassem no exemplo mineiro. Assim, surgiram a QUEERlorado e a Grêmio Queer. Em outros pontos do Brasil, clubes grandes como Corinthians, Palmeiras, Flamengo e São Paulo aderiram ao movimento. A pioneira página do Galo já conta com quase 5 mil seguidores. Os dois representantes de Grêmio e Inter ultrapassaram 800 cada um.

Confira bastidores da reportagem com torcedores engajados na campanha:

http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/zhesportes/2013/04/veja-bastidores-reportagem-sobre-torcedores-que-pedem-fim-homofobia-futebol/19502

Os administradores dos espaços lembram que a ideia não é criar torcidas de homossexuais e, sim, promover o fim da intolerância à diversidade sexual. Entre os que curtem as páginas, estão muitos heterossexuais.

– O movimento (no Facebook) é interessantíssimo porque não vê a sexualidade como um fator de inferioridade, como uma forma de ofender. É uma grande maneira de dar início ao debate – diz o coordenador jurídico do Grupo Somos, organização multidisciplinar que defende o respeito à diversidade sexual, Bernardo Amorim.

Lançar luz ao problema da homofobia é justamente um dos objetivos dos espaços virtuais que se espalharam pelo Brasil. Há consciência de que o processo de mudança nas arquibancadas é difícil e lento.

– A ideia é justamente criar um debate inicial. No final dos anos 1990 e início dos 2000, era muito complicado para uma mulher ir ao Beira-Rio. Houve uma mudança geral da postura da torcida de lá para cá – lembra o sociólogo Diego Dresch, um dos criadores da QUEERlorado.

Com as páginas no Face, porém, surgiram evidências do preconceito. Os criadores e administradores dos espaços virtuais de Inter e Grêmio receberam ameaças de agressão de torcedores. Se fossem aos estádios, juravam os homofóbicos, seriam hostilizados.

Discriminação que Kátia Azambuja, socióloga que administra a Grêmio Queer ao lado de Júlio Câmara, lembra ter percebido em alguns dos cânticos entoados no Olímpico:

– Eu ia com frequência ao Olímpico, mas não cantava e ficava envergonhada com gritos racistas e homofóbicos. Lembro de ter levado uma amiga negra ao estádio e não sabia onde me esconder quando a torcida começou a cantar.

A característica do torcedor no Rio Grande do Sul não colabora, salienta Gustavo Bandeira, mestre em Educação pela UFRGS, cuja dissertação estudou as manifestações de masculinidade nas torcidas da Dupla. O modelo de comportamento se aproxima do argentino e passa longe do estereótipo do brasileiro, que imita o Carnaval nas arquibancadas.

– A torcida brasileira é vista como carnavalesca. Aceita, por exemplo, homens vestidos de mulheres. O estilo gaúcho de torcer se aproxima do argentino, mais viril. É um modelo que pode frear este tipo de movimento que prega o respeito às diferenças – destaca Bandeira.

A transformação dos estádios em arenas, que podem levar à elitização do público, é, para o pesquisador, outro obstáculo:

– Quando há elitização, geralmente não vem junto um maior respeito às diferenças sexuais. Esse tipo de processo normalmente é acompanhado de um pensamento mais conservador.

Quem sonha com mais tolerância às diferenças no futebol, como os gremistas e colorados que posaram para as fotos desta reportagem, deseja também o fim de comportamentos enraizados no concreto dos estádios (há quem não se veja como homofóbico, mas se junte ao grupo que canta menosprezando os gays). Para os torcedores envolvidos ou simpatizantes do movimento, o desafio será sair do ambiente virtual e transformar o mundo real.

O pioneirismo da Coligay

No Rio Grande do Sul, o primeiro movimento de homossexuais ligado ao futebol foi a torcida organizada Coligay, que apoiou o Grêmio nos anos 1970 e 1980. Carlos Duarte assistiu a alguns jogos junto dos torcedores e não tem lembrança de episódios em que tenham sofrido agressões ou preconceito.

– Ninguém se metia com a Coligay. O pessoal comentava: “Tem que ser muito macho para fazer isso” (risos). Era uma grande brincadeira e muito legal de ver – destaca o arquiteto de 52 anos.

Na época, Duarte viajava ao Interior para acompanhar o Grêmio. Lembra do ambiente de ódio aos times da Capital nos estádios e afirma que o setor da Coligay era um dos poucos seguros para torcer.

Hostilidade ao natural

Apesar das mensagens de tolerância na internet e de um estudo inglês que mostra maior aceitação dos gays (leia entrevista a seguir), o ambiente da arquibancada no Brasil segue calcado de preconceitos. Xingamentos e agressões são comuns. Ser homossexual é tomado como motivo de chacota.

Augusto Brito, professor universitário de 26 anos, homossexual, foi frequentador do Olímpico e esteve na inauguração da Arena. Só deixou de ir aos jogos por ter se mudado para Manaus. Não relata casos em que tenha sofrido discriminação diretamente, mas recorda:

– Quando eu ia ao estádio, ia com meus amigos héteros, até porque não tenho amigos homossexuais que se interessem por futebol. De qualquer modo, sabia que era um ambiente meio hostil para se manifestar.

O futebol é visto como o esporte que menos aceita a diversidade, sustenta o coordenador jurídico do Grupo Somos, Bernardo Amorim:

– Tem características fortes de machismo. Os cânticos recheados de preconceitos aos gays são tomados como algo natural.

Tão natural que Brito nem os encarava como ofensa:

– Eu ouvia isso mais quando a torcida estava xingando o juiz. Mas são como as frases que eu ouço no dia a dia. Meus amigos fazem esse tipo de piada de vez em quando, mas eu não me ofendo.

ENTREVISTA/ELLIS CASHMORE-  À espera do efeito dominó

A quase inexistência de jogadores homossexuais assumidos é uma das evidências da intolerância no futebol. O temor da reação hostil por parte do público mantém a orientação sexual no armário dos vestiários. Mas uma pesquisa da Universidade de Staffordshire, na Inglaterra, dá indícios de que o quadro pode mudar.

O trabalho, com participação de mais de 3 mil entrevistados entre torcedores, jogadores, árbitros e técnicos, mostrou que quase todos (93%) condenam o preconceito aos gays no esporte – e 60% disseram que gostariam de ver jogadores assumindo sua homossexualidade.

Em conversa por telefone com Zero Hora, o professor Ellis Cashmore, que conduziu o estudo ao lado de John Cleland,  fala com otimismo sobre o processo de aceitação dos gays nas arquibancadas e nos gramados.

Zero Hora – O senhor ficou surpreso com os resultados da pesquisa?
Ellis Cashmore –
 Fiquei estupefato. Há dois anos, essa questão foi à mídia porque a Federação Inglesa se preocupou com um suposto crescimento da homofobia e decidiu iniciar uma campanha de conscientização. Um conhecido profissional de relações públicas do país falou sobre o assunto e disse que tinha jogadores gays como clientes, aos quais aconselhava a não se assumir. Acreditava que o ambiente era muito hostil, que a cultura do futebol era medieval. Essas declarações nunca foram questionadas. Como pesquisador, meu desafio era achar um sistema para testar isso.

ZH – Não há uma chance de os participantes terem respondido o que é “politicamente correto”?
Cashmore –
 Ninguém vai se declarar como um racista, mas é claro que seu comportamento pode ser. De alguma forma, não há pessoas preconceituosas, há instâncias de comportamento, mas não há nenhuma motivação para mentir na pesquisa. As respostas são totalmente anônimas e confidenciais. Se você perguntar às pessoas na rua, elas não vão ser sinceras, mas fazer pela internet garantiu que isso não acontecesse. O sistema permitia a quem participou se explicar, dissertar sobre o tema.

ZH – Qual seria a importância de um jogador de destaque se assumir como homossexual?
Cashmore –
 Tenho cuidado para não fazer campanha. Escrevo como um pesquisador neutro. As pessoas podem me dizer: “É muito fácil para você dizer que um jogador gay deve se assumir, você é um professor branco e heterossexual” (risos). Se alguém decidisse se assumir, acredito que teríamos um “efeito dominó” e vários outros jogadores seguiriam. Os torcedores se perguntam a razão para que os jogadores não se assumam. Eles apontam o dedo acusatório para clubes e empresários, que estariam freando esse processo por temor de que um jogador gay os trouxesse prejuízos em contratos de imagem, por exemplo. Até aqui, só tivemos um jogador de destaque que se assumiu (Justin Fashanu, que atuou nos anos 1980 e 1990 na Inglaterra).

ZH – O senhor acredita que teria resultados parecidos em um país como o Brasil?
Cashmore –
 Um dos resultados unânimes é que os torcedores priorizam a habilidade do jogador acima de tudo. Minha opinião pessoal, e é só uma opinião pessoal, é de que os resultados seriam os mesmos. Mas eu quero adicionar uma questão que complica um pouco as coisas e ainda me intriga. Um dos temas da minha pesquisa é o racismo contra os negros, algo que nunca desapareceu na Inglaterra. Mesmo assim, você olha para qualquer time profissional e encontra de 40% a 50% de jogadores negros. Alguns dos grandes jogadores da Inglaterra são negros. E o racismo nunca desapareceu. Então, mesmo que os torcedores priorizem a qualidade do jogador acima de tudo, eu ainda reflito sobre o que faz com que o racismo ainda exista no futebol.

Dois casos

— Em 1981, o atacante Justin Fashanu ganhou as manchetes por ser protagonista da primeira transferência na Inglaterra que teve valor superior a 1 milhão de libras, quando trocou o Norwich City pelo Nottingham Forest. Mas seu pioneirismo não parou por aí. No início dos anos 1990, já na fase final de sua carreira, assumiu que era homossexual. Em 1998, após ser acusado de assédio sexual por um menino de 17 anos, se matou.

— Em fevereiro de 2013, o norte-americano Robbie Rogers, que chegou a jogar pela seleção de seu país, anunciou sua aposentadoria com apenas 25 anos, logo após assumir que é gay. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, revelou que não haveria como conciliar a manifestação pública de sua sexualidade com a continuidade no ambiente do futebol.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/noticia/2013/04/torcedores-criam-paginas-no-facebook-para-pedir-respeito-a-diversidade-sexual-nas-arquibancadas-4113055.html