Exposição Crítica: Um dia sobre Moradia

A História do ABC e a luta por moradia.
De cidade-dormitório ao seu déficit habitacional.
Por meio de fotos, imagens, documentos e jornais da Região do ABC, em especial a cidade de Diadema na Vila Socialista, a mostra revela os momentos de tensão, pavor e choque qual famílias inteiras foram submetidas em processos de ocupação e reintegração de posse. Muito longe de serem episódios longíquos do passado, a mostra intenciona-se como abertura do Debate sobre Moradia, com os representantes na luta que se faz hoje presente, no Novo Pinherinho, em Santo André. Passado e presente se chocam para mostrar que as lutas e os movimentos sociais continuam fortes, continuam construindo um futuro menos desigual.

Confira algumas fotos dos documentos e da roda de conversa

 

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Interpretação de Culturas

Em 1971, Jean Rouch aceitou o convite para filmar uma cerimônia de possessão em Simiri, no Níger; era o mesmo vilarejo e o mesmo ritual que ele havia filmado 20 anos antes em “Yenendi, os homens que fazem chover”. Apesar dos esforços do sacerdote e do uso de dois tambores especiais – tourou e bitti -, ao longo de três dias ninguém foi possuído. No quarto dia, depois de horas e horas de espera, Rouch decidiu filmar assim mesmo. Se os espíritos não se manifestavam, ele pelo menos registraria um pouco da bela música daqueles tambores arcaicos, em risco de desaparecimento.
Ligou a câmera e caminhou por entre os participantes até chegar aos tambores. Quando estava a ponto de cortar, as possessões começaram. Assim foi feito Os tambores do passado, curta-metragem em um único plano no qual a própria câmera toma parte da cerimônia e se evidencia como elemento catalisador do ritual. É um ótimo exemplo do que Rouch batizaria de “cine-transe”.
Percebam as semelhanças, os símbolos, o som e vejam o quanto disso tudo se conserva em você. Quando eu me deparo com coisas assim, acho uma parte de mim que ainda não tinha percebido, uma releitura de mim mesmo por significações totalmente diferentes porém expressivamente parecidas

Graffiti, das ruas para a galeria

O graffite teve sua origem na pichação de muros públicos e tem suas origens no Império Romano, no qual inscrições eram feiras em muros públicos. Em 1968 surgiram manifestações em Paris, com intuito de usar a técnica como instrumento de protesto contra as condições de classes menos privilegiadas.

A fachada da galeria ganha as tintas dos artistas; na foto, obra de Ramon Martins

Nos dias de hoje, o graffiti foi incorporado pela moda, pela publicidade e acabou chegando às grandes galerias de arte, a fim de democratizar a chamada “arte de galeria”. Segundo o ministério da cultura, mais de 90% dos brasileiros nunca puseram os pés em uma galeria de arte.

Mas ao ao colocarmos essa forma de arte, que foi criada na rua, com vocações sociais dentro de estabelecimentos nos quais apenas uma pequena parcela da população tem acesso, criamos um conflito dentre os apreciadores e os produtores do graffiti. Para o crítico de arte Paulo Klein, da associação Brasileira de Críticos de arte, trata-se de “arte de rua”, mesmo que ela sendo produzida em salões da elite. Celso Gitahy, afirma que “faz anos que o graffiti está em muses e galerias e acho isso bem saudável, pois trata-se de reconhecimento

A discussão não é vã. Ela pode influenciar, por exemplo, a valoração dos trabalhos e, por isso, direta ou indiretamente, direções estéticas. Hoje, como estão sendo valorizados esses grafiteiros, que ainda começam a ganhar experiência de mercado? Muitas vezes, é a galeria que sugere o valor das obras, com base em critérios como conceito, técnicas, formato, entre outras características comerciais que estão na base do trabalho de uma galeria de arte, capaz de gerar o ciclo de mercado.

Acervo da Choque Cultural: atendimento a colecionadores

O importante é ressaltar todas as formas de arte, elas estimulam a criatividade, são usadas como forma de manifestações e nos fazem fugir desse mundo cheio de aflições e desigualdades.

Fonte: http://www.arede.inf.br/inclusao/edicao-no36-maio2008/1379